27 de julho de 2026
Iniciativas do Coletivo de Educação da CONAQ são apresentadas em encontro internacional na Colômbia
Escola Nacional de Formação de Meninas Quilombolas e Rede de Pesquisadoras da CONAQ apresentaram experiências que fortalecem a educação e a produção de conhecimento nas comunidades quilombolas brasileiras
A Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), por meio do seu Coletivo Nacional de Educação, marcou presença no IV Encuentro Continental en Estudios Afrolatinoamericanos de ALARI, realizado em Cali, na Colômbia entre os dias 22 e 24 de julho. O Coletivo levou ao debate internacional importantes iniciativas de fortalecimento da educação quilombola no Brasil: a Escola Nacional de Formação de Meninas Quilombolas e a Rede de Confluência de Pesquisadoras e Pesquisadores Quilombolas da CONAQ.
Cleane Silva, Letícia Queiroz, Vanessa Rocha e Shirley Pimentel participaram de uma mesa dedicada à apresentação da Escola Nacional, compartilhando sua construção coletiva e os caminhos que vêm transformando a vida de meninas quilombolas de diferentes territórios do país. A apresentação abordou a pedagogia do projeto, os processos de gestão e o papel estratégico da comunicação como ferramenta de fortalecimento político, formação e mobilização.
Durante o encontro, as representantes apresentaram os resultados da Escola Nacional, evidenciando o protagonismo das meninas quilombolas na defesa da educação, dos direitos, dos territórios e de suas identidades. Também compartilharam como as e os estudantes vêm ampliando sua participação em espaços nacionais, ocupando universidades e em grandes eventos, como conferências, fóruns, encontros e audiências públicas.
Letícia Queiroz, jornalista responsável pela comunicação das iniciativas, afirmou na mesa que o projeto tem fortalecido meninas, suas famílias e comunidades. Na mesa, destacou o papel da comunicação como instrumento de resistência e transformação.
“Compartilhei com o público que a comunicação é uma ferramenta importante para as meninas e meninos quilombolas e para as suas comunidades. Ao longo da formação, elas desenvolvem habilidades para comunicar sobre pautas importantes, sobre seus próprios territórios, para combater violações, registrar memórias e ampliar a visibilidade das pautas quilombolas, somando na luta das comunidades. Elas se enxergam como comunicadoras, isso é importante demais para a luta dos quilombos”, disse a jornalista Letícia Queiroz.
Vanessa Rocha afirma que ter a oportunidade de apresentar um projeto tão potente no encontro demonstra a grandeza e a importância de valorizar as iniciativas de fortalecimento científico acadêmico de experiências, pesquisas e vivências afro-latina americanas.

“Aquilombamos no Alari com o propósito de dar visibilidade ao trabalho do Coletivo Nacional de Educação da CONAQ e levar as vozes de nossas meninas quilombolas que estão engajadas nesse processo contínuo de formação política para liderança em seus territórios, assim como disse Nêgo Bispo, ‘somos começo, meio e começo’, a Escola Nacional de Formação de Meninas Quilombolas da CONAQ representa essa circularidade que não finda”, disse.
A Rede de Confluências de Pesquisadoras e Pesquisadores Quilombolas da CONAQ também foi apresentada no encontro internacional. “Evidenciamos uma pesquisa conduzida por quilombolas para diagnosticar a realidade da educação em seus territórios e disputar, a partir de dados produzidos pelas próprias comunidades, os rumos da política pública, reafirmando o princípio de que o quilombo é sujeito, e não apenas objeto, da produção de conhecimento”, disse Shirley Pimentel, coordenadora da Rede.
Cleane Silva, que faz parte da Coordenação do Coletivo Nacional de Educação da CONAQ e levou ao público informações sobre gestão de projetos, informou que a participação do Coletivo no ALARI 2026 foi importante e significativa.
“É a primeira vez que o coletivo apresenta os trabalhos e as ações desenvolvidas no âmbito da garantia do direito à educação em um espaço internacional. Foi muito importante fortalecer narrativas e ampliar o debate em torno das comparações entre a gestão tradicional e a gestão de projetos construídos nos e a partir dos territórios. Para mim, em particular, foi muito importante apresentar a discussão sobre a gestão de projetos nacionais voltados para meninas quilombolas. Considero que o financiamento de projetos para quilombolas deve ser fortalecido”, afirmou Cleane.
As representantes do coletivo agradeceram à coordenadora do Coletivo, Givânia Maria da Silva, por seguir lutando para que mais meninas e meninos, professoreas/as, pesquisadoras/es, tenham a oportunidade de conhecer seus direitos e lutar pela garantia efetiva do cumprimento da legislação na educação e nos territórios quilombolas. (Veja abaixo mais informações sobre as iniciativas apresentadas)
Além das duas iniciativas do Coletivo de Educação da CONAQ, o IV Encuentro Continental en Estudios Afrolatinoamericanos de ALARI contou com a participação de outras lideranças, pesquisadoras e pesquisadores quilombolas brasileiros em diferentes mesas de debate, evidenciando a potência da produção de conhecimento construída a partir dos territórios. Foram elas:
- Epistemológias Quilombola no Ensino Superior: diálogos de saberes – Naita Aparecida Nunes de Lima
- Educação Escolar Quilombola: enfrentamento e superação do racismo epistêmico no município de Antônio Cardoso (BA) – Jocivaldo Bispo da Conceição dos Anjos
- Painel: Narratives contra-coloniais e Educação popular – Tema do trabalho:Semente de Quilombo: Epistemologia da etnomatemática na Educação Básica – Nome: Izabel Santos Pereira
A programação reuniu ainda apresentações culturais, momentos de troca entre movimentos sociais, universidades e organizações de diversos países, fortalecendo o diálogo entre experiências afrolatino-americanas e reafirmando a centralidade dos povos negros na produção de conhecimento, na defesa dos direitos e na construção de futuros mais justos.




Conheça mais sobre as iniciativas apresentadas no ALARI 2026
A Escola Nacional de Formação de Meninas Quilombolas é uma iniciativa inovadora da CONAQ no enfrentamento às desigualdades e ao racismo institucional na educação. Criada para transformar a realidade vivida por estudantes quilombolas e contribuir para a melhoria da qualidade da educação ofertada nos territórios, a Escola oferece um programa de formação complementar que fortalece o protagonismo de meninas quilombolas na luta por seus direitos, especialmente pelo acesso a uma educação escolar quilombola diferenciada e de qualidade. As atividades acontecem em formato virtual e presencial, promovendo encontros formativos em encontros e vivências nos territórios, com debates sobre identidade negra e quilombola, gênero, enfrentamento ao racismo e ao sexismo, modos de vida, defesa dos territórios, comunicação, incidência política e outros temas fundamentais para a formação de novas lideranças quilombolas.
A Rede de Confluência de Pesquisadoras e Pesquisadores Quilombolas da CONAQ é uma iniciativa do Coletivo Nacional de Educação criada para fortalecer o protagonismo quilombola na produção de conhecimentos e na construção de pesquisas comprometidas com as realidades dos territórios. Reunindo pesquisadoras e pesquisadores quilombolas de todo o país, a Rede articula estudos, intercâmbios e incidência política em torno de temas estratégicos para a garantia do direito à educação, como o mapeamento das escolas quilombolas, a implementação da Educação Escolar Quilombola, as condições de infraestrutura das unidades de ensino e o enfrentamento ao fechamento de escolas nos territórios. A iniciativa reafirma que a produção de dados e conhecimentos pelos próprios quilombolas é fundamental para subsidiar políticas públicas e fortalecer a luta por uma educação de qualidade, construída a partir das demandas e saberes das comunidades.

Texto por Letícia Queiroz, publicado às 17:31:57
Categoria: Educação Quilombola