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27 de janeiro de 2026

Segundo dia do Planejamento das Mulheres da CONAQ aprofunda debate sobre políticas públicas e estratégias para 2026

Encontro em Brasília reuniu lideranças quilombolas para definir prioridades, fortalecer ações institucionais e dialogar com órgãos públicos. 

O segundo dia do Planejamento Estratégico do Coletivo/Secretaria Nacional de Mulheres da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), realizado nesta terça-feira (27), em Brasília (DF), foi marcado por debates sobre políticas públicas, fortalecimento das pautas das mulheres quilombolas e definição de prioridades para 2026. O encontro reúne mulheres quilombolas de diversos estados do país.

Ao longo do dia, foram discutidas agendas, ações e mobilizações para o próximo período, além de realizados diálogos institucionais com o Ministério das Mulheres e o Instituto Federal de Goiás (IFG), fortalecendo articulações estratégicas para a incidência política do movimento.

Pela manhã, as atividades tiveram início com uma roda de confluência, seguida pelo debate sobre a organicidade do Coletivo/Secretaria Nacional de Mulheres da CONAQ e a apresentação do Planejamento Estratégico 2026. A proposta está estruturada nos eixos de formação política, autocuidado e proteção de defensoras de direitos humanos, além da ampliação da participação política das mulheres quilombolas. O momento incluiu ainda a socialização das ações já desenvolvidas pelo coletivo e das agendas estratégicas para o próximo período.

Foto: Pedro Garcês/ Comunicação CONAQ

 

Diálogos sobre políticas públicas voltadas às mulheres quilombolas 

No período da tarde, foi realizada a mesa “Fortalecer o movimento de mulheres quilombolas por meio das ações estruturantes de formação e participação social, especialmente no âmbito da justiça climática, participação política e defesa dos direitos humanos”, conduzida por Maryellen Crisóstomo e Ivone Matos, do Coletivo de Mulheres da CONAQ. A mesa contou com a presença das secretárias do Ministério da Mulher: Sandra Kennedy (secretária nacional de Articulação Institucional, Ações Temáticas e Participação Política (SENATP) e Rosane da Silva (Secretária Nacional de Autonomia Econômica e Política de Cuidados); e Ingrid Gonçalves, professora do Instituto Federal de Goiás (IFG).

Abrindo o diálogo, Maryellen Crisóstomo e Ivone Matos apresentaram a estrutura do Coletivo de Mulheres da CONAQ, destacaram os desafios enfrentados na construção de políticas públicas voltadas às mulheres quilombolas e reforçaram a importância do Fórum de Mulheres Quilombolas, criado a partir de demanda apresentada no II Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas da CONAQ, como espaço estratégico de incidência política.

A coordenadora executiva da CONAQ, Xifroneze Santos , fez uma fala política destacando que muitas das políticas públicas construídas nos últimos anos ainda não chegaram às mulheres quilombolas na ponta. Ela criticou modelos que não dialogam com a realidade dos territórios, e cobrou respostas concretas do Ministério das Mulheres, especialmente em pautas como demarcação dos territórios, financiamento da agricultura quilombola, saúde e proteção de defensoras de direitos humanos.

 

Foto: Pedro Garcês/ Comunicação CONAQ

 

As mulheres do coletivo também destacaram os principais desafios na construção das políticas públicas, apontando a falta de escuta, as dificuldades de acesso e a burocracia como entraves. As falas reforçaram a necessidade de políticas estruturantes, voltadas à geração de renda, fomento, regularização dos territórios, representatividade nos espaços de decisão e proteção de defensoras e defensores de direitos humanos, reafirmando o princípio: “Nada sobre nós, sem nós”.

Rosane da Silva (Secretária Nacional de Autonomia Econômica e Política de Cuidados) informou que o Fórum de Mulheres Quilombolas passa por um processo de reestruturação e retomada, e citou a execução de algumas políticas públicas em andamento. Como encaminhamento, Sandra Kennedy (Secretária Nacional de Articulação Institucional, Ações Temáticas e Participação Política (SENATP) afirmou, em nome da ministra das Mulheres Márcia Lopes, o compromisso de retomar o diálogo com o Coletivo de Mulheres da CONAQ e reconstruir o Fórum de Mulheres Quilombolas, além de reativar o comitê para acompanhamento das demandas prioritárias, apresentadas pelo movimento. A secretária solicitou o envio de uma proposta do coletivo de Mulheres da CONAQ sobre o formato e funcionamento do fórum.

Ingrid Gonçalves, do IFG, apresentou informações sobre o Plano de Trabalho do Termo de Execução Descentralizada (TED), realizado com a parceria do Ministério da Mulher, a partir de desdobramento do Fórum de Mulheres Quilombolas, que prevê recursos para a realização do III Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas da CONAQ.

Foto: Pedro Garcês/ Comunicação CONAQ

 

Apoio 

A semana de Planejamento de Mulheres da CONAQ conta com apoio da COSPE, Negra Anastácia, Fundo Casa Socioambiental, Ibirapitanga, Thousand Currents, WWF, Cooperación Española, Grassroots International e Bem-Te-Vi Diversidade.