24 jan

De olho nas eleições municipais CONAQ mobiliza lideranças para a disputa

Por Maryellen Crisóstomo

ASCOM CONAQ

Conversamos com a coordenadora executiva da CONAQ, Maria Rosalina dos Santos, Rosinha, que está à frente desse debate de politização e mobilização das lideranças e comunidades a fim de que haja mais participação de quilombolas nas disputas eleitorais. Pois, política partidária também é um espaço de luta e resistência. Sobre isso, a CONAQ tem trabalhado com as lideranças e as comunidades, para que a população quilombola  tenha maior representatividade no legislativo e no executivo dos municípios.

Ascom CONAQ: Que estratégias têm sido adotadas para mobilizar as lideranças e população quilombola em prol do engajamento na política partidária?

Maria Rosalina dos Santos – Rosinha | Foto: arquivo pessoal

Rosinha: A cada eleição a CONAQ prioriza fazer o debate sobre a importância das lideranças quilombolas pleitearem esse espaço mesmo sabendo que é um espaço disputado, justamente por aqueles que trazem isso como um vício, ou por vaidade mesmo, de estar nesses espaços.  Conhecendo a conjuntura política em que vivemos, a gente sabe que é um desafio, mas, precisamos ser ousados também para encarar esse desafio. Por entender que somente quem tem o sentimento de pertença consegue fazer a defesa das políticas prioritárias para as comunidades quilombolas e é nesse sentido que a CONAQ tem sempre motivado e incentivado as lideranças quilombolas a se desafiar e pleitear esse espaço.

Mesmo diante de uma conjuntura turbulenta em que estamos vivendo, mas, acreditamos que é possível fazer esse debate, não apenas com as lideranças, mas juntamente com as comunidades, porque não basta às lideranças se colocarem a disposição se a base lá, ainda continua alienada nesse sistema perverso e politiqueiro que aparece nas nossas comunidades com as grandes ou pequenas ofertas para iludir o eleitorado das comunidades, e passou o período das eleições: foi mais um período.

Ascom CONAQ: O que esperar das eleições municipais 2020?

Rosinha: A gente já vem fazendo o levantamento das lideranças que se colocam a disposição a pleitear uma vaga dessas – seja no legislativo ou no executivo – nas eleições de 2020, por entender que as lideranças quilombolas realmente têm a legitimidade, não (só) de falar, mas de defender essa causa porque realmente tem essa vivência. A gente está fazendo esse levantamento das lideranças em nível nacional, em todos os Estados, quais as lideranças estão se colocando a disposição. Queremos sair vitoriosos nessas eleições de 2020.

Estamos fazendo um debate diferente neste ano para que de fato as comunidades possam compreender a importância do que é o voto na vida da comunidade. Acredito que nesse ano é possível a gente sair, não vou dizer, com várias lideranças quilombolas ocupando as prefeituras, mas, eu quero acreditar que várias lideranças quilombolas irão ocupar uma cadeira na câmara municipal dos seus municípios, neste ano temos feito esse trabalho de forma mais efetiva com esse objetivo.

 

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