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28 de maio de 2026

Trabalho digno avança com aprovação do fim da jornada 6×1 e fortalece debate sobre qualidade de vida

Movimento quilombola destaca mobilização popular como fator decisivo para conquista histórica e defende vigilância durante tramitação no Senado.

A aprovação do fim da escala 6×1 no Congresso Nacional representa um marco importante para milhões de trabalhadoras e trabalhadores brasileiros. Para a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), a conquista é resultado direto da organização popular e da pressão exercida pela sociedade em defesa de condições mais justas de trabalho.

Em nota oficial divulgada nesta quinta-feira (28), o movimento ressaltou que a mudança não surgiu de forma espontânea dentro das instituições, mas foi construída a partir da mobilização social que ocupou ruas, redes e espaços de debate em todo o país. Segundo a organização, a decisão demonstra que a participação coletiva continua sendo um instrumento fundamental para enfrentar desigualdades históricas e ampliar direitos.

Bem Viver como horizonte

A CONAQ relaciona a discussão sobre a redução da jornada ao conceito de Bem Viver, princípio que orienta a defesa da dignidade humana, do equilíbrio entre trabalho e vida comunitária e da valorização dos territórios tradicionais. Para o movimento, garantir tempo para descanso, lazer, convivência familiar e cuidados com a saúde é uma condição essencial para a construção de uma sociedade mais justa.

A entidade também destaca que a população negra e quilombola convive com os impactos históricos deixados pela escravidão, refletidos em indicadores sociais como desemprego, encarceramento e vulnerabilidade econômica. Nesse contexto, a superação de jornadas exaustivas é vista como parte de uma agenda mais ampla de reparação e promoção de direitos.

Próxima etapa exige atenção

Embora celebre o avanço, a coordenação nacional alerta que a proposta ainda enfrentará uma nova fase de tramitação no Senado Federal. A preocupação do movimento está relacionada à possibilidade de alterações que comprometam o conteúdo aprovado ou criem obstáculos para sua implementação.

Por isso, a organização defende que trabalhadores, movimentos sociais e a sociedade civil permaneçam mobilizados para acompanhar os próximos passos do processo legislativo. A avaliação é de que conquistas sociais exigem acompanhamento permanente para evitar retrocessos e garantir que os benefícios alcancem efetivamente quem mais precisa.

Mobilização permanente

Ao reafirmar seu compromisso com pautas voltadas à valorização da classe trabalhadora, a CONAQ reforça a importância da participação popular na construção de políticas públicas voltadas ao bem-estar coletivo. A entidade também convoca comunidades quilombolas, organizações parceiras e demais setores da sociedade a manterem o engajamento em defesa da proposta até sua aprovação definitiva.

A posição da organização evidencia que a luta por melhores condições laborais está diretamente conectada à promoção da dignidade, da justiça social e do Bem Viver, princípios que historicamente orientam a resistência dos povos quilombolas em todo o país.

Leia a nota oficial na íntegra aqui.