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20 de maio de 2026

CONAQ denuncia novos ataques contra comunidade quilombola Mercês em Pernambuco

Derrubadas de casas e ameaças às lideranças reacendem denúncias de violência territorial e racismo ambiental em Ipojuca.

Na segunda, 18 de maio, a CONAQ nacional e a CONAQ/PE divulgaram uma nota conjunta de repúdio denunciando novos ataques sofridos pela Comunidade Quilombola Mercês, localizada no município de Ipojuca, em Pernambuco.

Segundo as organizações, ações promovidas pelo Complexo Industrial Portuário de Suape resultaram em derrubadas de casas, intimidações e ameaças às lideranças do território. As denúncias apontam que as violações fazem parte de um processo histórico de expulsão, pressão fundiária e destruição dos modos de vida tradicionais provocado pela expansão de grandes empreendimentos instalados na região há mais de quatro décadas.

De acordo com relatos da própria comunidade, moradores quilombolas convivem há anos com impedimentos para plantar, construir e permanecer em suas terras ancestrais. Atualmente, mais de 150 empresas integram o complexo industrial da região, sendo que dezenas delas estão sobrepostas ao território da Comunidade Quilombola Mercês.

Na nota, ambas afirmam que o caso representa mais um episódio de racismo ambiental e violação de direitos territoriais contra comunidades quilombolas, denunciando a permanência de um modelo de desenvolvimento que desconsidera a existência, a ancestralidade e os direitos dos povos tradicionais.

As organizações também exigem a suspensão imediata das ações de derrubada e intimidação, proteção às lideranças ameaçadas, investigação das violações denunciadas e respeito ao direito à Consulta Prévia, Livre e Informada, garantido pela Convenção 169 da OIT.

“Território quilombola não é mercadoria. Território é memória, ancestralidade, dignidade e futuro”, reforça a nota.

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