Notícias

12 de junho de 2026

Quitungos de Trabalho aprofundam debates sobre direitos, território e autonomia no terceiro dia do III Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas da CONAQ

Participantes se dividiram em grupos temáticos para construir propostas coletivas sobre proteção territorial, saúde, democracia, bioeconomia, direitos humanos e fortalecimento das mulheres quilombolas.

O terceiro dia do III Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas da CONAQ foi marcado pela construção coletiva de propostas e pelo aprofundamento dos debates sobre os principais desafios enfrentados pelas comunidades quilombolas em todo o Brasil. Reunidas em Brasília (DF), centenas de mulheres participaram dos Quitungos de Trabalho, espaços temáticos criados para promover reflexões, trocas de experiências e a formulação de estratégias de incidência política.

A programação do dia começou com uma mística conduzida pelas delegações das regiões Norte e Sul do país. Por meio de cantos, símbolos, religiosidades e referências à ancestralidade, as participantes celebraram a força das mulheres quilombolas e reafirmaram o compromisso coletivo com a defesa dos territórios, da memória e da vida.

Ao longo da manhã, as participantes se dividiram em diferentes grupos de discussão, que abordaram temas centrais para a agenda política do movimento quilombola. Os Quitungos de Trabalho foram organizados em homenagem a lideranças quilombolas e tiveram como foco os seguintes temas:

  • Elitânia de Souza: Água, semente e saber: mulheres quilombolas e o PNGTAQ na defesa do corpo-território.
  • Isabel Cristina Genelice: Mulheres quilombolas no enfrentamento às violações de direitos, à violência agrária, de gênero e doméstica.
  • Hildima Ramos: Amazônia Quilombola.
  • Arlindo Brito: Rede de Mulheres Afro-diaspóricas fortalecendo a luta internacional.
  • Nêgo Bispo: Cuidado coletivo é território sadio: saúde quilombola é cura, é farmácia, é cuidado.
  • Rosa Dealdina: Fundos Quilombolas: autonomia e protagonismo das mulheres quilombolas.
  • Joãozinho de Mangal: Defender a vida das mulheres é defender o território.
  • Arlindo Brito: Saberes ancestrais: produção, renda e autonomia na bioeconomia e agricultura quilombola.
  • Hildima Ramos: Não tem democracia sem mulheres quilombolas no pleito eleitoral, quilomb livre é com mulheres decidindo
  • Justino Campos: Mulheres quilombolas: titulação é parir territórios livres.
  • Isabel Cristina Genelice: ODS 18 e as mulheres quilombolas.
  • Joãozinho de Mangal: A nossa CASA: projetos apoiados pelo Fundo Casa Socioambiental.
  • Quitungo Rosa Dealdina: Mulheres Quilombolas envelhecentes: sem nós não tem título, somos oralidade e biblioteca viva.
  • Quitungo Elitânia de Souza: Mulheres Jovens quilombolas: pé na ancestralidade, mão na tecnologia e voz na luta. 
  • Quitungo Nego Bispo: Pedagogia Quilombola: do barro, da luta, da ancestralidade para aquilombar o futuro.

Os grupos funcionaram como espaços de escuta, articulação e construção de propostas. Durante as atividades, as participantes compartilharam experiências de seus territórios, identificaram desafios comuns e formularam estratégias voltadas ao fortalecimento das comunidades quilombolas em todo o país.

Na parte da tarde, os resultados das discussões foram sistematizados e apresentados em plenária. O momento permitiu que todas as participantes conhecessem as reflexões produzidas nos diferentes grupos, fortalecendo a construção coletiva de encaminhamentos e estratégias para o movimento quilombola.

Mulheres quilombolas no censo demográfico

 

Entre os destaques da programação esteve a apresentação de dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) sobre as mulheres quilombolas no Brasil, conduzida por Marta, representante do instituto. A exposição trouxe informações sobre perfil demográfico, condições de vida e acesso a direitos, contribuindo para qualificar os debates realizados ao longo do encontro. A apresentação reforçou a importância da produção de dados oficiais para dar visibilidade à realidade das comunidades quilombolas e subsidiar a formulação de políticas públicas voltadas às mulheres negras rurais.

A programação também contou com momentos de diálogo com organizações e instituições parceiras da CONAQ e com a exibição de um minidocumentário produzido pelo Coletivo de Comunicação durante o encontro, reunindo depoimentos de mulheres quilombolas de diferentes regiões do Brasil sobre a alegria e a importância de participar do III Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas.

O dia foi encerrado com a exibição de vídeos de Givânia Silva e Kátia Penha, lideranças quilombolas que reforçaram mensagens de fortalecimento, resistência e continuidade da luta pelos direitos dos povos quilombolas.

Mulheres fortalecidas

Luciana Gonçalves é do MT e participa do III Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas da CONAQ

Luciana Gonçalves Santana, do Quilombo Carretão, em Poconé (MT), acompanhou as discussões e destacou a importância do encontro para o fortalecimento das mulheres quilombolas. “Tem sido dias muito importantes para o fortalecimento das mulheres quilombolas. Além das plenárias, estamos conversando, nos divertindo e dialogando umas com as outras sobre as nossas vivências e sobre a realidade dos nossos territórios”, afirmou.

Durante todo o dia, a Feira Quilombola permaneceu aberta ao público, reunindo expositoras de diversas regiões do país. Artesanatos, alimentos, cosméticos naturais, roupas e outros produtos produzidos nos territórios quilombolas foram apresentados e comercializados pelas participantes. Mais do que um espaço de geração de renda, a feira reafirma a riqueza dos saberes ancestrais, das tecnologias tradicionais e da produção coletiva desenvolvida nas comunidades.

Com debates, trocas de experiências e fortalecimento coletivo, o terceiro dia do III Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas representou um importante momento de construção política e reafirmou o protagonismo das mulheres quilombolas na defesa dos territórios, dos direitos e do futuro do Brasil.