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6 de julho de 2026

Quilombos de Castainho e Estivas recebem Caatinga Climate Week e destacam ancestralidade na defesa do bioma

Comunidades de Garanhuns (PE) compartilharam saberes, práticas sustentáveis e modos de vida que fortalecem a proteção do bioma e a justiça climática.

Garanhuns (PE) – Os quilombos Castainho e Estivas, em Garanhuns, no Agreste pernambucano, receberam, no dia 2 de julho, uma das programações do Caatinga Climate Week, iniciativa do Centro Sabiá e do Instituto Socioambiental que reuniu representantes de organizações da sociedade civil, instituições de pesquisa, movimentos populares, comunicadores, lideranças comunitárias e visitantes de diferentes estados brasileiros e de outros países para conhecer, de perto, experiências quilombolas de preservação da Caatinga.

Mais do que uma visita aos territórios, a programação proporcionou uma imersão nos modos de vida construídos ao longo de gerações por famílias quilombolas que mantêm viva uma relação de equilíbrio com o semiárido. As atividades evidenciaram como os conhecimentos ancestrais seguem orientando práticas de conservação ambiental, produção de alimentos, valorização cultural e defesa dos territórios tradicionais.

Durante todo o percurso, os participantes puderam conhecer iniciativas que demonstram que a proteção da biodiversidade e o enfrentamento das mudanças climáticas caminham lado a lado com a garantia dos direitos territoriais dos quilombolas.

Cultura, memória e identidade como caminhos para cuidar da natureza

Foto: Beto Figueiroa

A programação teve início no Espaço Cultural Mestra Zeza do Coco, no Quilombo Castainho, onde os visitantes foram acolhidos com apresentações sobre a história da comunidade e suas manifestações culturais. O momento reforçou que a preservação ambiental também passa pela valorização da memória, da identidade e das tradições que moldam a relação entre o povo quilombola e seu território.

Os participantes também conheceram o Café Étnico, produzido pela Associação de Mulheres Guerreiras Quilombolas Castainho, iniciativa que une geração de renda, fortalecimento da economia comunitária e valorização da produção local. Em seguida, participaram de vivências sobre os conhecimentos tradicionais relacionados ao manejo da Caatinga e à convivência sustentável com o bioma.

Para a Mestra Zeza do Coco, receber visitantes de diferentes partes do Brasil e do mundo representa o reconhecimento da trajetória de resistência construída pela comunidade.

“É uma alegria muito grande abrir as portas da nossa comunidade para receber pessoas de tantos lugares. Aqui mostramos que nossa cultura, nossa história e nossos saberes são fundamentais para cuidar da natureza. A Caatinga vive porque nossos ancestrais nos ensinaram a respeitar e proteger esse território.”

Experiências que atravessam gerações

Foto: Beto Figueiroa

No Quilombo Estivas, a programação prosseguiu com uma caminhada pelo território, permitindo aos participantes conhecer de perto a paisagem, a organização comunitária e as estratégias desenvolvidas para conviver com o semiárido. A visita ao quintal produtivo do senhor Vicente revelou práticas de agricultura familiar baseadas na diversidade de cultivos, no uso responsável dos recursos naturais e na transmissão de conhecimentos entre diferentes gerações.

Segundo ele, o espaço sintetiza a história da comunidade e a relação construída com a terra ao longo do tempo. “Nosso quintal é fruto do trabalho de muitas gerações. Cada planta, cada árvore e cada prática que mostramos aqui carregam conhecimento ancestral. Receber o grupo do Caatinga Climate Week é mostrar que o povo quilombola sabe produzir preservando a natureza.”

A experiência demonstrou que os quintais produtivos vão além da produção de alimentos. Eles representam espaços de preservação da biodiversidade, segurança alimentar, autonomia econômica e continuidade dos saberes tradicionais que fortalecem a convivência com a Caatinga.

Territórios tradicionais no centro da agenda climática

 

Foto: Beto Figueiroa

Para Marinho do Santos, coordenador nacional da CONAQ (PE) e liderança do quilombo, sediar uma atividade de alcance internacional reafirma o protagonismo das comunidades quilombolas nas discussões sobre justiça climática e conservação ambiental.

“Receber o Caatinga Climate Week em nossos territórios demonstra que os quilombos têm muito a ensinar sobre preservação ambiental, justiça climática e convivência com a Caatinga. É um momento importante para dar visibilidade às nossas lutas, fortalecer as organizações quilombolas e mostrar que proteger os territórios tradicionais é também proteger o futuro do planeta.”

A realização da programação contou com o protagonismo das próprias comunidades, com o apoio do movimento quilombola e de diversas instituições parceiras. Ao longo do encontro, os participantes puderam vivenciar experiências concretas de conservação desenvolvidas por famílias que, há séculos, preservam o bioma por meio de práticas baseadas no respeito à natureza e na gestão coletiva do território.