10 de junho de 2026
Maju Coutinho reforça a visibilidade das mulheres quilombolas e emociona participantes em lll Encontro nacional da CONAQ
Presença da jornalista no III Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas fortaleceu o debate sobre representatividade, reconhecimento dos territórios e valorização das narrativas construídas pelas próprias comunidades.
Um dos momentos mais marcantes do primeiro dia do III Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas foi sem dúvida a participação da jornalista Maju Coutinho. No evento promovido pela CONAQ, em Brasília, a apresentadora foi recebida com aplausos, cantos e demonstrações de afeto. Em seguida, ela integrou uma Gira, roda de conversa que reuniu lideranças, jovens ativistas e defensoras dos direitos humanos para refletir sobre ancestralidade, identidade negra, comunicação e transformação social.
A atividade ocorreu em um momento histórico para o movimento quilombola. Além de reunir cerca de 700 participantes vindas de diversas regiões do Brasil, a programação celebra os 30 anos do movimento, organização que se consolidou como uma das principais referências na defesa dos direitos das comunidades quilombolas. Ao longo do encontro, mulheres de diferentes gerações compartilharam experiências, desafios e conquistas acumuladas em décadas de mobilização coletiva.
A chegada de Maju ao auditório foi cercada de emoção. Para muitas presentes, sua trajetória representa a quebra de barreiras historicamente impostas à população negra e evidencia a importância de ocupar espaços de destaque na mídia brasileira. A presença da jornalista também simbolizou o reconhecimento da luta travada diariamente pelas comunidades tradicionais em defesa de seus modos de vida, de suas culturas e de seus territórios.
Durante a abertura da conversa, a coordenadora nacional e do coletivo de mulheres da CONAQ, Cida Sousa, destacou o significado daquele momento para as participantes. “O sonho de receber Maju Coutinho ficará guardado na memória de cada mulher presente”, afirmou.
A declaração foi recebida com entusiasmo pelo público e refletiu o sentimento de muitas lideranças que acompanham a trajetória da apresentadora e reconhecem sua relevância na ampliação da presença negra nos meios de comunicação.
Narrativas que valorizam a vida quilombola

Foto: João Vitor Tavares/CONAQ
Um dos principais temas debatidos na atividade foi a necessidade de ampliar a forma como os quilombos são retratados na sociedade brasileira. As participantes ressaltaram que, frequentemente, as comunidades aparecem no noticiário apenas em situações de conflito, violência ou violações de direitos, enquanto suas contribuições culturais, sociais e ambientais permanecem invisibilizadas.
Ao abordar essa questão, Maju destacou a importância de construir narrativas que reconheçam a pluralidade das vivências quilombolas. “Eu quero que os quilombolas sejam vistos para além da dor”, afirmou.
A fala encontrou eco entre as participantes, que reforçaram a necessidade de apresentar ao país a riqueza dos saberes tradicionais, a força das mulheres na organização comunitária, a produção agrícola, a preservação ambiental e os processos de resistência que atravessam gerações.
Para as lideranças presentes, reconhecer os quilombos apenas pelos conflitos enfrentados significa ignorar a potência existente nesses espaços, onde a coletividade, a ancestralidade e o cuidado seguem orientando a construção de alternativas para o presente e para o futuro.
Caminhos construídos coletivamente

Foto: João Vitor Tavares/CONAQ
Ao compartilhar aspectos de sua própria trajetória, Maju ressaltou que nenhuma conquista acontece de forma isolada e destacou a importância das redes de apoio que possibilitam a ocupação de novos espaços. “Se eu estou onde estou, é porque tenho essas pessoas lindas apoiando o meu trabalho”, declarou.
A mensagem dialogou diretamente com os debates do encontro, que colocam a coletividade como elemento central da experiência quilombola. Ao longo do dia, diversas lideranças lembraram que as conquistas alcançadas pelo movimento são resultado do trabalho conjunto de mulheres e homens que dedicaram suas vidas à defesa dos direitos das comunidades negras rurais.
Esse compromisso com a construção coletiva também apareceu nas falas que relembraram a trajetória da CONAQ. Participantes destacaram que a organização se fortaleceu graças ao esforço de gerações que transformaram desafios em mobilização política e abriram caminhos para que novas lideranças pudessem ocupar espaços estratégicos.
Território como espaço de existência

Foto: João Vitor Tavares/CONAQ
Outro momento que marcou a conversa foi a reflexão de Maju sobre o significado dos quilombos na sociedade brasileira. “Um quilombo é um lugar de luta enquanto se luta”, afirmou.
A declaração sintetizou um dos entendimentos mais presentes durante o encontro: a defesa dos territórios não se restringe à garantia da posse da terra, mas envolve a preservação da memória, dos conhecimentos ancestrais, da biodiversidade e das formas próprias de organização comunitária.
Ao longo das atividades, lideranças lembraram que proteger esses espaços significa assegurar condições para que futuras gerações continuem vivendo de acordo com seus costumes e tradições. Nesse sentido, a luta pela titulação dos territórios permanece como uma das principais bandeiras do movimento quilombola.
Aliança em favor da causa quilombola

Foto: João Vitor Tavares/CONAQ
Em um dos momentos mais simbólicos da programação, a coordenadora Bia Nunes agradeceu o empenho da jornalista em participar do encontro e ressaltou sua sensibilidade diante das pautas defendidas pelas comunidades. “Você é uma aliada perfeita para ajudar a levar a luta quilombola adiante”, declarou.
Na sequência, Bia fez um convite público para que Maju Coutinho se tornasse embaixadora das mulheres quilombolas, gesto que foi recebido com entusiasmo pelas participantes. A iniciativa representou o desejo de ampliar parcerias capazes de fortalecer a incidência política e ampliar o alcance das demandas apresentadas pelas comunidades.
Mais do que uma participação especial, a presença da jornalista tornou-se símbolo da importância de aproximar comunicação e movimentos sociais na construção de uma sociedade mais justa. Em um encontro marcado pela celebração dos 30 anos da CONAQ, sua fala reforçou a necessidade de reconhecer os quilombos como espaços de produção de conhecimento, cuidado, resistência e futuro, reafirmando que suas histórias merecem ocupar o centro do debate público.
Texto por Thaís Rodrigues/CONAQ , publicado às 20:08:22
Categoria: Mulheres Quilombolas