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8 de julho de 2026

ODS 7: CONAQ defende na ONU uma transição energética justa para os povos quilombolas

Em Nova York, o movimento leva ao debate internacional a defesa de um modelo que respeite direitos, territórios e a participação das comunidades nas decisões sobre o futuro climático.

Ainda na última terça (7), mas desta vez no período vespertino a delegação da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) participou do Evento Oficial da Plenária do Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 7 – Energia Limpa e Acessível, realizado na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York.

O encontro reuniu governos, organismos internacionais e representantes da sociedade civil para discutir caminhos para ampliar o acesso à energia de forma sustentável e acelerar a transição energética no âmbito da Agenda 2030. No entanto, é preciso enfatizar que para o movimento esse debate só pode ser considerado completo quando incorpora a realidade dos territórios quilombolas e reconhece o papel estratégico das comunidades tradicionais na proteção da biodiversidade e no enfrentamento da crise climática.

Enquanto o mundo discute o futuro da energia, milhares de comunidades quilombolas ainda convivem com desigualdades históricas no acesso a serviços essenciais e, ao mesmo tempo, enfrentam grandes empreendimentos energéticos que impactam seus modos de vida sem garantir consulta, participação efetiva ou repartição justa dos benefícios.

Reivindicação de lugar nas decisões

A participação da CONAQ na plenária também fortalece a incidência política das mulheres quilombolas, que levam à ONU publicações sobre clima e reafirmam que a justiça climática passa, necessariamente, pelo reconhecimento de seus saberes e protagonismo.

São elas que diariamente cuidam da terra, da água, da produção de alimentos e da preservação dos bens comuns, mesmo estando entre as populações mais afetadas pelos impactos das mudanças climáticas e, frequentemente, excluídas dos espaços onde são definidas as políticas de transição energética.

Para o movimento, não é possível construir soluções sustentáveis sem ouvir quem há séculos protege os territórios e mantém práticas fundamentais para a conservação ambiental. “Quem sustenta o território não pode ficar de fora da mesa onde se decide o futuro dele.”

A incidência internacional também dialoga com a publicação produzida pelo Coletivo Jurídico da CONAQ, lançada em março de 2026, que analisa os desafios relacionados ao acesso à energia nas comunidades quilombolas brasileiras e evidencia a necessidade de políticas públicas que garantam uma transição energética baseada em direitos, participação social e justiça socioambiental.

Clique aqui para acessar a publicação “O contexto do acesso à energia em comunidades quilombolas no Brasil”, elaborada pelo Coletivo Jurídico da CONAQ, e conheça a análise sobre os desafios do acesso à energia, os impactos da transição energética nos territórios quilombolas e as recomendações para garantir uma política energética construída com participação, direitos e justiça climática.