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15 de setembro de 2026

Cafuné chega ao Quênia e fortalece diálogo internacional entre mulheres negras em defesa dos territórios

CONAQ compartilha experiências de luta, proteção e cuidado com lideranças de 37 países na Escola Internacional de Organizações Feministas Berta Cáceres.

Durante a participação na Escola Internacional de Organizações Feministas Berta Cáceres, que acontece entre os dias 10 e 18 de setembro, em Nairobi, no Quênia, representantes do Coletivo de Mulheres da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), levaram para esse espaço de formação, intercâmbio e articulação, importantes produções que registram a realidade e a resistência das mulheres quilombolas, entre elas, o Cafuné.

A entrega do Plano Emergencial para Proteção de Mulheres Quilombolas Defensoras de Direitos Humanos, representa mais do que o compartilhamento de uma publicação: é a possibilidade de apresentar uma experiência construída a partir das vivências das mulheres quilombolas, suas estratégias de proteção, cuidado, fortalecimento comunitário e enfrentamento às diferentes formas de violência que atingem seus corpos/territórios, em um espaço de troca entre mulheres que, embora estejam em diferentes territórios e contextos, enfrentam desafios relacionados ao racismo, ao patriarcado, à misoginia, às violências e às ameaças contra seus territórios e modos de vida.

Cafuné nasce da preocupação do Coletivo de Mulheres da CONAQ diante do agravamento das ameaças, perseguições e violências vividas por milhares de mulheres quilombolas em diferentes regiões do país. O plano articula proteção, acolhimento, cuidado e fortalecimento comunitário, reconhecendo que proteger mulheres quilombolas também significa proteger seus territórios e suas formas de existência.

Mulheres de 37 países reunidas no Quênia

Foto: Arquivo CONAQ

A Escola Internacional de Organizações Feministas Berta Cáceres, reúne cerca de 160 lideranças de 37 países, entre elas representantes de importantes redes e movimentos sociais internacionais, como a Marcha Mundial das Mulheres, a Via Campesina, Amigos da Terra e Conferência Africana.

Participam mulheres da Turquia, Argélia, Benim, Brasil, Burkina Faso, Camarões, Cuba, Congo, Uganda, Estados Unidos, Zâmbia, República Dominicana, Zimbábue, Saara, Equador, Etiópia, Gana, Granada, Guatemala, Serra Leoa, Haiti, Honduras, Costa do Marfim, Gâmbia, Quênia, Nigéria, Senegal, entre outros territórios representados na agenda.

É nesse encontro diverso que as mulheres quilombolas chegam para compartilhar suas experiências e, ao mesmo tempo, aprender com outras mulheres e organizações. A participação da CONAQ é realizada por Cida Sousa e Selma Dealdina Mbaye, ambas coordenadoras do Coletivo de Mulheres da organização. Para o Coletivo, estar no continente africano possui também uma dimensão ancestral e simbólica. A presença no Quênia representa além do encontro da diáspora negra com o continente, a oportunidade de reconhecer os vínculos históricos, culturais e políticos que atravessam as experiências das mulheres negras.

Do Brasil para África: compartilhar para fortalecer

Além do Cafuné, a delegação da CONAQ levou a publicação Vidas Interrompidas, ampliando a possibilidade de apresentar às participantes da Escola as violações enfrentadas pelas comunidades quilombolas e as histórias de mulheres e lideranças que resistem nos territórios brasileiros.

A presença dos materiais no encontro reafirma a comunicação como instrumento de denúncia, memória e articulação política. A Escola Berta Cáceres é, assim, um espaço de escuta e construção coletiva. Durante os nove dias de atividades, as participantes compartilham metodologias, conhecimentos, experiências e estratégias relacionadas ao enfrentamento das violências, ao empoderamento, ao protagonismo e à autonomia das mulheres. 

Ao entregar o Cafuné no Quênia, as mulheres quilombolas não apenas compartilham uma publicação: levam consigo a voz de mulheres que seguem resistindo nos quilombos brasileiros e constroem pontes com outras mulheres negras e feministas do mundo. É um encontro entre territórios, histórias e ancestralidades. Um diálogo que atravessa o Atlântico e reafirma que a proteção, o cuidado e a luta das mulheres também são caminhos para proteger a vida e os territórios.