Notícias

10 de outubro de 2026

CONAQ leva à Madrid a luta das mulheres quilombolas e o Plano Emergencial Cafuné

Participação de Defensores e Defensoras de Direitos Humanos, fortalece a visibilidade das violações enfrentadas pelos quilombolas no Brasil.

Entre os dias 5 e 9 de outubro, o Coletivo de Mulheres, representado por Edna Paixão, esteve presente em Madrid, na Espanha, durante o II Programa de Defensores e Defensoras de Direitos Humanos, promovido pela Fundação Carolina. O encontro reuniu participantes para debater questões atuais, considerando os desafios e as ameaças enfrentados na defesa dos direitos fundamentais.

“Participar desse Programa da Fundação Carolina, é dizer à Europa que as comunidades quilombolas no Brasil estão em constante luta pela defesa de seus territórios. É afirmar que as mulheres são a base desses territórios e que não vamos retroceder”, destacou a representante.

Durante a programação, foram apresentadas as violações que atingem os Territórios quilombolas no Brasil, onde direitos historicamente conquistados seguem ameaçados. A participação também foi uma oportunidade de ampliar o diálogo internacional sobre a realidade e os desafios enfrentados por suas lideranças na luta pela garantia de direitos, pela proteção de seus territórios e pela continuidade de seus modos de vida.

Nesse contexto, foi apresentado o Coletivo Nacional de Mulheres Quilombolas da CONAQ, espaço de organização política, articulação e fortalecimento. A iniciativa evidencia a importância de reconhecer as especificidades dessas mulheres, que enfrentam diferentes formas de violência e violações de direitos, ao mesmo tempo em que desempenham um papel fundamental na defesa dos territórios, da ancestralidade e da vida coletiva. 

Proteção, acolhimento e fortalecimento comunitário

Foto: Acervo CONAQ

Na ocasião foi apresentado também o Cafuné, Plano Emergencial de Proteção para Mulheres Quilombolas Defensoras de Direitos Humanos, construído a partir das realidades, necessidades e experiências das  mulheres quilombolas. A iniciativa nasce da preocupação com o agravamento das ameaças, perseguições e violências enfrentadas por lideranças quilombolas e propõe caminhos de acolhimento, cuidado e fortalecimento comunitário.

A apresentação do Plano em um espaço internacional reafirma a importância de construir estratégias de proteção que considerem as particularidades dos territórios quilombolas e as experiências de quem vivencia essas violações, além de contribuir para ampliar a visibilidade da luta quilombola, fortalecendo o diálogo sobre os desafios enfrentados por defensoras e defensores de direitos humanos. Mais do que uma ferramenta de cuidado, o plano expressa a força da organização coletiva das mulheres quilombolas e a capacidade de formular respostas próprias diante das ameaças aos seus direitos e à sua existência. 

Assim a CONAQ segue reafirmando que proteger quem defende direitos é também garantir a continuidade das lutas por justiça, dignidade e liberdade nos territórios.