30 de maio de 2026
CONAQ leva debate sobre o Bem Viver e proteção de territórios ao Festival MEL neste sábado (30)
Iniciativa nacional promove a ocupação pública por mulheres para transformar vivências em liderança política e arte de resistência.
SÃO PAULO — A Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) participa, neste sábado (30), do Festival MEL, em São Paulo. Representado por Selma Dealdina Mbaye, da articulação política e do Coletivo de Mulheres, e por Bia Nunes, coordenadora nacional da CONAQ e presidenta da ACQUILERJ, o movimento quilombola integra debates sobre a emergência climática, a política do cuidado e o combate à violência política de gênero e raça. As atividades acontecem a partir das 14h, em Cambuci, situado na região central da capital paulista.
O Festival MEL é uma articulação nacional de mulheres que ocupam os espaços públicos para debater frentes urgentes de combate à opressão, transformando vivências de dor em caminhos de liderança política e artística.
O encontro se propõe a construir agendas progressistas sobre economia, desenvolvimento e justiça socioambiental sob a ótica feminina, além de estabelecer protocolos práticos de acolhimento e proteção para mulheres em situação de vulnerabilidade.
Para a CONAQ, a inserção no festival fortalece a denúncia contra o apagamento das bandeiras de luta das mulheres tradicionais e interioranas. A rotina de discussões propostas pelo MEL dialoga diretamente com as pautas de sobrevivência e autonomia que o movimento quilombola lidera nos territórios de todo o País.
“Diante da importância desse espaço, que reúne mulheres de diversos distritos, cidades e estados do Brasil, estar presente em um momento tão histórico é, de fato, marcante, pois ao longo dos anos nós, mulheres quilombolas, tivemos muita dificuldade de expressar e trazer para a grande mídia quem somos, o que fazemos e como sobrevivemos. A nossa resistência tem um diferencial. Porque estamos nos quilombos, nas periferias, algumas nas grandes cidades, mas a nossa luta ela é uma só. É por território, por espaço, por direito de continuar sobrevivendo e com a responsabilidade de sermos as guardiões da nossa ancestralidade, da nossa história. Então, é um divisor de águas estar aqui, porque a gente vem trazer a voz de milhares de mulheres quilombolas desse Brasil”, avalia Bia Nunes!
Para Selma, o evento é uma boa oportunidade de abordar demandas consideradas urgentes para a comunidade. “A CONAQ participa pelo segundo ano do Festival Mulheres em Luta. Desta vez, a participação inclui um debate sobre a atuação das mulheres na luta e uma discussão sobre o “cafuné”, com foco no Plano Emergencial de Proteção e Autocuidados das Mulheres Quilombolas, que será lançado em 10 de junho. É uma boa oportunidade de compartilhar ideias, vivências, falarmos sobre o plano e as ameaças sofridas pelas mulheres quilombolas na luta pela terra e titulação de territórios”, destaca Deldina.
Painel e exibição de documentário marcam a programação
A agenda das articuladoras da CONAQ neste sábado está dividida em dois momentos principais:
Das 14h às 16h (Palco na rua): Selma Dedina Mbaye e Bia Nunes participam do painel “Em defesa do Bem Viver: a bússola das mulheres para novas formas de estar no planeta”. O debate contrapõe o modelo atual de sociedade ( baseado no esgotamento da terra e na invisibilidade do trabalho doméstico e de cuidado à filosofia do Bem Viver). O objetivo é discutir alternativas ao capitalismo extrativista, priorizando a sustentabilidade da vida e a proteção dos recursos naturais.
Das 18h às 19h (Espaço Colmeia – Galeria Nave Coletiva): Será exibido o documentário “Cafuné”(2026), uma obra audiovisual da CONAQ que denuncia a violência, o cerceamento e o medo vivenciados por mulheres quilombolas que atuam na linha de frente da defesa de seus territórios.
A exibição do curta-metragem materializa o lançamento e a consolidação do Plano Emergencial de Proteção e Autocuidado das Mulheres Quilombolas, uma resposta política coletiva desenhada para salvaguardar defensoras de direitos humanos no campo. O projeto conta com o apoio estratégico da Agência Espanhola de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento (AECID) e do Instituto Ibirapitanga.
Serviço
Evento: Participação da CONAQ no Festival MEL
Data: 30 de maio de 2026 (Sábado)
Horário: Painel às 14h | Exibição do documentário “Cafuné” às 18h
Local: Galeria Nave Coletiva (Espaço Colmeia e Palco na Rua) – São Paulo, SP
Entrada: Gratuita / Aberta ao público
Texto por Priscilla Peixoto/CONAQ , publicado às 14:29:04
Categoria: Mulheres Quilombolas