14 maio

MANIFESTO EM MEMÓRIA DA LUTA DO POVO NEGRO PELA SUA LIBERDADE

SABEMOS que a assinatura da Lei Áurea, em 13 de Maio de 1888, não inaugurou o acesso à liberdade para a população negra brasileira. A última abolição das Américas foi feita quando a maioria dos homens e mulheres de origem africana que sobreviveram aos horrores da escravidão já tinha encontrado outros meios para chegar formalmente à condição de pessoas livres ou libertas.

SABEMOS que, após três séculos sustentado por um sistema escravista que absorveu o maior quantitativo de africanos escravizados nas Américas, o Brasil não se fez um país racialmente harmônico. O racismo é uma marca da sociedade brasileira.

SABEMOS que homens e mulheres negras/os tinham e defenderam seus próprios projetos de liberdade. As lutas abolicionistas não se restringiram a indivíduos e grupos das elites brancas brasileiras. Muitos esforços pelo fim do escravismo foram protagonizados por abolicionistas negros/as em nome da garantia de condição básicas para a realização da democracia neste país.

SABEMOS que o pós-abolição tem sido marcado por tentativas de apagamento simbólico e físico da presença negra nesta sociedade. Os projetos de embranquecimento da população brasileira têm autorizado o sequestro da nossa condição de sujeitos históricos nos livros didáticos e a atualização práticas cotidianas de genocídio que atingem, sobretudo, a juventude negra.

COMBATEMOS toda e qualquer tentativa de manutenção de mentiras que atentem contra a memória e a história das lutas negras por liberdade e cidadania! A medida da nossa existência não é dada pela boa-vontade ou pelos caprichos das elites brancas deste país.

AFIRMAMOS que a nossa liberdade é inegociável. Nenhum passo atrás! Nenhuma gota de sangue a mais! Nenhuma pessoa negra a menos!
Parem de nos matar!

Brasília, 14 de maio de 2019