17 de outubro de 2025
Território, resistência e construção coletiva marcam o I Encontro Regional de Educação Escolar Quilombola do Centro Oeste
O I EREEQ reuniu cerca de 150 pessoas no IFG campus Uruaçu (GO) entre os dias 1° e 4 de outubro
O I Encontro Regional de Educação Escolar Quilombola do Centro Oeste, realizado em Uruaçu (GO), foi um momento significativo na luta por uma educação fundamentada nas perspectivas e experiências das comunidades quilombolas. Realizado entre os dias 1° e 4 de outubro, o evento reuniu cerca de 150 pessoas quilombolas dos estados de Goiás (GO), Mato Grosso (MT), Mato Grosso do Sul (MS) e de Brasília (DF).
O EREEQ Centro-Oeste aconteceu dentro do Encontro de Culturas Negras, no Instituto Federal de Goiás (IFG), campus Uruaçu. Participaram da programação lideranças do movimento quilombola, mestres e mestras dos saberes, educadoras/es, estudantes, pesquisadores/as, crianças e representantes de instituições públicas. Nos quatro dias de programação foram realizadas várias atividades e foi possível oportunizar a troca de saberes, partilha de experiência e construção coletiva de propostas para fortalecer a Educação Escolar Quilombola.
Por meio de rodas de conversas por estados e em plenárias foram realizados diagnósticos das potencialidades, das vulnerabilidades e dos objetivos que a região deseja alcançar para a Educação Escolar Quilombola.
Flávia Costa e Silva, quilombola de Mesquita, professora e membro do Coletivo Nacional de Educação da CONAQ afirmou que durante o encontro foram realizados momentos de trocas de saberes, confluências e produção de novos conhecimentos.
“Tivemos momentos ricos de partilha de saberes. Pudemos ouvir os representantes ali presentes sobre a realidade das suas comunidades, os problemas que enfrentam e as conquistas em relação à Educação Escolar Quilombola. A programação contou com mesas, rodas de conversas, oficinas e apresentações culturais. Muitos participantes relataram que estavam voltando para suas comunidades e escolas renovados/as e cheios/as de perspectivas de transformação da educação em seus territórios”, disse Flávia.
Uma das rodas de conversa foi sobre circularidades de saberes. O momento reuniu os mestres e mestres quilombolas da região centro-oeste que falaram sobre a memória, a oralidade, as práticas tradicionais de ensino e de aprendizagem. “Foi um momento muito rico, que reafirma o território como espaço de resistência, de educação, de luta e de ancestralidade. Tivemos a oportunidade de ouvir os mais velhos, aprender com suas histórias e sentir a força que vem dos ancestrais” afirmou Flávia.
O encontro também contou com mesas e rodas de conversa sobre:
- Quilombolas no ensino superior: acesso, permanência e produção de saberes;
- PNE e PNEERQ: políticas para justiça racial e a perspectiva escolar no Centro-Oeste;
- Quilombolas na educação Básica: currículo, práticas pedagógicas e resistência nos territórios
- Oficina: Chaveirinho identitário-Boneca Catarina
- Oficina: A experiência da GEOTINTA em Carolina Maria de Jesus
- Plenária e Leitura da carta EREEQ
A carta elaborada de forma coletiva a partir das demandas aponta “o que temos”, “o que nos falta” e “o que queremos” para fortalecer a Educação Escolar Quilombola na região.
A carta defende que para haver efetivação da EEQ é imprescindível e urgente a demarcação e regularização fundiária dos territórios quilombolas e que sem o reconhecimento legal e a proteção jurídica não há como consolidar uma política educacional que respeite os saberes ancestrais, os projetos de vida coletivos e a autonomia dos povos quilombolas.
Um trecho do documento afirma: “Esta carta é fruto da nossa caminhada histórica e fortalecida pelas nossas ancestralidades. É uma síntese de nossas angústias e esperanças. Exigimos a efetivação das políticas já existentes e criação de novas políticas com a participação das comunidades quilombolas para a melhoria da Educação Escolar Quilombola”.
LEIA AQUI – CARTA DO I ENCONTRO DE EEQ DO CENTRO OESTE
Em vários momentos do Encontro, lideranças quilombolas exigiram a efetivação das políticas já existentes e criação de novas políticas com a participação das comunidades quilombolas para a melhoria da Educação Escolar Quilombola.
Além disso, os grupos reafirmaram que a efetivação da Educação Escolar Quilombola, em sua plenitude, é imprescindível e urgente a demarcação e regularização fundiária das terras quilombolas, pois é no chão do território que se estruturam os modos próprios de viver, aprender, ensinar e resistir.
Durante o encontro também foram realizadas exposição e feira com produtos produzidos nas comunidades quilombolas e apresentações de Sussa Kalunga, do Goiás e do Grupo de dança Herança dos Reis, de Mato Grosso do Sul.
Veja como foi o Encontro da Região Nordeste
Veja como foi o Encontro da Região Sudeste






Texto por Letícia Queiroz, publicado às 11:13:10
Categoria: Educação Quilombola