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16 de abril de 2026

5ª Sessão do Fórum Permanente de Afrodescendentes reúne lideranças globais em Genebra

Evento debate reparação, titulação de territórios e a participação plena dos povos quilombolas nas políticas públicas — 25 anos após Durban

Entre os dias dias 14 e 17 de abril está sendo realizada a quinta sessão do Fórum Permanente de Afrodescendentes das Nações Unidas, em Genebra na Suíça. O encontro reúne lideranças de diferentes regiões do mundo para debater caminhos concretos rumo à justiça reparatória para os povos afrodescendentes. 

Esta iniciativa faz parte do órgão subsidiário da Assembleia Geral das Nações Unidas, criado para assessorar e fazer recomendações a Estados, agências e organismos da ONU sobre questões que afetam diretamente as populações afrodescendentes em todo o mundo. Nesta quinta edição, a conferência acontece em um momento simbólico especialmente relevante: 2026 marca os 25 anos da histórica Conferência Mundial contra o Racismo, realizada em Durban, África do Sul, em 2001 – marco fundamental para o reconhecimento dos direitos dos afrodescendentes na esfera internacional.

A conferência deste ano se debruça sobre temas urgentes que atravessam as realidades dos povos afrodescendentes no Brasil e no mundo: a garantia de territórios, o enfrentamento ao racismo estrutural e institucional, a justiça climática, a reparação histórica pela escravidão e a participação efetiva das comunidades nas políticas públicas

Foto: Acervo CONAQ

A CONAQ Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas marca presença neste fórum com a Sandra Maria Coordenadora Nacional pelo estado de Minas Gerais da CONAQ e Selma Dealdina Articuladora Política da Conaq. Elas representaram e reafirmaram as demandas históricas do povo quilombola brasileiro

Parabenizo o Fórum de Afrodescendentes, principalmente após a resolução da ONU sobre a escravidão. 25 anos depois de Durban, nós somos os afrodescendentes reconhecidos em Durban em 2001, lutamos para termos nossos territórios titulados pelo Estado Brasileiro, como sujeitos de direito, vivendo nos nossos quilombosMoramos nos quilombos com nossos modos de ocupação tradicionais desde os tempos da escravização, herança dos nossos ancestrais. Esse direito não nos foi efetivadomesmo tendo todos os marcos legais e constitucionais em nosso país

O que reivindicamos é a implementação das leis e tratados internacionais com reconhecimento e a participação plena e efetiva dos quilombolas nas políticas públicas de nosso país para a garantia de vida digna de todas e todos principalmente as mulheres, que são as guardiãs dos campos, das florestas e das águas, e a juventude, que é a continuidade dos quilombos

Oficialmente, ainda há pessoas e projetos contrários ao compromisso de superar esta injustiça climática, o racismo institucional e estrutural com os povos quilombolas. Para começar uma reparação digna para os quilombolas, exigimos a titulação dos nossos territórios com infraestrutura, respeitando o etnodesenvolvimento, como primeiro passo para garantir nossa sobrevivência e cessar as mortes das lideranças que lutam protegendo seus territóriosPor Dona Bernadete Pacífico e todas as lideranças que foram assassinadas no Brasil na luta pelos territórios quilombolasOBRIGADA.diz a Coordenadora, Sandra Maria

No contexto da crise climática global, as comunidades quilombolas se encontram entre as populações mais vulneráveis, ao mesmo tempo em que são protagonistas da preservação ambiental. As mulheres quilombolas, em especial, exercem um papel central como guardiãs da biodiversidade, dos saberes tradicionais e dos recursos naturais reconhecimento que o movimento negro e quilombola insiste em levar às instâncias internacionais

A participação da CONAQ no Fórum Permanente de Afrodescendentes da ONU reafirma o compromisso da organização em articular a luta quilombola local aos fóruns internacionais de direitos humanos, ampliando a pressão sobre o Estado brasileiro para que cumpra seus compromissos constitucionais e os tratados internacionais ratificados

Agenda Paralela 

À margem do Fórum, as representantes da CONAQ participaram de uma agenda paralela de alto nível que marcou um momento único para a delegação brasileira. O encontro reuniu Sandra Maria Andrade e Selma Dealdina Mbaye, pela CONAQ; Ciro Russo, Conselheiro da Missão Permanente do Brasil junto à ONU; Gabriel Dantas, Assessor Internacional do Geledés; e Iradj Eghrari, Consultor em Direitos Humanos da ONU

Gaynell Curry, Presidenta do Fórum Permanente das Nações Unidas sobre Afrodescendentes, também compareceu nesta agenda de relevância para o movimento quilombola brasileiro. Em um gesto especial, após um diálogo de potencial construído em Genebra, a delegação do Brasil convidou Gaynell Curry a caminhar pelos quilombos do Brasil e conhecer 

pessoalmente a realidade das comunidades quilombolas. O convite representa uma oportunidade de aproximar as mais altas instâncias do sistema internacional de direitos humanos as bases que sustentam a luta quilombola – os territórios, as famílias, as lideranças e as histórias vivas que a CONAQ representa