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16 de junho de 2026

Somos começo, meio e começo: mulheres quilombolas transformam memória, território e futuro no III Encontro Nacional da CONAQ

Lideranças de todo o país se reuniram para celebrar os 30 anos da CONAQ e fortalecer a luta por territórios, democracia e justiça climática.

Brasília (DF) – Quando as primeiras delegações começaram a chegar ao Espaço Divino Paraíso, no Gama, já era possível perceber que aquele não seria apenas mais um encontro. Mulheres carregando bandeiras, instrumentos, turbantes coloridos, sementes, fotografias, livros e histórias atravessaram estradas, rios, aeroportos e fronteiras para ocupar um espaço construído por elas e para elas.

Entre os dias 10 e 14 de Junho, o III Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) reuniu cerca de 1000 mulheres quilombolas de todas as regiões do país, além de representantes de organizações parceiras e delegações internacionais da América Latina, Caribe e África. Realizado no ano em que a CONAQ celebra três décadas de existência, o encontro transformou-se em um dos maiores espaços de articulação política protagonizados por mulheres negras no Brasil.

Sob o lema “Na defesa da democracia, por reparação e justiça climática, somos começo, meio e começo”, a programação reuniu debates, lançamentos de livros, exibições audiovisuais, feiras, apresentações culturais, rodas de conversa, grupos de trabalho e momentos de espiritualidade que reafirmaram a centralidade das mulheres quilombolas na construção do presente e do futuro do país.

Mais do que discutir políticas públicas, as participantes reafirmaram que defender os territórios é defender a vida. Defender a memória é garantir futuro. E fortalecer as mulheres quilombolas é fortalecer toda a sociedade brasileira.

Ancestralidade abre caminhos para o reencontro

Foto: João Vitor Tavares/CONAQ

 

O encontro começou cercado de emoção. As primeiras atividades foram marcadas por momentos de acolhimento, místicas, homenagens e apresentações das delegações. Logo nas primeiras horas, as participantes assistiram a um vídeo em memória das lideranças quilombolas que já partiram, mas permanecem vivas na caminhada coletiva. Rostos conhecidos surgiam na tela enquanto lágrimas, aplausos e abraços tomavam conta do espaço.

Era um lembrete de que cada conquista celebrada naquele encontro foi construída sobre a coragem de homens e mulheres que enfrentaram o racismo, a violência fundiária e a negação histórica de direitos. O sentimento de continuidade atravessou toda a programação. As mulheres que chegavam não vinham apenas representar seus territórios. Vinham carregar consigo a memória de suas ancestrais.

A potência de ocupar e transformar espaços 

Foto: João Vitor Tavares/CONAQ

 

Um dos momentos mais aguardados da programação foi a realização de uma gira com a jornalista Maju Coutinho, a coordenadora nacional e do coletivo de mulheres da CONAQ, Cida Sousa, Maria Rosalina (coordenadora executiva), Bia Nunes (coordenadora nacional), Helloisy Leal e representantes da Escola Nacional de Meninas Quilombolas.

Recebida sob aplausos, cantos e manifestações culturais, bastante emocionada, a apresentadora foi acolhida pelas quilombolas como uma parceira na luta por visibilidade e reconhecimento.

Durante a conversa, as participantes refletiram sobre comunicação, representatividade, juventude, autoestima e os desafios enfrentados por mulheres negras na ocupação de espaços historicamente negados.

Helloisy Leal destacou a importância de que meninas quilombolas possam sonhar sem limites. “Quando uma jovem quilombola ocupa um espaço, ela abre caminho para muitas outras.”

Maria Rosalina emocionou o público ao lembrar a trajetória de luta das mulheres da CONAQ. “O Brasil está aqui dentro. Cada mulher que chegou a este encontro trouxe consigo um território inteiro.”

Ao tomar a palavra, Maju reforçou a necessidade de ampliar as narrativas sobre os quilombos.“Eu quero que os quilombolas sejam vistos para além da dor.” A declaração ecoou por todo o auditório.

Mais do que denunciar as violências, as mulheres presentes queriam mostrar ao país seus saberes, suas culturas, seus modos de produção, sua capacidade de organização e as soluções que constroem diariamente para enfrentar desafios sociais e ambientais.

Cafuné transforma afeto em proteção

Foto: João Vitor Tavares/CONAQ

Ainda no primeiro dia, as atenções se voltaram para o lançamento do Plano Emergencial de Proteção e Autocuidado para Mulheres Quilombolas Cafuné e para a exibição do documentário homônimo.

A atividade reuniu defensoras de direitos humanos e organizações parceiras e lideranças de diferentes regiões do país. O documentário apresentou histórias de mulheres ameaçadas por sua atuação na defesa dos territórios quilombolas e evidenciou a importância das redes de acolhimento, apoio psicológico, jurídico e comunitário.

Extasiada com todas ali presentes, a apresentadora  destacou a potência simbólica da iniciativa. “Começar esse documentário falando de afeto e cuidado foi uma escolha extremamente potente.”

Sandra Braga, coordenadora executiva, ressaltou que a proteção das mulheres está diretamente relacionada à proteção dos territórios. “As ameaças que enfrentamos nascem da luta pela terra. Proteger as mulheres é proteger os territórios.”

Já Jhonny Martins diretor presidente da Negra Anastácia, instituição administrativa da CONAQ,  lembrou que o assassinato de Mãe Bernadete continua sendo um símbolo da violência sofrida pelas defensoras quilombolas. “O Cafuné é muito mais do que um filme. É um retrato das dificuldades enfrentadas pelos quilombos.”

Ao final da atividade, ficou evidente que o cuidado deixou de ser entendido apenas como uma dimensão individual e passou a ser tratado como estratégia política de resistência.

Os apoiadores dessa iniciativa são: Bem-Te-Vi Diversidades, Embaixada da Espanha, Cooperación Española,  Embaixada da França, Grassroots e Global Witness. 

Três décadas de luta coletiva

Foto: João Vitor Tavares/CONAQ

 

O segundo dia foi dedicado à celebração dos 30 anos da CONAQ. Lideranças históricas revisitaram a trajetória da organização, relembrando os desafios enfrentados para construir uma articulação nacional capaz de representar milhares de comunidades quilombolas.

Joana Maria, filha de Nêgo Bispo, emocionou as participantes ao falar sobre o legado deixado por seu pai. “Meu pai dizia que o conhecimento só faz sentido quando volta para o quilombo.”

Rosalina lembrou os tempos em que as lideranças viajavam sem recursos, dormiam em rodoviárias e enfrentavam enormes dificuldades para garantir a participação política das comunidades. “Quem está colhendo hoje precisa se perguntar quem plantou.”

Florisvaldo Rodrigues (coordenador executivo) destacou o protagonismo das mulheres ao longo da história da organização. “As mulheres sempre estiveram na linha de frente da luta.”

Ao longo da atividade, ficou evidente que a história da CONAQ é resultado da persistência de milhares de pessoas que recusaram o apagamento e transformaram resistência em organização política.

O enfrentamento a crise climática

Foto: João Vitor Tavares/CONAQ

 

O lançamento do livro “Vozes Quilombolas: Mulheres em Defesa do Clima” foi um dos pontos altos do encontro. Construída por cerca de 100 mulheres quilombolas, a publicação reúne reflexões, experiências e propostas elaboradas a partir dos próprios territórios.

A obra denuncia os impactos das mudanças climáticas, mas também apresenta soluções construídas pelas comunidades para enfrentar secas, queimadas, insegurança alimentar e conflitos fundiários. “Nossa história não pode continuar sendo contada por terceiros”, afirmou a jovem paraense Micele do Espírito Santo.

Em seguida, a engenheira agrônoma Fran Paula e uma das envolvidas em todo o processo reforçou: “Mostramos que não somos apenas vítimas da crise climática. Somos produtoras de soluções.” 

O lançamento consolidou a presença das mulheres quilombolas como protagonistas do debate climático nacional e internacional. E só foi possível graças ao apoio do Fundo Casa Socioambiental, WWF, FUNTEC, IFG e o Ministério das Mulheres. 

Confluências afrodiaspóricas atravessam continentes

Foto: João Vitor Tavares/CONAQ

 

Representantes do Equador, Colômbia, Honduras, Peru, Quênia, Suriname, Trinidad e Tobago e Uruguai participaram da mesa internacional do encontro. As lideranças compartilharam experiências relacionadas à defesa territorial, combate ao racismo ambiental e fortalecimento das identidades afrodescendentes.

Uma das falas mais marcantes veio da ativista Akilah Jaramogi. “Plantamos mais de 200 mil árvores porque cuidar da terra é cuidar da vida.” Os relatos demonstraram que, apesar das diferenças geográficas, as comunidades negras enfrentam desafios semelhantes em diferentes partes do mundo.

Reparação histórica ganha forma

 

Foto: João Vitor Tavares/CONAQ

A noite do segundo dia (11) entrou para a história do movimento. Recebido sob aplausos, cantos, tambores e palavras de ordem entoadas por centenas de mulheres quilombolas, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou de uma agenda especial ao lado da primeira-dama Janja Lula da Silva, das ministras Márcia Lopes, Margareth Menezes, Raquel Barros e Fernanda Machiaveli e o presidente do Incra César Aldrighi.

Durante a cerimônia, o governo federal anunciou medidas voltadas ao fortalecimento dos direitos territoriais quilombolas, reafirmando uma das principais reivindicações históricas defendidas pela CONAQ ao longo de seus 30 anos de existência.

Foram entregues 18 títulos para nove comunidades quilombolas, beneficiando cerca de 1.780 famílias em diferentes regiões do país. Entre os territórios contemplados estavam Kalunga, em Goiás; Kalunga do Mimoso, no Tocantins; Invernada dos Negros, em Santa Catarina; Mel da Pedreira, no Amapá; Nova Batalhinha, na Bahia; Charco/Juçaral, Mata de São Benedito e Piqui/Santa Maria dos Pretos, no Maranhão.

Além dos títulos, Lula assinou decretos de desapropriação de interesse social para fins de titulação de territórios quilombolas, contemplando as comunidades Brejo dos Crioulos, em Minas Gerais; Arvinha, no Paraná; Mormaça, no Rio Grande do Sul; Lagoa dos Campinhos, em Sergipe; São José da Serra, no Rio de Janeiro; e Pé do Morro, na Bahia. Os decretos representam uma etapa fundamental para a regularização fundiária dessas comunidades e para a garantia da permanência das famílias em seus territórios tradicionais.

A ministra do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Fernanda Machiaveli, destacou que a regularização fundiária permanece como uma prioridade do governo federal. “Sabemos que ainda há muito a fazer, mas seguimos avançando na garantia dos direitos territoriais das comunidades quilombolas.”

Márcia Lopes, ministra das Mulheres, reforçou a conexão entre território, justiça racial e democracia. “Não há democracia sem reparação histórica. Não há justiça climática sem território.”

Ao tomar a palavra, Lula lembrou que a abolição da escravidão não foi acompanhada por políticas de inclusão capazes de garantir terra, renda e cidadania à população negra. “A reparação histórica é uma tarefa urgente.”

Em um dos momentos mais marcantes da noite, o presidente dirigiu-se diretamente às mulheres quilombolas e destacou a importância da ocupação dos espaços de poder. “Não é o Lula que tem que ser eleito. É vocês que têm que ser eleitas.”

A fala foi recebida com entusiasmo pelas participantes e sintetizou uma das mensagens centrais do encontro: a necessidade de ampliar a presença das mulheres quilombolas nos espaços institucionais, nos parlamentos, nos governos e nos processos de tomada de decisão.

Entre lágrimas, abraços e celebrações, muitas lideranças lembraram que cada título e cada decreto anunciados carregam décadas de mobilização, resistência e organização coletiva. Para as mulheres presentes, aqueles documentos representavam muito mais do que atos administrativos. Eram o reconhecimento de histórias construídas por gerações que se recusaram a abandonar seus territórios e que seguem transformando luta em conquista.

Uma liderança que permanece presente

A abertura da exposição fotográfica “Mãe Bernadete: Mulheres Quilombolas Defensoras de Direitos Humanos e Ambientais na Luta pela Proteção Territorial” reuniu Nathalia Purificação, Edna Paixão, Ivone Mattos, Maria José, Ingrid Oliveira e Ana Lúcia Pinto.

As imagens apresentaram trajetórias de mulheres que dedicaram suas vidas à defesa dos territórios, dos direitos humanos e da preservação ambiental.

No centro da exposição estava a figura de Mãe Bernadete Pacífico, transformada em símbolo nacional da resistência quilombola. Cada fotografia reafirmava uma mensagem: apesar das tentativas de silenciamento, suas ideias permanecem vivas.

Amazônia quilombola revela sua dimensão

O quarto dia trouxe dados inéditos do projeto Amazônia Quilombola, desenvolvido pelo Instituto Socioambiental (ISA) em parceria com a CONAQ. Milene Maia apresentou informações que revelam a dimensão dos territórios quilombolas amazônicos.

Segundo o levantamento, foram identificados aproximadamente 3,6 milhões de hectares de territórios quilombolas, distribuídos em 632 territórios.

Os dados mostram que a maioria dessas áreas ainda não possui titulação definitiva. “Nós somos a solução para a mudança climática”, afirmaram participantes dos grupos de trabalho.

Não viemos do armário, viemos dos quilombos

Uma das atividades mais emocionantes do encontro foi a gira protagonizada pelo coletivo LGBTQIAPN+ da CONAQ. Logo no início, uma frase ecoou por todo o auditório. “Nós não saímos do armário, nós viemos dos quilombos.”

A intervenção destacou que as existências LGBTQIAPN+ sempre estiveram presentes nos territórios quilombolas e que a luta pelo direito de existir está diretamente relacionada à luta pela terra.

As participantes denunciaram a LGBTfobia, o machismo e as violências estruturais, mas também reafirmaram a potência da diversidade dentro das comunidades.

Mães atípicas transformam dor em luta coletiva

Outro momento profundamente emocionante foi a Gira de Mães Atípicas. Pela primeira vez, o tema ocupou espaço central em um encontro nacional da CONAQ. As participantes compartilharam relatos sobre maternidade, deficiência, autismo, acesso à saúde e ausência de políticas públicas.

Histórias de abandono, sobrecarga e resistência emocionaram o público. Uma das falas sintetizou o sentimento coletivo: “Ouçam uma mãe atípica.” Ao final, foi proposta a criação de um núcleo nacional de mães atípicas dentro da CONAQ.

Feira quilombola celebra autonomia econômica

O espaço do encontro ganhou ainda mais destaque com inúmeras produções dos territórios. A Feira Quilombola João Antônio Pereira evidenciou o artesanato, alimentos tradicionais, fitoterápicos, sementes crioulas, cosméticos naturais e produtos da sociobioeconomia  e a vasta diversidade das iniciativas lideradas por mulheres quilombolas.

Mais do que comercialização, a feira que foi apoiada apela Fundação RTVE, a UFG, Alimento no Prato, o Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar, Ministério das Mulheres, Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Goiás e Fundação de Desenvolvimento Tecnópolis – FUNTEC representou autonomia econômica, valorização cultural e fortalecimento dos modos de vida tradicionais.

Saberes ancestrais apontam caminhos para o futuro

Entre os quitungos de trabalho estava o de homenagem a Arlindo Brito focado na produção, renda e autonomia na bioeconomia e agricultura quilombola. As discussões mostraram que os conhecimentos transmitidos por gerações continuam sendo fundamentais para enfrentar as mudanças climáticas e garantir segurança alimentar.

As participantes defenderam políticas públicas voltadas ao fortalecimento da bioeconomia quilombola e à valorização dos sistemas tradicionais de produção. Algo evidenciado atualmente pelo projeto Atlas Sociobioecononia quilombola da Amazônia, cujos agentes territoriais de estados como Maranhão e Amapá e a coordenadora Laura Silva estiveram presentes.

Manter a esperança continua sendo necessário

O lançamento do livro “Esperançar é Preciso: Práticas da Advocacia Popular Quilombola” reforçou a importância do direito como ferramenta de defesa coletiva. 

A CONAQ, o seu Coletivo Jurídico Joãozinho do Mangal, a Negra Anastácia, o Observatório Fundiário Goiano –  OFUNGO e a UFG apoiaram essa publicação que apresenta experiências de advocacia popular construídas a partir das necessidades concretas dos territórios. Além disso,  demonstra que a luta jurídica também é parte da luta pela permanência.

Vidas interrompidas seguem inspirando resistência

O lançamento do livro “Vidas Interrompidas”, produzido e/ou escrito no âmbito do projeto Resistência Quilombola, realizado pela CONAQ em parceria com a Cooperação para o Desenvolvimento em Países Emergentes – COSPE e co financiado pela União Européia, trouxe para o centro do debate a violência sofrida por defensoras e defensores de direitos humanos.

Ao mesmo tempo em que denunciou assassinatos, perseguições e ameaças, a atividade reafirmou que a memória dessas lideranças continua inspirando novas gerações.

O momento ainda contou com a re-exibição do documentário que carrega o mesmo título do estudo e possibilita, através do audiovisual, denunciar as violações de direitos dentro dos territórios quilombolas. 

Carta política aponta caminhos para o futuro

Ao longo do encontro, os 15 Quitungos de Trabalho construíram propostas sobre saúde, educação, juventude, envelhecimento, bioeconomia, titulação, participação política, enfrentamento às violências, clima, financiamento e direitos humanos.

Essas contribuições serviram de base para a elaboração da carta política final entregue ao Estado brasileiro. Mais do que reivindicações, o documento expressa um projeto de país construído a partir dos territórios quilombolas.

E, é claro que é preciso ressaltar também a presença do Quilombinho, espaço dedicado às crianças que garantiu acolhimento, cuidado, aprendizado e valorização da identidade quilombola durante toda a programação. Com atividades lúdicas, culturais e educativas, o Quilombinho reafirmou a importância de envolver as novas gerações na preservação da memória, da ancestralidade e dos saberes tradicionais, fortalecendo desde cedo o sentimento de pertencimento aos territórios e à luta coletiva. 

Outro ponto de destaque e que chamaram bastante atenção foram os quitungos de trabalho. A palavra que possui um significado marcante é desconhecida por boa parte dos quilombolas de acordo com  a articuladora política e coordenadora do coletivo de Mulheres da CONAQ, Selma Dealdina Mbaye. “Quitungo é uma palavra africana que significa casa de fazer farinha. A gente tentou, além de africanizar, também aquilombar os termos que sempre usamos. Por isso, em vez de grupos de trabalho, criamos os Quitungos de Trabalho”. 

O Brasil almejado já está sendo construído

Ao final dos cinco dias, o sentimento compartilhado foi o de fortalecimento. O III Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas mostrou que elas não apenas resistem. Elas produzem conhecimento. Defendem a democracia.Preservam florestas. Enfrentam a crise climática. Formam lideranças. Cuidam da memória coletiva. Transformam dor em organização. E seguem construindo, todos os dias, alternativas concretas para um país mais justo.

Entre lágrimas, abraços, cantos, denúncias e celebrações, uma certeza permaneceu viva até o encerramento: “Somos começo, meio e começo.” E é justamente dessa capacidade de recomeçar que nasce a força que move os quilombos e transforma o país.

A realização do III Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas só foi possível graças ao compromisso, à parceria e ao apoio de organizações, instituições, coletivos, movimentos e órgãos públicos que acreditam na força das mulheres quilombolas e na construção de um futuro pautado pela democracia, reparação, justiça climática e defesa dos territórios. 

A CONAQ e o Coletivo de Mulheres da CONAQ agradecem, de forma especial, à AECID; Alimento no Prato; Associação Nacional de Quilombos Negra Anastácia; Bem-Te-Vi; Central do Cerrado Produtos Ecossociais; CESE; Coletivo de Comunicação da CONAQ; Coletivo de Educação da CONAQ; Coletivo de Juventude Quilombola da CONAQ; Coletivo Jurídico da CONAQ Joãozinho do Mangal; Conexão Povos da Floresta; COSPE; Embaixada da Espanha e Uruguai; Embaixada da França no Brasil; Escola Nacional de Formação de Meninas Quilombolas; FIOCRUZ – Fundação Oswaldo Cruz Brasília; Fundo Casa Socioambiental; Fundo Quilombola Mizzi Dudu; FUNCERN; FUNTEC; Global Witness; Grassroots International; GT de Meio Ambiente da CONAQ; GT Povos de Terreiros da CONAQ; Ibirapitanga; Instituto Federal de Goiás; Instituto Federal do Rio Grande do Norte; Instituto Socioambiental; Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar; Ministério da Igualdade Racial; Ministério das Mulheres; Ministério da Saúde; Mokambo Fundo Territorial; Rádio Nacional dos Povos; RTVE; Secretaria Nacional LGBTQIA+; Tenure Facility; Thousand Currents; Universidade Federal da Fronteira Sul; UFG; WWF; Coletivo Nacional de Saúde Graça Epifânio e à própria CONAQ, cuja atuação coletiva fortalece diariamente a luta, a organização e a resistência dos povos quilombolas em todo o Brasil. Juntas e juntos, reafirmamos que nenhum passo é dado sozinho e que a construção do bem viver acontece pela força da solidariedade, da ancestralidade e do compromisso compartilhado com a justiça social.