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2 de abril de 2026

Chuvas em Minas Gerais atingem quilombos e mobilizam resposta emergencial da CONAQ

Comunidades enfrentam perdas, isolamento e danos estruturais; articulação garante distribuição de cestas básicas, mas situação ainda exige atenção do poder público.

Desde fevereiro, o estado de Minas Gerais tem enfrentado fortes chuvas que provocaram impactos significativos, com registros de mortes, desaparecidos e destruição de infraestrutura. As consequências também atingiram diretamente comunidades quilombolas em diversas regiões.

Apuração e monitoramento nos territórios

Diante do cenário, a CONAQ entrou em contato com lideranças locais para verificar possíveis perdas de vidas e levantar os prejuízos estruturais. Até o momento, não há registros de moradias destruídas, mas foram identificadas perdas nas lavouras de subsistência e na agricultura familiar, além da queda de pontes e interdição de estradas. Serviços essenciais, como energia elétrica e atendimento de saúde, também foram afetados.

O movimento acionou órgãos competentes em busca de apoio emergencial às famílias atingidas. A partir de articulação das lideranças estaduais com o movimento nacional cerca de 500 cestas básicas começaram a ser distribuídas a partir do dia 25 de março, beneficiando quilombos como Cabaceiras (Itacarambi), Cabano (Januária), Porções (Francisco Sá), Marques (Teófilo Otoni), Ferreirão e Paulos (Ataléia), Malhadinha (Gameleira), Santa Cruz e Água Preta (Ouro Verde de Minas). Os recursos foram destinados às associações comunitárias, responsáveis pela distribuição.

Moradores do Quilombo Marques (Teófilo Otoni) recebendo as cestas básicas. Foto: Acervo CONAQ

“As famílias aqui estão muito felizes. Deus abençoe vocês poderosamente pelos sorrisos. Como dá para ver nas fotos, todo mundo está feliz demais”, relatou Claudiene, do Quilombo Marques.

Papel das lideranças e parcerias

Foram compradas cerca de 500 cestas básicas e distribuídas para famílias de oito quilombos de MG que foram prejudicados pelas fortes chuvas. Foto: Acervo/CONAQ

 

Vandeli Paulo dos Santos, coordenador nacional da CONAQ (MG), é um dos responsáveis pelo levantamento e articulação dos recursos destinados ao estado e relatou como ocorreu o processo de compra dos mantimentos.

“Houve diversos impactos, e o Fundo Casa foi fundamental com o apoio emergencial. As comunidades puderam adquirir cerca de 500 cestas com o valor de 30 mil reais, distribuídas em várias regiões de Minas Gerais. Também agradecemos à CONAQ pela articulação que vem sendo realizada junto ao Governo Federal”.

Situação ainda exige atenção

A forte chuva do dia 25/03 causou estrago em um dos acessos do Quilombo Mestre Minervino em São Francisco no norte de Minas Gerais. Foto: Acervo/CONAQ

 

Apesar dos avanços, a situação ainda é crítica. “Os problemas continuam nas comunidades quilombolas. As chuvas levaram pontes, abriram crateras e causaram deslizamentos. É fundamental que o governo atue na reconstrução, dialogando com as lideranças locais. Ainda há dificuldade de comunicação entre o poder público e as comunidades”, ressaltou o coordenador.

Além dos danos estruturais, o acesso a diversos territórios segue comprometido. Em alguns casos, estradas estão intransitáveis até para motocicletas, dificultando o deslocamento de moradores e o acesso de estudantes às escolas.

A CONAQ também acionou entidades municipais, estaduais e federais para adoção de medidas emergenciais. Neste momento, a coordenação estadual segue acompanhando a destinação de novos recursos e cobrando respostas efetivas para garantir a segurança e a dignidade das comunidades quilombolas afetadas.