8 de outubro de 2025
Um ano sem justiça: assassinato de Arlindo Firmo segue impune na Bahia
Líder foi morto a tiros na porta de casa no Quilombo Tamboril, em Condeúba; suspeito foi identificado, mas continua foragido, e o caso permanece sem solução
Há um ano, a comunidade quilombola de Tamboril, no município de Condeúba, no sudoeste da Bahia, vive um luto que não cessa. O líder quilombola e agente de saúde Arlindo Firmo de Brito, de 60 anos, foi brutalmente assassinado a tiros na porta de sua casa, na tarde do dia 8 de outubro de 2024. Desde então, a família e os moradores da comunidade seguem cobrando respostas das autoridades.
Ele era uma figura respeitada e querida por todos. Atuava há décadas na área da saúde e na defesa dos direitos da população quilombola. Seu trabalho era reconhecido por promover o cuidado coletivo e lutar pela melhoria das condições de vida da comunidade Tamboril.
O principal suspeito do crime, Wilson Pereira Pardinho, foi identificado pela Polícia Civil, mas segue foragido. Um ano após o assassinato, nenhuma prisão foi realizada e o inquérito não teve desdobramentos públicos. O silêncio e a lentidão das investigações têm gerado indignação e sentimento de abandono entre os familiares e amigos.
“Arlindo era um símbolo de resistência, cuidado e luta pelo seu povo. Como agente de saúde e liderança, dedicou sua vida a defender a dignidade e os direitos da comunidade quilombola. Seu assassinato é mais um retrato do racismo estrutural e da violência que atinge lideranças no Brasil”, afirmou a CONAQ.
Organizações quilombolas denunciam que o assassinato de Arlindo revela a vulnerabilidade das lideranças negras e rurais, frequentemente expostas a ameaças por defenderem o território e os direitos das comunidades tradicionais. A falta de resposta efetiva da polícia reforça a percepção de racismo institucional e descaso do poder público com a vida quilombola.
O caso de Arlindo não é isolado. “Lideranças quilombolas seguem sendo alvo de violência e impunidade. O Estado precisa garantir segurança, investigar e punir os responsáveis”, afirma a entidade. Enquanto o caso segue sem solução, o Quilombo Tamboril mantém viva a memória de Arlindo Firmo, um homem que dedicou a vida à luta pelo bem-viver de seu povo.
Texto por Comunicação CONAQ, publicado às 14:05:36
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