27 jun

NOTA DE REPÚDIO DE ENTIDADES QUILOMBOLAS E NEGRAS DO ESTADO DO PARÁ

AS ENTIDADES DO MOVIMENTO NEGRO E QUILOMBOLA DO ESTADO DO PARÁ, abaixo subscritas, vem a público REPUDIAR, veementemente, as atitudes do senhor conhecido pelo pseudônimo de PAULO “QUILOMBOLA”, nacional que desde sua chegada em solo paraense, intitulando-se quilombola e professor, diz ser presidente da associação denominada Federação das Comunidades Quilombolas e Populações Tradicionais do Estado do Pará (nome fantasia: Federação das Comunidades Quilombolas do Pará) e “defensor dos direitos humanos”.

Esse cidadão que se diz “quilombola” e “professor” (seria importante ele comprovar essas credenciais para não incorrer no crime de falsidade ideológica, isto é, mencionar a que comunidade quilombola pertence, por exemplo) usa a “sua” associação para tentar enganar/caluniar lideranças quilombolas de algumas regiões desta unidade federativa. Aliás, é importante frisar que essa instituição foi criada sem qualquer articulação com as lideranças quilombolas e/ou do movimento negro deste estado.

Suas “estratégias de luta por direitos” se baseiam em ações repugnantes. Utiliza-se de mídias sociais (facebook e whatsapp) para fazer difamações, calunias e acusações sem as devidas comprovações contra nossas verdadeiras lideranças quilombolas, cujas trajetórias são conhecidas dentro e fora do movimento negro estadual, inclusive por autoridades constituídas.

PAULO “QUILOMBOLA” já andou caluniando e difamando lideranças do nosso movimento quilombola das regiões do Baixo Amazonas e do Marajó, sendo que nesse caso “o tiro dele saiu pela culatra”, pois a atitude repugnante desse “homem” fez com que as comunidades quilombolas dessas regiões se unissem para declarar que este não os representava.

Novamente ele tenta macular o nome de nossas lideranças, desta vez em texto publicado em mídias sociais, principalmente via whatsapp, tal sujeito, usando o nome de sua associação, fala sobre a morte do NAZILDO, quilombola assassinado há pouco mais de uma semana num ramal que liga o município de Acará à Tomé-Açu. Nesse texto, PAULO “QUILOMBOLA” atira calúnias para todo lado, inclusive faz uma acusação gravíssima (sem provas) contra uma das grandes lideranças do território quilombola do Alto Acará que pertence ao quadro de sócios fundadores da Associação de Moradores e Agricultores Remanescentes Quilombolas do Alto Acará (AMARQUALTA), sendo este atualmente legítimo presidente da referida associação.

Ressalta-se que o presidente dessa Federação, segundo informações, faz promessas infundadas às comunidades quilombolas, por dizer que conhece pessoas do alto escalão do setor público federal e que é assessor parlamentar de “fulano” e “ciclano” “vende ilusões” ao nosso povo quilombola, assim o fez com os moradores do território quilombola do Alto Acará, cobrando taxas para recebimento do Cartão Reforma e acesso à minha Casa Minha Vida (PNHR), fato que precisa ser, urgentemente, apurado pelos órgãos competentes.

Vale sublinhar que este senhor chegou há poucos meses no território quilombola do Alto Acará e já, em 20 de março/2018, encaminhou, através de um deputado federal, solicitação ao Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos do Ministério dos Direitos Humanos (PPDDH/MDH) se dizendo, juntamente com sua mulher conhecida com NARA MUNDURUKU, ativistas da comunidade do Quilombo Turé III, pertencente ao Território quilombola da AMARQUALTA, na região do Alto Acará. Na solicitação PAULO “QUILOMBOLA” e sua esposa dizem que estariam sofrendo ameaças de morte. Aliás, o mesmo discurso utilizado tempos atrás nas regiões do Baixo Amazonas e Marajó. Tudo mentira!

Cabe aqui esclarecer que os verdadeiros ativistas na defesa do território quilombola do Alto Acará, senhores PAULO DE DEUS NUNES DOS SANTOS, JOÃO OLIVEIRA DO AIDO e senhoras CRYSTIANE AMARAL COUTINHO, MARIA CREUZA DIS GEMAQUE, denunciaram, através da Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos (SDDH), à PPDDH/MDH, em 03 de fevereiro de 2014, que estavam sendo ameaçados de morte. Agora PAULO “QUILOMBOLA” tenta macular o nome do companheiro PAULO NUNES e de outras lideranças nossas.
Isto posto, as ENTIDADES DO MOVIMENTO NEGRO E QUILOMBOLA DO ESTADO DO PARÁ, abaixo nominadas, manifestam o seu repúdio as práticas aviltantes desse senhor exteriorizadas pelos seus discursos de ódio contra muitas de nossas lideranças quilombolas, entre outras, tendo como pessoal e único interesse (o que nos parece o mais grave) desmantelar todo o processo político até aqui construído por instituições sérias do nosso movimento. É certo que suas atuações em nada contribuem com a luta e com a representatividade constituída ao longo do tempo por nossas organizações sociais, pelo contrário tenta desconstruí-la. As atitudes desse homem não podem mais prosperar neste estado!

Belém-PA, 24 de abril de 2018.

ASSOCIAÇÃO DOS DISCENTES QUILOMBOLAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ – ADQ-UFPA
ASSOCIAÇÃO CULTURAL E ESPORTIVA DOS NEGROS DA AMAZÔNIA – ACENA
ASSOCIAÇÃO DE CONSCIÊNCIA NEGRA QUILOMBO – ASCONQ
COORDENAÇÃO DAS ASSOCIAÇÕES DAS COMUNIDADES REMANESCENTES DE QUILOMBOS DO PARÁ – MALUNGU
DIAMANTE NEGRO
FORUM DE ENTIDADES NEGRAS DE ANANINDEUA – FOPENAM
INSTITUTO AFRO BRASILEIRO IMACULADA CONCEIÇÃO – IABIC
MOVIMENTO AFRODESCENDENTE DO PARÁ – MOCAMBO
REDE AMAZONIA NEGRA
REDE FULANAS – NAB
UNIÃO DE NEGRAS E NEGROS PELA IGUALDADE – UNEGRO/PA