14 de abril de 2026
Jovens quilombolas criam filtro sustentável para reaproveitamento de água de farinhada e beneficia comunidade em PE
Projeto FiltroPinha, desenvolvido pelas jovens quilombolas juntamente com Luana Noêmia e Eduardo Silva, utiliza casca de pinha para absorver a carga poluente da manipueira.
As quilombolas pernambucanas Beatriz Vitória da Silva e Ângela Rafaela venceram o Prêmio do Movimento LED Globo: Luz na Educação – uma iniciativa que valoriza e amplia boas práticas em educação em todo o Brasil. As jovens são do quilombo do Brejo de Dentro, em Carnaíba, no Sertão do estado, foram umas das criadoras do filtro de pinha para resíduo tóxico da mandioca, projeto que beneficia farinheiros e farinheiras da comunidade.
Beatriz foi a representante de uma ideia para o descarte da manipueira (resíduo tóxico da mandioca gerado durante a produção da farinha). O projeto foi desenvolvido pelas estudantes quilombolas e por outros dois colegas: Luana Noêmia e Eduardo Silva com orientação do professor Gustavo Bezerra e da professora Carla Robécia, na Escola Técnica Estadual (ETE) Professor Paulo Freire.
A iniciativa nasceu depois que um professor incentivou os alunos pensassem em soluções para problemas locais. Foi assim que as jovens quilombolas e os colegas criaram um filtro ecológico feito com casca de pinha, fruta abundante na região, capaz de absorver a carga poluente da manipueira e tornar o reaproveitamento da água mais seguro no processo produtivo. No projeto, chamado de FiltroPinha, os resíduos gerados podem ser reaproveitados, podendo ser usados como fertilizante de liberação lenta, o que contribui para um ciclo sustentável. O protótipo final, produzido com farinha e carvão ativado das cascas, tem custo inferior a R$ 5.
A iniciativa foi uma das seis selecionadas entre mais de 2,3 mil projetos inscritos, distribuídos nas categorias Estudantes, Educadores e Empreendedores. O projeto filtropinha venceu na categoria estudante do ensino médio, sendo premiado em abril deste ano no programa da Globo.
Beatriz conta que todo o processo, desde a inscrição, foi intenso, desafiador, mas muito gratificante.
“Não foi fácil chegar até aqui, mas é extremamente gratificante. Essa conquista não é só minha. O Filtropinha é um projeto que beneficia diretamente os farinheiros das casas de farinha da comunidade, então, antes de ser uma vitória minha, é uma vitória de todos aqueles que abriram as portas, confiaram e acolheram o projeto de uma forma tão bonita”, disse a jovem.

Ela explica que desenvolver um projeto científico exige muita dedicação, esforço e persistência e que “ver o impacto que ele gera na vida das pessoas faz tudo valer a pena. O sentimento é de gratidão, orgulho e também de responsabilidade de continuar fazendo mais e melhor”, afirmou.
Agora a jovem Beatriz, que tem o quilombo como lugar de resistência, história e orgulho, começou a cursar Ciências Econômicas na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e afirma estar preparada para um novo ciclo com mais desafios, além de sonhos e oportunidades.
Feliz com os novos acontecimentos, ela incentiva a juventude quilombola a acreditar no poder da educação e lutar pela comunidade.
“ A mensagem que eu deixo é: não deixem que ninguém limite os sonhos de vocês. A nossa origem é motivo de orgulho, não de barreira. A gente carrega uma história de resistência, e isso é a nossa maior força. Acreditem na educação, porque foi através dela que eu consegui transformar a minha realidade, e ela também pode transformar a de vocês. Acreditem nas suas ideias, valorizem quem vocês são e nunca desistam de lutar por um futuro melhor, não só para vocês, mas para toda a comunidade”, finalizou Beatriz.

Texto por Letícia Queiroz, publicado às 15:25:59
Categoria: Educação Quilombola