28 de abril de 2026
Quilombola capixaba marca presença na Maratona Brasília 2026
Participação uniu pertencimento, ampliou reconhecimento coletivo e inspira novas trajetórias no esporte
A prática esportiva ganhou um novo significado na trajetória de Daniel da Cruz, quilombola de Monte Alegre, no Espírito Santo. Aposentado, formado em Educação Física e atuante como personal trainer voltado ao público idoso, ele decidiu enfrentar um dos maiores desafios de sua jornada: participar da Maratona Brasília 2026.
Ao longo de três dias consecutivos, encarou diferentes percursos. No dia 18 de abril, completou 5 quilômetros; no dia 19, avançou por 10 quilômetros; e, no dia 20, finalizou 21 quilômetros. A sequência exigiu preparo, resistência e disciplina, além de determinação para superar limites.
Inclusão que rompe barreiras

Foto: acervo pessoal
A decisão de participar da competição foi impulsionada por um objetivo maior: ocupar espaços ainda pouco acessados por quilombolas. Para Daniel, a experiência carrega um valor simbólico significativo:
“A inclusão de um quilombola em um esporte tão tradicional, é um momento muito especial pra mim em poder participar de uma maratona representando a minha comunidade”, destacou. A presença nesse cenário evidencia que trajetórias oriundas de territórios tradicionais também podem alcançar visibilidade em ambientes esportivos de grande porte.
Reconhecimento que fortalece causas coletivas
Ao mesmo tempo, a iniciativa contribui para ampliar o debate sobre direitos, identidade e existência dos povos tradicionais. Ao participar da prova, Daniel reforça a importância da visibilidade em diferentes esferas sociais.
“A minha participação contribui que quilombola também tem o seu espaço e fortalece o movimento em meio à sociedade”, afirma. Dessa forma, cada quilômetro percorrido se transformou em expressão de luta e afirmação.
Memória que acompanha cada percurso
No decorrer da corrida, momentos de reflexão marcaram a experiência. Isso porque, em meio ao ritmo intenso, surgiu a consciência do papel que desempenhava naquele instante. “Durante a prova tive aquele momento de reflexão de estar ali fazendo o meu trabalho e representando uma comunidade”, relata. Esse elo entre trajetória individual e história coletiva reforça o sentido da participação e coletividade presente nos territórios quilombolas.
É preciso enfatizar que além do impacto simbólico, a atividade física assume papel essencial na promoção da qualidade de vida em territórios tradicionais. Em outras palavras, exercícios contribuem para reduzir riscos de doenças como hipertensão, diabetes e obesidade.
Corrida, futebol, dança e jogos culturais são algumas das práticas/tradições que fazem parte do dia a dia dos quilombos espalhados pelos quatro cantos do Brasil. Além de estar ligado à tradição, elas fortalecem o condicionamento, mobilidade e saúde, sobretudo em locais onde infelizmente o acesso a serviços especializados ainda é limitado.
Texto por Thaís Rodrigues, publicado às 10:39:02
Categoria: Esporte