Jovens da comunidade Colombo participam de debate sobre terra, território e ancestralidade- MA

foto colombo

No último dia 20 de setembro, alunas e alunos da Escola Municipal Dr. Elano de Paula, na comunidade de Colombo, em Itapecuru-Mirim (Maranhão), participaram de um debate sobre terra, território e ancestralidade conduzida pelos próprios moradores da comunidade. O debate foi precedido por uma sessão de cinema, com a exibição da animação brasileira “Uma história de amor e fúria”.

O filme conta a saga de um personagem imortal que, ao longo dos seus 600 anos de vida, tendo existido em corpos distintos e em diversas épocas, vê-se lutando sempre a mesma luta: a batalha por sua terra ancestral que o homem branco começou a invadir, roubar e destruir no século 16, e nunca mais parou. Seja como guerreiro Tupinambá no século 15, como Manuel Balaio, um dos líderes da Balaiada no século 19, seja como um jornalista que cobre a guerra pela água no Rio de Janeiro do futuro, no ano 2096, o protagonista do filme sabe que a única forma de superar a violência do colonizador branco é nunca desistir de lutar contra ela.

Esta foi uma das principais mensagens captadas do filme pelas/os jovens que participaram do debate. Esses jovens estão ameaçados pelo DNIT de perderem suas casas, seus pés de árvore, sua escola e seu território por conta da duplicação da BR 135 que a autarquia pretende realizar dentro da comunidade. Desde o início desse ano o DNIT vem executando uma série de obras ilegais em Colombo, derrubando pés de árvore, assoreando e entupindo igarapés e ameaçando moradores que se opõem ao empreendimento. Colombo faz parte do Território Quilombola Santa Maria dos Pinheiros, e o DNIT tem violado sistematicamente o direito dos quilombolas do território desde o início das obras – que estão ilegais e por isso foram suspensas pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA) e também pelo Ministério Público Federal (MPF).

A atividade realizada com os/as jovens de Colombo faz parte de uma agenda de formação autônoma encampada por quilombolas dos territórios Santa Maria dos Pinheiros e Santa Rosa dos Pretos, ambos em Itapecuru-Mirim, e Joaquim Maria, de Miranda do Norte, para conscientizar as comunidades sobre as violações cometidas pelo DNIT nas obras de duplicação e sobre a consulta aos povos quilombolas que a autarquia é obrigada a fazer, mas nunca fez, violando lei federal e convenção internacional.

Assista abaixo à animação “Uma história de amor e fúria”.