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8 de junho de 2026

III Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas reúne mais de 500 lideranças em Brasília por Justiça Climática e Democracia

Marcando os 30 anos da CONAQ, o maior encontro de mulheres quilombolas do País lança plano emergencial de proteção a territórios com participações de autoridades e programação extensa de atividades.

BRASÍLIA, DF — Entre os dias 10 e 14 de junho, Brasília será a sede de uma das  maiores mobilizações de lideranças tradicionais do País: o III Encontro Nacional de  Mulheres Quilombolas da CONAQ. O evento traz como lema central “Mulheres  Quilombolas na defesa por justiça climática, por reparação e  democracia: somos o começo, o meio e o começo!”, uma afirmação da  ancestralidade e da continuidade histórica que regem a sobrevivência e a resistência  das comunidades negras rurais no Brasil. 

O encontro deste ano, realizado no Divino Paraíso, carrega um simbolismo histórico  e afetivo, pois marca as celebrações de 30 anos da Coordenação Nacional de  Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ). Durante cinco  dias, o Distrito Federal acolherá mais de 500 mulheres quilombolas vindas de 24  Estados brasileiros, além de delegações internacionais representando sete países. O  objetivo é unificar estratégias contra os impactos das mudanças climáticas nos  territórios tradicionais, combater as violências sistêmicas e ampliar a incidência  política das mulheres nas esferas nacionais e internacionais de poder. 

De acordo com a coordenadora do Coletivo de Mulheres e articuladora política da  CONAQ, Selma Dealdina Mbaye, a agenda será uma conexão direta com a diáspora e  com o continente africano, que recebe pela primeira vez representantes do Quênia e  do Senegal, além de delegações de países da América Latina e Caribe, como Peru,  Paraguai, Trinidad, Colômbia, Equador e Honduras. Para ela, o encontro é um  espaço de continuidade e honra àquelas que pavimentaram o caminho do movimento  quilombola. 

“É uma realização que carrega um simbolismo profundamente histórico e  emocional. Primeiro porque homenageamos a filosofia do Nêgo Bispo no lema do  evento: na nossa circularidade, nós somos começo, meio e começo! É também um  momento atravessado pela saudade e responsabilidade de dar continuidade ao  legado de cinco grandes companheiras que estiveram conosco no último encontro e  hoje são nossas ancestrais. Assumimos a missão de honrar a luta que elas  travaram em nível nacional e internacional. Além de conectar nossas pautas de  gênero, clima e defesa dos direitos humanos para que nenhuma liderança viva sob  ameaça, para que entendam que a nossa produção gera vida e que lutamos pela  titulação dos nossos territórios porque precisamos proteger nossos corpos e nossa 

história”. 

Lançamento do Plano Emergencial e Documentário ‘CAFUNÉ’ com Maju  Coutinho 

Um dos momentos de maior relevância política do encontro ocorrerá no dia 10 de  junho, com o lançamento do Plano Emergencial para Mulheres Ameaçadas em seus  Territórios e a exibição do documentário institucional “CAFUNÉ”. O plano responde  diretamente ao agravamento dos conflitos agrários e ambientais que vulnerabilizam  lideranças quilombolas femininas em todo o País. Mais do que um diagnóstico, a  iniciativa prevê desdobramentos práticos a curto prazo, incluindo a publicação de  uma cartilha pedagógica e a estruturação de formações integradas voltadas para a  articulação e incidência política dessas mulheres. 

Para somar voz e visibilidade a essa caminhada, o encontro contará com a  participação especial da jornalista Maju Coutinho. Ela será a principal convidada  para uma roda de conversa inspirada no formato do quadro “Mulher Fantástica”,  promovendo uma troca horizontal de vivências. A presença de Maju simboliza o  fortalecimento da representatividade negra e uma parceria de luta com as pautas  quilombolas, prestando tributo à inteligência, à força e aos saberes das mulheres que  lideram a proteção dos biomas brasileiros. 

Feira de Saberes e Práticas Tradicionais: bioeconomia, agricultura  quilombola e renda 

A salvaguarda da cultura e a autonomia financeira também ganham centralidade  com a realização da Feira de Saberes Tradicionais. O espaço reunirá cerca de 50  agricultoras familiares, raizeiras, benzedeiras e parteiras vindas de diferentes  realidades geográficas do Brasil, compartilhando e comercializando a diversidade  produtiva de seus territórios. 

A feira se diferencia da perspectiva apenas comercial, funcionando como um  termômetro da sociobiodiversidade nacional e um manifesto pela regularização  fundiária. A diversidade dos produtos reflete os diferentes biomas que as  comunidades protegem: desde o artesanato em capim dourado do Cerrado e as  bonecas de crochê, até a produção alimentar viva, como o marmelo, o licor, temperos  caseiros, chás fitoterápicos, sabonetes artesanais e variações únicas de farinhas  alimentares cujos modos de fazer guardam segredos seculares. 

“A CONAQ é um movimento misto, mas dentro dos territórios quem lidera a  produção são as mulheres. Seja na agricultura familiar, na medicina tradicional,  no artesanato ou na farinha, cada estado traz uma identidade única determinada  pelo seu bioma. Essa feira é o retrato vivo de por que lutamos pela regularização  dos nossos territórios: nós produzimos vida e sustentabilidade. Queremos mostrar  essa riqueza para quem não conhece os quilombos e, ao mesmo tempo, cobrar dos  governos políticas públicas de fomento e crédito produtivo, pois as mulheres ainda  enfrentam imensas barreiras para acessar esses recursos e escoar suas produções”, destaca Cida Souza, Coordenadora do Coletivo de Mulheres da CONAQ.

Moda, identidade e expressões visuais 

A celebração da identidade quilombola ganhará as passarelas do encontro. Um dos  grandes destaques da agenda será um desfile exclusivo idealizado e produzido por  Adda Victória Caetano, integrante do Coletivo de Mulheres da CONAQ. O momento  foi pensado para valorizar a beleza, a autoestima, a cultura e a riqueza ancestral das  mulheres quilombolas, apresentando figurinos que foram confeccionados e  produzidos exclusivamente para este evento. A iniciativa promete traduzir em cores,  texturas e tecidos a força da resistência e a identidade das mulheres que sustentam  os territórios em todo o País. 

Aliado a isso, ao longo de toda a programação, o público e os profissionais de  imprensa poderão acompanhar ensaios fotográficos temáticos e exibições exclusivas  de filmes com temas diversos, que jogam luz sobre o cotidiano, as memórias e as  expressões contemporâneas das comunidades quilombolas. 

Incidência política e diálogo institucional 

O III Encontro se consolidará também como um espaço de incidência institucional. A  programação contará com mesas de debate e grupos de trabalho compostos por  ministros de Estado, defensores públicos federais e outras autoridades do Governo  Federal, além de representantes de diversas embaixadas que apoiam iniciativas  conduzidas pela CONAQ. As lideranças apresentarão propostas integradas de  reparação histórica, governança climática territorial e combate à violência de gênero,  cobrando compromissos firmes dos três poderes da República em defesa da  preservação dos direitos quilombolas e o fortalecimento da democracia brasileira. 

(COLETIVA DE IMPRENSA): No dia 11 de junho, às 15 horas, no auditório  principal, a programação ganha um desdobramento estratégico durante o Quitungo  Literatura “Fátima Barros”. Sob o tema “Impactos das mudanças climáticas nos  territórios e na vida das mulheres quilombolas”, haverá o lançamento oficial da  publicação Vozes Quilombolas: mulheres em defesa do clima e, em seguida, haverá  entrevista coletiva com a imprensa. O espaço estará aberto para o acompanhamento  dos veículos de comunicação e registro dos posicionamentos das lideranças da  Executiva Nacional da CONAQ e autoridades presentes sobre a emergência climática  global. 

Evento: III Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas (30 anos da CONAQ); Data: 10 a 14 de junho de 2026; 

Local: Divino Paraíso (Via Tamanduá-Sentido Brasília/Goiânia) Entrada para Empraba  Hortaliça MD 01 06- Gama – Brasília, DF; 

Contatos para imprensa: (092) 99448-8279 Priscilla Peixoto/ (77) 99135-5942 Nathália Purificação. 

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