21 de outubro de 2026
4º Festival de Batuques celebra cultura, tradição e ancestralidade no Quilombo Salinas, no Piauí
Nos dias 11 e 12 de setembro, o 4º Festival de Batuques de Quilombos do Piauí reuniu, no Quilombo Salinas, em Campinas do Piauí, lideranças, moradoras/es e caravanas de diferentes territórios quilombolas do estado e do Brasil. Foram dois dias de celebração dos saberes ancestrais, com música, dança, culinária, artesanato e batuques, mas também de debates sobre políticas públicas e os desafios enfrentados pelas comunidades.
Entre griôs, patrimônios vivos e crianças, o festival promoveu o encontro entre diferentes gerações e mostrou que a tradição permanece viva quando os saberes circulam. Crianças e jovens participaram das atividades, cantaram, tocaram e dançaram junto com os mais velhos, em um movimento de continuidade e renovação. É o “começo, meio e começo”, como ensinava Nêgo Bispo: um ciclo em que os conhecimentos não se encerram, mas seguem circulando, sendo compartilhados entre diferentes gerações.
A programação, realizada pela Coordenação Estadual das Comunidades Quilombolas do Piauí (CECOQ-PI), começou na manhã de sexta-feira (11), com a acolhida das delegações visitantes e a abertura da Feira Quilombola de Cultura, Artesanato e Sabores Tradicionais. O espaço reuniu produtos locais, pratos da gastronomia tradicional e peças artesanais produzidas por moradoras/es de diferentes comunidades, fortalecendo a circulação de saberes e também a economia dos territórios.
A primeira mesa de debates teve como tema “Quilombo: memória, cultura e resistência coletiva” e reuniu moradoras/es, lideranças, autoridades locais, representantes dos governos federal, estadual e municipal e da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ).
À noite, o Sambinha de Cumbuca tomou conta da programação. Entre batuques, cantos e danças, as crianças ocuparam o espaço e mostraram, na prática, que a tradição aprendida com os mais velhos continua encontrando novos caminhos para permanecer viva.
Cultura como política pública
As atividades continuaram durante todo o sábado (12), começando com um café comunitário. A programação incluiu um encontro com patrimônios vivos da cultura quilombola do Piauí, rodas de conversa sobre culinária tradicional, PAA e cozinhas solidárias coordenada por Camila Carneiro do Ministério do desenvolvimento social (MDS), debates sobre fortalecimento comunitário e políticas públicas.
A cultura foi um dos temas centrais das discussões. O secretário estadual de Cultura, Rodrigo Amorim, participou da programação ao lado de Cleane Silva, secretária municipal de Cultura de Campinas do Piauí e liderança do Quilombo Salinas. Os editais de cultura divulgados pelo estado e pelo município estavam dentro da pauta.
Cleane destacou a importância de reconhecer e valorizar a cultura como uma política pública tão necessária quanto educação, saúde e as demais para a vida das comunidades.
“É uma satisfação muito grande estarmos realizando o IV Festival de Batuques de Quilombos do Estado do Piauí. O nosso município e o nosso quilombo sediam o maior evento cultural que envolve comunidades quilombolas em todo o estado. A nossa satisfação é enorme porque nós temos hoje, no município de Campinas do Piauí, uma gestão comprometida com a cultura, supercomprometida em tratar a cultura como política pública necessária para a vida do cidadão campinense. O evento está lindo”, afirmou.
Cleane Silva afirmou que as secretarias de cultura e de educação precisam estar unidas na implementação da Educação Escolar Quilombola. “São dois temas que precisam se unir pra se fortalecer: Cultura e Educação. É necessário que as secretarias de educação e de cultura se unam porque é um assunto só. A gente quer que a nossa cultura seja resgatada, fomentada e repassada dentro das salas de aula. E quem está nas secretarias precisa contribuir para que isso aconteça”, afirmou Cleane Silva.
Educação quilombola em debate
A educação quilombola também integrou a programação da tarde de sábado, com a participação do Coletivo Nacional de Educação da CONAQ. O debate contou com a presença de Givânia Silva, cofundadora da CONAQ, coordenadora do Coletivo Nacional de Educação e primeira conselheira quilombola no Conselho Nacional de Educação (CNE), além de liderança do Quilombo Conceição das Crioulas, em Salgueiro (PE).
Lideranças, educadoras/es e integrantes das comunidades compartilharam experiências e discutiram caminhos para fortalecer uma educação contextualizada nos territórios quilombolas. A conversa reafirmou a importância de levar para dentro das escolas a história, a memória, os conhecimentos, a identidade e a cultura produzidos pelas próprias comunidades.
Givânia Silva destacou a formação do Coletivo de Educação Quilombola do Piauí como um passo muito importante para melhorar a realidade da educação quilombola no estado. “É preciso fazer concurso público para professores e professoras quilombolas… concurso específico. Vamo
Mais do que uma programação cultural, o festival se consolidou como um espaço de encontro e articulação entre diferentes gerações e territórios quilombolas do Piauí. Ao reunir batuques, culinária, artesanato, memória, educação e debates sobre políticas públicas, a iniciativa fortalece os vínculos comunitários e contribui para que os saberes ancestrais continuem sendo transmitidos, compartilhados e transformados pelas novas gerações.
A programação também contou com uma exposição de livros de autoria quilombola de diferentes regiões do Brasil. A iniciativa reuniu publicações produzidas por lideranças, pesquisadoras/es, mulheres, educadoras/es, e outras pessoas quilombolas que registram suas próprias histórias, memórias, conhecimentos e experiências, fortalecendo a circulação de saberes e o protagonismo quilombola na produção e preservação de suas narrativas.
A Feira Quilombola de Cultura, Artesanato e Sabores Tradicionais também contribuiu para dar visibilidade à produção das comunidades e gerar oportunidades de renda para produtoras/es e artesãs/ãos dos territórios participantes.
O encerramento aconteceu na noite de sábado, com a grande batucada Quilombola, grupo do reggae e apresentações de artistas locais, reunindo novamente as comunidades em torno da música, da dança e da celebração de suas tradições.
Participação
Estiveram presentes nas atividades do festival Cleane Silva, secretária de Cultura de Campinas do Piauí e Coordenadora da Cecoq; a vice-prefeita Ana Maria da Silva; Givânia Silva, cofundadora da CONAQ e coordenadora do Coletivo Nacional de Educação da organização; Jhonny Martins, coordenador da CONAQ; Marcos Vinícius Ferreira, Representante da Região Nordeste no Fórum Nacional de Culturas Populares e Tradicionais; além de Kaire Aguiar representantes da Superintendência de Igualdade Racial do Piauí, da Secretaria da Assistência Social, Trabalho e Direitos Humanos (SASC), Letícia Queiroz representando o projeto Sistema de Educação por uma Transformação Antirracista (SETA),do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), representado por Camila Carneiro, e da Secretaria de Cultura do Governo do Estado do Piauí, representada pelo secretário Rodrigo Amorim.
A realização do festival foi viabilizada pelo Sistema Nacional de Cultura (SNC), pela Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB) e pelo Ministério da Cultura do Governo Federal, com parceria da Coordenação Estadual das Comunidades Quilombolas do Piauí (CECOQ-PI) e da CONAQ.
Texto por , publicado às 20:27:02
Categoria: Cultura Quilombola Educação Quilombola