17 de agosto de 2026
Três anos sem Mãe Bernadete: memória, resistência e luta quilombola
Liderança do Quilombo Pitanga dos Palmares, na Bahia, permanece como símbolo da defesa dos territórios, da ancestralidade e dos direitos dos quilombos.
Em 17 de agosto de 2023, Maria Bernadete Pacífico, conhecida como Mãe Bernadete, foi assassinada dentro de sua própria casa, no Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho (BA). Ialorixá, defensora dos direitos humanos e integrante da CONAQ, ela dedicou sua trajetória à proteção da vida, da cultura negra, da ancestralidade e do território quilombola.
Três anos depois, sua história permanece presente na mobilização de mulheres, lideranças e comunidades que seguem enfrentando ameaças e defendendo seus modos de vida. Sua caminhada também foi marcada pela busca por justiça após o assassinato de seu filho, Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, o Binho do Quilombo, morto em 2017.
Justiça ainda precisa ser completa
Em abril de 2026, dois acusados pelo assassinato de Mãe Bernadete foram condenados, em um julgamento considerado pela CONAQ um avanço importante. No entanto, outros envolvidos ainda aguardam julgamento, e a organização reforça a necessidade de responsabilização de toda a cadeia relacionada ao crime.
O caso também evidencia a persistência da violência contra defensores quilombolas e a necessidade de fortalecer as políticas públicas de proteção. A CONAQ cobra medidas efetivas para garantir a segurança das lideranças, além do avanço na titulação dos territórios, destacando que proteger quem defende a terra é também assegurar a continuidade das comunidades.
Neste 17 de agosto, ela segue sendo lembrada não apenas pela violência que interrompeu sua vida, mas pela mulher que cuidava, liderava, ensinava, acolhia e enfrentava injustiças. Sua presença permanece nas comunidades e nas novas gerações que transformam sua memória em continuidade da luta.
Leia a nota da CONAQ na íntegra aqui.
Texto por Comunicação CONAQ, publicado às 09:30:20
Categoria: Notas da CONAQ