Notícias

12 de novembro de 2025

Vozes quilombolas ecoam na COP30: mulheres e territórios em defesa da justiça climática

Movimento reafirmou o protagonismo das mulheres negras e dos povos tradicionais na construção de uma transição ecológica justa e antirracista.

Durante o terceiro dia de atividades da CONAQ na COP30, o protagonismo das mulheres quilombolas e o papel dos territórios na construção de soluções climáticas voltaram a ocupar o centro das discussões. A coordenadora executiva da CONAQ, Rejane Oliveira, participou da programação “Financiamento climático com governança feminina e de grupos racializados”, destacando a urgência de colocar a equidade no centro da governança climática.

Financiamento climático com justiça e equidade

O espaço, marcado por rodas de conversa, cafés de networking e dinâmicas participativas, reuniu lideranças de diferentes regiões do Brasil e do Sul Global. O debate foi unânime em afirmar que não há financiamento climático justo sem a presença efetiva de mulheres e pessoas racializadas,  especialmente aquelas que vivem e defendem seus territórios.

Recursos climáticos precisam chegar aos territórios

Em sua fala, Rejane reforçou que os recursos climáticos precisam chegar aos quilombos, às mulheres negras e aos povos tradicionais, que há séculos cuidam da terra e mantêm práticas sustentáveis. “É urgente transformar a distribuição de poder e capital, reconhecendo as lideranças comunitárias como protagonistas das soluções climáticas”, afirmou.

Alianças para uma transição ecológica antirracista

A presença da CONAQ nesse diálogo amplia a visibilidade das mulheres quilombolas e fortalece alianças com outros movimentos e setores comprometidos com uma transição ecológica antirracista e com justiça social.

Publicação do IBGE revela desafios nos quilombos amazônicos

Na mesma jornada, Arilson Ventura e Fabio Souza representaram a CONAQ no lançamento da publicação “Áreas Protegidas na Amazônia Legal: um retrato ambiental e estatístico”, estudo do IBGE que trouxe dados alarmantes sobre a situação dos quilombos amazônicos. O levantamento evidencia que muitas comunidades ainda vivem sem acesso efetivo a políticas públicas, o que impacta diretamente seus direitos territoriais e suas condições de vida.

Precariedade e resistência na Amazônia Legal

“A pesquisa mostrou que a precariedade também existe na Amazônia Legal, sobretudo no percentual significativo de ausência de política pública na região”, alertou Arilson. Ainda assim, ressaltou que, mesmo diante da omissão do Estado, as comunidades quilombolas seguem protegendo a floresta, a biodiversidade e a memória ancestral do país.

Soluções territoriais em debate na zona azul

Encerrando o dia, a coordenadora nacional Kátia Penha levou a voz das comunidades quilombolas à mesa “Soluções Territoriais para o Clima”, realizada na zona azul da conferência. O painel contou com a participação de Luene Karipuna (Associação das Mulheres Indígenas em Mutirão – AMIM), Cleide Terena (Associação das Mulheres Indígenas do Território Tirecatinga – Thuatalinansu), Ewesh Yawalapiti Waurá (Rede Xingu+) e Davi Kopenawa (Associação Hutukara Yanomami).

Diálogo intercultural como fundamento das soluções climáticas

Em uma fala contundente, Kátia reafirmou a importância do diálogo intercultural e da escuta: “Sem dialogar conosco, pode-se pensar na ciência mais bonita do planeta, pode-se estudar nas melhores universidades, mas se não se sentar com nossos mais velhos, com nossos griôs, não vai ver por que a gente escuta a terra e a natureza.”

Ao defender o protagonismo das mulheres negras e o fortalecimento dos territórios, a CONAQ reafirma que não há transição justa sem quilombo titulado e sem equidade racial e de gênero na governança global do clima.