10 de abril de 2026
Secretária/Coletivo de Mulheres da CONAQ e Embaixada da Eslovênia articulam parcerias para o fortalecimento dos territórios quilombolas
Diálogo internacional impulsiona iniciativas conjuntas em defesa das comunidades tradicionais.
BRASÍLIA (DF) – A Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), representada por seu Coletivo de Mulheres, cumpriu, nesta quinta-feira (09), uma agenda estratégica de incidência política internacional. As lideranças foram recebidas na capital federal pela Embaixadora da Eslovênia no Brasil, Mateja Kračun, para uma reunião focada em cooperação institucional, preservação ambiental e sustentabilidade dos territórios.
O encontro teve como objetivo central apresentar a capilaridade da CONAQ e a importância das comunidades quilombolas para a preservação dos biomas brasileiros. A Eslovênia, País reconhecido como o “coração verde da Europa” por suas rigorosas políticas ecológicas, demonstrou interesse em entender como a gestão tradicional dos quilombos contribui para o equilíbrio climático global.
Diálogo ambiental e visibilidade internacional

Foto: Priscilla Peixoto/CONAQ
Durante a audiência, a Embaixadora Mateja Kračun destacou o desejo de aprofundar a compreensão sobre o papel das mulheres quilombolas como sentinelas da natureza. “A Eslovênia demonstra interesse em conhecer as lutas das comunidades na área da ecologia. Acredito que, juntos, podemos fortalecer a visibilidade dessas comunidades na Europa e na Eslovênia, onde seu conhecimento e atuação ainda são pouco difundidos”, afirmou a diplomata.
Para a CONAQ, este diálogo representa uma oportunidade de ampliar o reconhecimento da identidade quilombola no exterior, conectando a proteção ambiental ao bem-estar e à segurança jurídica de quem vive na terra.
Sustentabilidade e autonomia política
A coordenadora executiva da CONAQ e membro do Coletivo de Mulheres, Bel Cabral, avaliou o encontro como uma vitória no combate à invisibilização das narrativas femininas. Em sua fala, Cabral enfatizou que a ocupação de espaços diplomáticos é uma extensão da luta que ocorre no chão dos territórios.
“Estivemos com a embaixadora com o objetivo de ampliar a visibilidade das mulheres quilombolas. Além de estabelecer esse contato importante, buscamos apoio para ocupar novos espaços e garantir sustentabilidade financeira para o nosso coletivo”, pontuou Bel Cabral.
A coordenadora reforçou que a articulação política é o motor que impulsiona a titulação das terras. “Embora a titulação seja uma obrigação do Estado, sabemos que nossa luta contínua é essencial. Precisamos manter nossa presença em todos os espaços para garantir a manutenção da vida, a preservação dos territórios e o bem-estar de nossas mulheres”, concluiu.
Encaminhamentos
O encontro encerrou com a perspectiva de construção de uma agenda comum que possa viabilizar o apoio esloveno a projetos voltados para a segurança das comunidades e a preservação ambiental. Para a CONAQ, a parceria estratégica com nações que priorizam a agenda verde reforça a tese de que não existe solução para a crise climática sem a titulação definitiva dos territórios quilombolas e o respeito aos direitos humanos de seus guardiões e guardiãs.
Texto por Priscilla Peixoto/CONAQ, publicado às 09:28:23
Categoria: Mulheres Quilombolas