Notícias

3 de dezembro de 2025

Vitória Quilombola: 12 aprovados no primeiro curso de Medicina do Pronera

Programa histórico garante acesso de quilombolas ao ensino superior em Medicina na UFPE, fruto da luta da CONAQ e movimentos sociais do campo.

O curso de graduação em Medicina oferecido pelo Programa Nacional de Educação na Reforma Agrária (Pronera), em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), marca um momento histórico para o povo quilombola. Pela primeira vez, abriu uma turma de Medicina na UFPE, e 12 quilombolas do Nordeste foram aprovados, resultado de uma conquista coletiva que reflete anos de resistência e mobilização.

A Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), junto ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), atuou em ações judiciais para garantir a viabilidade do curso, enfrentando pareceres contrários de setores do Judiciário. Hoje, a vitória é celebrada como símbolo da força e da persistência do povo quilombola.

Acervo: CONAQ

 

Ana Cláudia de 35 anos, quilombola de Conceição das Crioulas é uma das aprovadas, destaca a importância da conquista:

“Sou fruto da formação política no Movimento Quilombola e da vivência coletiva no quilombo. Estar na turma de Medicina do Pronera é honrar nossos ancestrais e contribuir para a melhoria da vida no campo.”

 A política pública desenvolvida pelo INCRA em parceria com movimentos sociais, busca promover a educação formal como ferramenta de transformação social, inclusão e justiça. A presença quilombola na turma de Medicina é a realização de um sonho coletivo e reafirma o compromisso com a promoção da saúde e do bem-estar nas comunidades rurais e quilombolas.

A formação acadêmica, segundo os cursistas, não substitui os saberes ancestrais já presentes nas comunidades como os das parteiras, benzedeiras e meizinheiras, que soma forças para ampliar o cuidado e tornar o processo de saúde mais humanizado.

“Viva a saúde do povo quilombola! Viva o Pronera! Viva a educação!”, celebram os participantes, conscientes da responsabilidade de usar o conhecimento adquirido para servir às suas comunidades e fortalecer a luta por justiça e igualdade.