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11 de junho de 2026

Exposição fotográfica homenageia Mãe Bernadete e destaca a luta de mulheres quilombolas defensoras de direitos humanos e ambientais

Mostra foi inaugurada durante o III Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas e reúne memória, resistência e defesa dos territórios tradicionais

Mulheres que dedicam suas vidas à defesa dos territórios quilombolas, dos direitos humanos e da preservação ambiental foram homenageadas na noite desta quarta-feira (10), com a abertura da exposição fotográfica “Mãe Bernadete: Mulheres Quilombolas Defensoras de Direitos Humanos e Ambientais, na luta pela proteção territorial”, realizada durante o III Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas da CONAQ – Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas.

A exposição apoiada pelo Instituto Federal do Goiás, pelo Ministério das Mulheres e Fundação de Desenvolvimento de Tecnópolis (Funtec) integra a programação do encontro, que reúne, até o dia 14 de junho, centenas de mulheres quilombolas de todas as regiões do país em um espaço de articulação política, fortalecimento comunitário, troca de experiências e construção de estratégias coletivas para o enfrentamento das desigualdades raciais, de gênero e climáticas.

A mostra presta homenagem à ialorixá e liderança quilombola Maria Bernadete Pacífico, a Mãe Bernadete, assassinada em 2023 na Bahia, e simboliza a resistência de tantas outras mulheres que seguem na linha de frente da defesa de seus territórios, comunidades e modos de vida tradicionais.

A cerimônia de abertura contou com a participação de Nathalia Purificação, coordenadora do Coletivo de Comunicação da CONAQ. 

Mulheres, fotografias e autoestima

Foto: Letícia Queiroz/CONAQ

“Toda a identidade visual foi pensada a partir da imagem de Mãe Bernadete, que nós fizemos. A curadoria das fotos é nossa. Do nosso arquivo. O Coletivo de Mulheres incentiva a produção de fotografias. Todas as vezes que a gente faz um encontro e se dispõe a fazer qualquer reunião, a gente faz também um ensaio fotográfico. As mulheres chamam o Coletivo de Comunicação. E é um afago. Um abraço. E muitas mulheres não têm costume de fazer fotos profissionais. E ele é feito nesse exercício da nossa auto estima, do amor e cafuné”, disse. 

Para além de fotos artísticas, a exposição conta com fotografias de momentos espontâneos, de reuniões e encontros, em que mulheres quiseram eternizar momentos juntas. 

“Todos os registros que nós estamos fazendo aqui podem estar, em outro momento, em uma outra exposição. Nós valorizamos esses momentos e todos esses registros. Aproveitem a exposição. Nela tem fotos mais antigas, imagens de quem já foi, de quem não está mais entre a gente e é muito especial mesmo”, disse Nathália. 

Ao reunir fotografias, histórias e trajetórias de resistência, a mostra reafirma uma das principais mensagens do III Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas: proteger as defensoras é proteger os territórios, a cultura, a ancestralidade e o futuro das comunidades quilombolas.

A exposição permanecerá aberta durante toda a programação do encontro, servindo como espaço de memória, reconhecimento e fortalecimento da luta coletiva das mulheres quilombolas brasileiras.