25 mar

Com 5 milhões de idosos, quilombolas ainda aguardam ações para conter coronavírus

Texto / Juca Guimarães | Edição / Simone Freire | Imagem / Marcelo Casal Jr. / Agência Brasil

As comunidades quilombolas do Brasil estão enfrentando a proliferação do Covid-19, o novo coronavírus, e o alto número de idosos entre eles acende um alerta sobre a necessidade de se pensar ações específicas nestes territórios.

Dos mais de seis mil quilombos espalhados pelo país, com uma população de aproximadamente 16 milhões de pessoas, cerca de cinco deles, ou seja, pouco mais de 30%, são de idosos, segundo dados da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (Conaq).

No entanto, até agora, segundo lideranças quilombolas, as propostas previstas pelo governo para conter o vírus nos quilombos não suprem as necessidades. É o que denuncia Osvaldina Rosalina dos Santos, do quilombo Tapuio, na cidade de Queimada Nova (PI), a 553 km de Teresina (PI). “Até agora, nada. Não teve nenhuma ação efetiva do governo por conta da epidemia. Nada mesmo”, diz.

A situação é similar em Alagoas, estado tem cerca de 26 mil famílias quilombolas. “Mais de 30% são idosos com idade acima de 60 anos”, diz o radialista e quilombola Manoel Oliveira dos Santos, de 49 anos, do quilombo Mumbaça, em Traipu (AL). De acordo com Santos, da Conaq, falta informação sobre o coronavírus e os procedimentos de prevenção.

“Estamos preocupados com a vida dos nossos anciões. As políticas públicas não chegam nos quilombos. O pouco que chegou veio com o Mais Médicos, mas acabou quando os cubanos foram embora. As comunidades estão em regiões isoladas. Além disso, por conta dos recursos naturais, tem muita gente querendo expulsar os quilombolas que estão ali há 300, 400 anos”, disse Biko Rodrigues, outra liderança da Conaq.

O isolamento social nas comunidades quilombolas para evitar que o vírus se alastre obriga que os quilombolas fiquem longe das áreas de produção. “Sem poder ir nas roças não tem como produzir o alimento que iria sustentar as nossas comunidades”, diz Rodrigues.

Sem respostas

Ao Alma Preta, a Secretaria Nacional de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SNPIR) informou que está realizando um levantamento das minorias étnicas, segmentado por estado, para reforçar as medidas de prevenção de contágio ao Covid-19, “especialmente entre pessoas acima de 60 anos de idade”. No entanto, não especificou quando o levantamento começou ou qual o prazo para a sua conclusão.

Outra frente anunciada pelo governo foi a aquisição de materiais de higiene e de cestas básicas para “garantir a segurança alimentar nas comunidades quilombolas”. A ação é em parceria com a Fundação Palmares. No entanto, a pasta, e nem a fundação, informaram a quantidade e as regiões que elas seriam distribuídas.

A SNPIR também informou que está em colaboração com a Secretaria de Atenção Primária, do Ministério da Saúde, para o monitoramento contínuo das ações visando o atendimento dos povos e comunidades tradicionais. Mas não especificou quais os procedimentos que serão adotados.

Matéria produzida e publicada pela Alma Preta em 25 de março de 2020.

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