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13 de junho de 2026

III Encontro de Mulheres Quilombolas: desfile “Moda Afro Quilombola” uniu beleza, religiosidade e autocuidado

Quilombolas transformaram a passarela em um lugar de identidade e ancestralidade em Brasília.

Dos territórios quilombolas espalhados pelo Brasil à passarela do Divino Paraíso, o desfile “Moda Afro Quilombola”, realizado durante o III Encontro de Mulheres Quilombolas,  transformou o espaço em um palco de valorização da identidade negra. Por meio de formas, cores e movimentos, a apresentação evidenciou a força e a ancestralidade das mulheres quilombolas, reafirmando seus corpos e trajetórias como expressões vivas de cultura, pertencimento e luta.

Com a participação das mulheres e homens quilombolas, o evento organizado por Adda Victória Caetano, integrante do coletivo de mulheres da Conaq, aconteceu neste sábado (13) e transformou o encontro em um ambiente de expressão política, cultural e ancestral. Mais do que apresentar vestimentas, cada participante levou consigo histórias marcadas pela dedicação, pela preservação de tradições e pelo protagonismo feminino dentro dos quilombos. 

Autocuidado 

Foto: João Vitor Tavares/CONAQ

 

O desfile evidenciou o papel central das mulheres quilombolas como lideranças em seus territórios, reafirmando que suas trajetórias e saberes são também instrumentos de resistência e continuidade cultural. Mais do que estética, o desfile propôs uma análise acerca da valorização dos corpos de mulheres negras, reforçando o autocuidado como prática essencial. A iniciativa abre caminhos para uma reflexão mais ampla sobre identidade, pertencimento e o fortalecimento das comunidades tradicionais no cenário contemporâneo.

A moda afro quilombola é compreendida como um ato político onde há reconhecimento da pluralidade de mulheres negras, a luta contra o racismo e a manutenção da cultura passada de geração em geração onde o vestir carrega a resiliência de um povo. Para as mulheres quilombolas cada vestimenta é expressão viva de autonomia e orgulho ancestral. 

Religiosidade 

Foto: João Vitor Tavares/CONAQ

 

A força apresentada na passarela também dialoga com a espiritualidade. A estética se entrelaça com a religiosidade de matriz africana, reafirmando que identidade e fé caminham juntas no fortalecimento dos quilombos. Mais do que vestimentas, os trajes são símbolos vivos, carregados de significados e ancestralidade. Na Umbanda e no Candomblé, por exemplo, o vestir ultrapassa o visual: torna-se conexão espiritual. São roupas que orientam, protegem e expressam devoção verdadeiras guias de energia que traduzem pertencimento. Para Adda Victória Caetano organizadora do desfile:

“Este Encontro é um espaço para falar da representatividade dessas mulheres e dos homens que também estão fazendo parte desse momento de empoderamento, da cultura das ações de fortalecimento também da nossa identidade enquanto população quilombola”. 

Representatividade 

Foto: João Vitor Tavares/CONAQ

 

Nesse contexto de valorização e representatividade feminina trazida no desfile, as mulheres quilombolas se destacam como lideranças fundamentais, dentro e fora de seus territórios. São guardiãs das tradições, responsáveis por manter vivas festas, rituais e manifestações culturais que sustentam a identidade de seus povos.

A cada caminhar, o desfile Moda Afro Quilombola revelou que a verdadeira beleza das mulheres e dos homens quilombolas está naquilo que as(os) tornam únicas(os). A diversidade de corpos, histórias e identidades não apenas compõe, ela fortalece. O orgulho de ser quem é, rompe a estética e se afirma como resistência. É o mesmo corpo que cuida, que trabalha, que luta. O mesmo corpo que permanece em seu território, carregando consigo memória, determinação e ancestralidade.