15 Maio

Ecam doa mais de 1.300 cestas de alimentação e kits higiene para quilombos da Região Norte e do Espírito Santo

Por Maryellen Crisóstomo

Ascom CONAQ

 

Nos últimos 60 dias a pandemia da COVID-19 mudou a realidade das famílias brasileiras. Nos quilombos, a situação se agravou por vários fatores, entre eles, o não escoamento da produção que afeta diretamente a segurança alimentar, nos territórios. A dificuldade que antes consistia no difícil acesso aos centros urbanos, em decorrência das estradas, agora se soma ao fechamento dos espaços de comercialização.

“A situação das comunidades quilombolas é de intensa vulnerabilidade. A maior parte da renda das comunidades vem da agricultura, e nesse momento estão impossibilitados de comercializar seus produtos nos municípios próximos aos quilombos” relata Meline Cabral, geógrafa da Ecam (Equipe de Conservação da Amazônia).

Além disso, nem todas as medidas anunciadas pelo governo para atender aos quilombos são acessíveis. “Muitas comunidades que vendiam seus produtos para programas como o PNAE (Programa Nacional de Alimentação Escolar) estão sem conseguir vender a sua produção, apesar do Estado afirmar que as ações do PNAE continuam” aponta Meline.

Essa ineficiência das medidas emergenciais do governo também é denunciada pela quilombola Valéria Carneiro, do quilombo Pau Furado, em Salvaterra – PA. “As escolas nem recebem merenda escolar. A escola-polo daqui não recebeu merenda nesse período. Como é que vai distribuir a merenda da escola?”, questiona.

Conforme a Ecam já foram distribuídos 577 cestas de alimentação e 177 kits de higiene aos quilombos do Estado do Pará, 100 cestas de alimentação para quilombos do Amapá, 308 cestas distribuídas em todos os quilombos de Rondônia e 150 cestas para 04 quilombos do Espírito Santo. Um total de 1.135 cestas e 177 kits de higiene.

 

Quilombos atendidos

Pará: 37 quilombos de Oriximiná em 07 territórios: Sítio São João, São Lourenço, Sítio Conceição, Burajuba, Caeté, África/Laranjituba, Cacoal, Moju-Mirim, Itacoã-Mirim. 

Amapá: Cunani, Abacate da Pedreira, Lontra, Ressaca, São Benedito, Goiabal, Nossa Senhora do Desterro, Dois Irmãos e Lagoa dos Índios.

Rondônia: Forte Príncipe da Beira, Santa Fé, Santo Antônio, Pedras Negras, Jesus, Rolim de Moura do Guaporé, Laranjeiras e Santa Cruz.

Espírito Santo: 150 cestas para os quilombos Bom Pastor, São Cristóvão e Divino Espírito Santo em São Mateus e o quilombo Santa Luzia, em Montanha.

 

Desafios no acesso aos territórios e a realidade da COVID-19

Boa parte dos quilombos da Amazônia tem acesso apenas por via fluvial, já aos territórios que se pode chegar por via terrestre a qualidade das estradas está comprometida. “Isso torna o deslocamento mais caro e sem o devido apoio do Estado para tal”, relata Meline.

Tudo isso se agrava com a restrição de deslocamento entre os municípios em função do combate à proliferação do coronavírus.

Um levantamento autônomo da CONAQ aponta que o maior número de óbitos entre quilombolas se concentra na Região Norte, um total de 14. Sendo 07 (sete) no Amapá e 07 (sete) no Pará.

Os impactos da COVID-19 nos territórios quilombolas ainda são incalculáveis, mas, a CONAQ já trabalha com a elaboração de um banco de dados a partir de mapeamento da situação dos quilombos em conjunto com parceiros. Isso é importante para “conseguir identificar, além dos casos de COVID-19 nas comunidades, os impactos da pandemia sobre as comunidades quilombolas para tentarmos minimizar esses impactos principalmente no que se refere à saúde e geração de renda hoje e para o futuro” destaca Meline.

 

Sobre a Ecam

Desde 2002, a Ecam desenvolve ações que prezam pela integração entre o desenvolvimento e o equilíbrio ambiental dos povos e comunidades tradicionais da Amazônia. Atuando junto a 140 quilombos situados nos estados do Amapá, Maranhão, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Tocantins, abrangendo a área da Amazônia brasileira. Cujo objetivo é “promover e fortalecer o conhecimento relacionado à gestão territorial e ambiental dos territórios” enfatiza Meline.

A CONAQ e a Ecam são parceiras nos projetos que abrangem os territórios quilombolas da Amazônia Legal. O projeto mais recente está em andamento: Povos Tradicionais e Novas Tecnologias e Compartilhando Mundos.

 

Parceiros

Essa iniciativa da Ecam conta com parcerias que colaboraram com a aquisição e distribuição dos kits. “A Ecam tem contado com recurso de apoiadores próprios da instituição para essas ações emergenciais. A Rainforest Fund, por exemplo, sempre foi uma grande parceira da Ecam e tem apoiado também nessas ações emergenciais” destaca Meline.

No Pará, contou com: Territórios Sustentáveis, MRN, ARQMO e Malungu.

Imagem principal: divulgação Ecam.

 

Saiba como doar e ajudar os quilombos por meio de vakinha on-line

Leia também:

Comunidades Quilombolas do estado de Minas Gerais recebem apoio da Terra de Direitos com cestas básicas e kits de higiene

 

error

Enjoy this blog? Please spread the word :)

Instagram