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25 de abril de 2026

Escola Quilombo da UFRB realiza II seminário de Educação Escolar Quilombola em parceria com o Coletivo Nacional de Educação da CONAQ

Evento em Feira de Santana (BA) foi marcado pela apresentação de proposta de curso regular de Licenciatura em Educação Escolar Quilombola.

A Escola Quilombo da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), em parceria com o Coletivo Nacional de Educação da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), realizou, nos dias 23 e 24 de abril de 2026, o II Seminário de Educação Escolar Quilombola, em Feira de Santana (BA).

O encontro, apoiado pela Secadi/MEC, teve como objetivo central discutir e fortalecer a implementação da Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (PNEERQ), visando garantir a efetivação da Educação Escolar Quilombola. Durante o evento, a UFRB apresentou uma proposta inédita de curso regular de Licenciatura em Educação Escolar Quilombola.

A programação do seminário foi estruturada para debater a institucionalização de políticas para a Educação Escolar Quilombola. O primeiro dia contou com mesas sobre a incidência política da PNEERQ e os desafios do regime de colaboração entre estado e municípios. Além de Givânia Silva, que é co-fundadora da CONAQ, coordenadora do Coletivo de Educação da CONAQ e conselheira do Conselho Nacional da Educação (CNE), também participaram dos debates representantes da Secretaria de Educação do Estado da Bahia (SEC-BA) e da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (UNDIME). 

A programação contou ainda com a mediação de mesas pelas jovens quilombolas Ana Clara e Ester, da Escola Nacional de Formação de Meninas Quilombolas — projeto do Coletivo Nacional de Educação da CONAQ —, evidenciando o protagonismo da juventude nos debates sobre educação de qualidade para as comunidades quilombola. 

Após as mesas, os  Grupos de Trabalho (GTs) discutiram questões como fortalecimento organizativo, currículo e formação docente.

No segundo dia, o seminário avançou para o lançamento da Plataforma Quilombos da Bahia, a socialização dos resultados dos GTs e uma plenária final para a leitura dos encaminhamentos.

Um dos pontos altos do seminário foi o momento de apresentação de um curso regular de Licenciatura em Educação Escolar Quilombola. A proposta inédita entre as universidades brasileiras e atende a uma demanda histórica da CONAQ que, desde 2010, pleiteia junto às instituições de ensino superior a criação de cursos que não dependam exclusivamente de editais temporários, como o Plano Nacional de Formação de Professores da Educação Básica (PARFOR). 

Givânia Silva destacou a importância desse marco:

“Entendemos que isso é fruto da luta da CONAQ por meio do Coletivo Nacional de Educação e de toda uma mobilização que temos feito. Estamos saindo deste segundo seminário com resultados concretos. Esperamos que este curso regular da UFRB inspire outras universidades a iniciarem processos de construção de cursos de licenciatura e bacharelado de forma regular, não ficando limitados apenas aos editais do PARFOR”.

Paralelamente às discussões acadêmicas, o evento ressaltou a importância da prática nos territórios. Givânia Silva visitou a comunidade Candeal II, no Quilombo da Matinha, onde conheceu o trabalho de preservação da memória oral desenvolvido pelas jovens Ester e Ana Clara, jovens estudantes que fazem parte da Escola Nacional de Formação de Meninas Quilombolas e se destacam no projeto e na comunidade pela atuação com a leitura e cultura territorializada.

Na comunidade, um projeto de leitura conecta gerações. As jovens levam histórias dos livros para os mais velhos e, em troca, ouvem memórias ancestrais para compartilhar no ambiente escolar.

“Foi muito lindo. Fui muito bem recebida pelas mulheres, pela comunidade. Foi incrível! Para mim foi um presente poder ir à comunidade de Ana e de Ester e poder ver o trabalho que duas adolescentes estão fazendo em prol da leitura, que não é só a biblioteca. Elas levam livros para contar histórias aos mais velhos e ouvem as histórias dos mais velhos para contar na escola. É um trabalho muito lindo que elas desenvolvem aqui”, afirmou Givânia.

O seminário foi finalizado com a consolidação da proposta do curso da UFRB, que agora segue para as etapas regimentais de institucionalização. A expectativa é que o modelo baiano sirva de referência para todo o Brasil, garantindo uma educação que respeite a identidade e a territorialidade quilombola.