15 maio

O QUE NÓS QUILOMBOLAS TEMOS PARA COMEMORAR NO MÊS DE MAIO? OS 23 ANOS DE EXISTÊNCIA DA CONAQ: POR NENHUM QUILOMBO A MENOS!

O que nós quilombolas temos para comemorar no mês de maio? Em 1995 como parte da mobilização da Marcha dos 300 anos de imortalidade de Zumbi, Contra o Racismo, pela Igualdade e a Vida, realizada em 20 de novembro, os quilombos de várias partes do Brasil se reuniram pela primeira vez, em Brasília, de 17 a 20/11, na UnB. Desse encontro dos quilombolas que culminou com a Marcha, decidimos criar uma organização representativa dos quilombolas em nível nacional. Essa ação foi forjada com a participação de várias entidades do Movimento Negro brasileiro, por compreender que era mais uma das estratégias de resistência das negras e negros no Brasil. E, no quilombo de Rio das Rãs em Bom Jesus da Lapa/BA, no dia 12 de maio de 1996 nasceu a Coordenação Nacional das Comunidades Negras Rurais Quilombolas-CONAQ.

Nascemos com a missão de lutar e defender os direitos dos quilombos e quilombolas, direitos esses assegurados tardiamente na Constituição Federal de 1988. Desde de então, a CONAQ tem sido o principal veículo de mobilização, intervenção e formulação de políticas para os quilombos do Brasil. Enfrentamos o governo Fernando Henrique quando quis nos impor o marco temporal (195-2002); contribuímos para formular as políticas públicas nos governos Lula e Dilma; passamos 14 anos sobre sombra de uma inconstitucionalidade que o Partido de Frente Liberal-PFL, hoje DEM (2004 a 2018) nos impôs ao tentar anular e sem sucesso o Decreto Presidencial nº 4887/04; fizemos parte de conselhos municipais, estaduais e nacionais; nos mobilizamos e hoje somos cerca de 6 mil quilombos em todo o Brasil, mesmo que o estado só tenha reconhecido cerca de 4 mil; enfrentamos defendemos nossas territórios e por eles temos pagado com nossas próprias vidas; mobilizamos e denunciamos o racismo institucional do Brasil mundo a fora; vimos liderancas, homens e mulheres pagarem com suas vida a defesa de seus territórios, mesmo assim não nos falamos e nem desistimos, e; tencionando os governos em todas as instâncias, vimos parte dos nossos direitos serrem efetivados e hoje assistimos, porém resistindo, aos desmonte feito pelo Governo racista e truculento de Jair Bolsonaro.
Continuamos defendendo nossos Rios e Florestas, mesmo que isso signifique tombar na Luta. Não abriremos mão de nossa história, da nossa ancestralidade. As riquezas do Brasil foram construídas por nós e nunca recebemos por isso. Convivemos todos os dias com o racismo e com a ausência de políticas públicas em nossos quilombos, mas resistimos.
Por isso, no momento que os descendentes de escravocratas que compõem majoritariamente o Congresso Nacional, tentam nos impor mais um genocídio institucional, para apagar a nossa história de resistência, conclamamos: O BRASIL TAMBÉM É QUILOMBOLA E NENHUM QUILOMBO A MENOS!
Parabéns as e os quombolas pelos mais de 400 anos de resistência e vida LONGA E CONAQ!

Coordenação Naciobal de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas – CONAQ