7 de julho de 2026
CONAQ inicia agenda no principal encontro da ONU sobre sustentabilidade com representação quilombola
Lideranças do movimento levam a voz dos quilombolas a Nova Iorque para fortalecer a incidência internacional em defesa da justiça climática, dos direitos coletivos e da Agenda 2030.
EUA – Começou nesta segunda-feira (7), na sede das Nações Unidas, em Nova Iorque, o Fórum Político de Alto Nível sobre Desenvolvimento Sustentável (HLPF) 2026, principal instância da ONU dedicada ao monitoramento da Agenda 2030 e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). A programação segue até 15 de julho, com a etapa ministerial prevista entre os dias 13 e 15.
A Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) integra a programação com uma comitiva de lideranças, reafirmando a importância da presença dos povos tradicionais nos espaços globais de formulação de políticas voltadas à sustentabilidade, à justiça climática e aos direitos humanos.
Com o tema “Ações transformadoras, equitativas, inovadoras e coordenadas para a Agenda 2030 e seus Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para um futuro sustentável para todos”, o encontro reúne governos, organismos multilaterais, pesquisadores, movimentos sociais e organizações da sociedade civil para avaliar os avanços e os desafios relacionados às metas estabelecidas pela ONU.
Nesta edição, serão analisados os avanços dos ODS 6 (Água Potável e Saneamento), ODS 7 (Energia Limpa e Acessível), ODS 9 (Indústria, Inovação e Infraestrutura), ODS 11 (Cidades e Comunidades Sustentáveis) e ODS 17 (Parcerias e Meios de Implementação). Além disso, 36 países apresentarão seus Relatórios Nacionais Voluntários (VNRs), entre eles o Brasil, que prestará contas sobre os resultados alcançados e os desafios para cumprir os compromissos da Agenda 2030.
Incidência internacional em defesa dos direitos quilombolas
A atuação da CONAQ no HLPF amplia o diálogo do movimento quilombola com a comunidade internacional em um dos mais importantes espaços multilaterais voltados às políticas públicas para o futuro do planeta.
Ao levar suas pautas à ONU, a organização reafirma que não existe sustentabilidade sem justiça racial, garantia dos direitos territoriais e reconhecimento dos povos tradicionais como protagonistas na conservação da biodiversidade e no enfrentamento da emergência climática.
Os conhecimentos construídos ao longo de gerações nos quilombos oferecem respostas concretas para desafios relacionados à segurança hídrica, à produção de alimentos, à adaptação às mudanças do clima, ao manejo sustentável dos recursos naturais e à proteção dos ecossistemas. Essas experiências demonstram que os saberes ancestrais são indispensáveis para o cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.
A agenda ganha ainda mais relevância porque o Brasil apresentará seu Relatório Nacional Voluntário durante esta edição do encontro. Nesse contexto, a representação da CONAQ fortalece a incidência da sociedade civil para que as contribuições, os desafios e as demandas das comunidades quilombolas estejam refletidos na prestação de contas apresentada pelo Estado brasileiro.
A mobilização também amplia a visibilidade internacional das lutas quilombolas e fortalece alianças em defesa da justiça socioambiental, da proteção dos territórios tradicionais e da valorização da diversidade cultural como elemento essencial para um futuro mais justo e sustentável.
Lideranças representam a CONAQ em Nova Iorque

Foto: Cecília Barbosa/CONAQ
A delegação do movimento é composta por lideranças que atuam nacionalmente na defesa dos direitos dos povos quilombolas, são elas:
A coordenadora executiva da CONAQ, Laura Ferreira da Silva, liderança do estado de Mato Grosso que integra a Comunidade Quilombola Ribeirão da Mutuca, pertencente ao histórico Quilombo Mata Cavalo, em Nossa Senhora do Livramento. Também coordena a articulação estadual da entidade em Mato Grosso, atuando no fortalecimento da organização política e da defesa dos direitos das famílias quilombolas.
Compõe ainda a comitiva Selma dos Santos Dealdina Mbaye, articuladora política da CONAQ e coordenadora do Coletivo Nacional de Mulheres Quilombolas. Nascida no Quilombo Angelim III, no Território do Sapê do Norte, em São Mateus (ES), acumula mais de 28 anos de atuação na defesa dos direitos da população quilombola, sendo uma das principais referências nacionais na luta por igualdade racial, equidade de gênero e garantia dos direitos coletivos.
Também representa a organização Cecília Barbosa, secretária administrativa do Coletivo Nacional de Mulheres Quilombolas, que acompanha a programação fortalecendo a articulação política da entidade nos debates sobre direitos humanos, participação social e desenvolvimento sustentável.
Texto por Comunicação CONAQ, publicado às 22:14:56
Categoria: Mulheres Quilombolas