19 mar

CORONAVÍRUS: Nota de Pública da Coordenação Nacional das Comunidades Negras Rurais Quilombolas – CONAQ

Diante dos acontecimentos que estamos assistindo em relação à saúde no mundo e das recomendações da Organização Mundial de Saúde (OMS) e das autoridades brasileiras de saúde, a CONAQ reconhece a gravidade da situação e pede encarecidamente que todos os quilombolas respeitem e sigam rigorosamente as orientações que estão sendo dadas pelas autoridades. Não desprezem as orientações médicas e sigam recomendações, pois se trata de uma situação de grave.

O COVID-19 (Coronavírus) é uma realidade no mundo e está mais perto de nós do que pensamos. Assim também como a morte de pessoas afetadas pelo vírus já é fato. Portanto, pedimos a todas as lideranças que não cumpram agendas nesse momento, fiquem em suas casas, evitando o deslocamento de seus quilombos para as cidades onde a doença já se proliferou.

Não é uma brincadeira e não podemos sair de nossos quilombos que ainda são lugares afastados, em grande parte das cidades, contrair o vírus e levar, principalmente para os (as) nossos (as) mais velhos(as), nossas crianças, nosso espaço ancestral e sagrado.

Todos nós sabemos que os serviços de saúde ou não chegam, ou quando chegam são precários em nossas comunidades. Sabemos também que grande parte de nossos mais velhos já têm algum tipo de doença: hipertensão, diabetes e/ou outros tipos e por isso compõem o grupo de risco.

Por isso, é nessa hora que precisamos demonstrar nosso amor pelos nossos mais velhos(as), não expondo-os a mais doenças, sendo solidários e acolhedores e seguindo as orientações das autoridades de saúde rigorosamente. Da mesma forma, precisamos ensinar aos nossos mais velhos (as) a adotarem os cuidados recomendados para evitarem a contaminação.

Para aqueles(as) que estiveram fora do país ou tiveram contato com quem esteve, adotem as medidas recomendadas para todos os cidadãos do mundo. Não é hora para brincar, e sim para nos cuidarmos e proteger todas as pessoas das nossas comunidades.

Ressaltamos ainda que sejam canceladas as agendas de atividades turísticas nos quilombos que trabalham com tal atividade a fim de proteger a comunidade de contágios por pessoas alheias a realidade local. Entendemos que os prejuízos financeiros são inevitáveis, mas, devemos resguardar nosso maior tesouro, que é a nossa vida.

Sejamos compreensivos: fique em casa, cuide de você, cuide dos mais próximos e proteja a todos.

Brasília, 18 de março de 2020