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4 de outubro de 2025

Quilombolas e povos tradicionais reforçam luta por agroecologia e justiça climática

Em Brasília, conferência debateu direito à terra, agricultura tradicional e fortalecimento das comunidades, com destaque para a participação da CONAQ

Entre os dias 1 a 3 de outubro, a 3ª Conferência Nacional de Desenvolvimento Rural Sustentável e Solidário, realizada em Brasília (Distrito Federal), foi marcada pela força coletiva e pela reafirmação das lutas dos povos do campo, das águas e das florestas. Durante os três dias de atividades, representantes de diversas comunidades tradicionais, entre elas quilombolas, indígenas e agricultores familiares, se reuniram para debater caminhos rumo a uma transição agroecológica justa e sustentável. 

Troca de confluências

O primeiro dia foi dedicado à mística de abertura, à mesa institucional e à apresentação do regulamento da Conferência Setorial de Povos e Comunidades Tradicionais. Na sequência, os participantes se dividiram entre cinco eixos temáticos: mudanças climáticas, transformação agroecológica, reforma agrária e direito ao território, cidadania e bem viver e governança das políticas públicas.

Nos debates, as vozes dos povos tradicionais ecoaram com força, denunciando as desigualdades históricas e reafirmando o papel central da agricultura familiar e tradicional na preservação da biodiversidade e na segurança alimentar. Para a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), a presença quilombola na conferência representa não apenas resistência, mas também a construção ativa de soluções para o futuro.

Demandas

Durante o segundo dia, as atividades incluíram rodadas de debates, grupos de trabalho e reuniões autogestionadas, culminando na votação de propostas prioritárias. Cada decisão foi marcada pelo compromisso com a justiça social e ambiental.

No encerramento, a plenária final e a mística coletiva reforçaram a espiritualidade e a união entre os povos. Seis quilombolas foram eleitos para integrar a delegação que representará as comunidades tradicionais na etapa nacional da conferência, ampliando a incidência política e a defesa de direitos.

Juventude em marcha 

Para Andrey Santos, coordenador executivo e integrante do coletivo de juventude da CONAQ, a participação quilombola é essencial nesse processo. “Os quilombos são futuro, resistência e protagonismo. Nossa voz precisa estar em todos os espaços onde se constrói o Brasil que queremos”, destacou.

A conferência reafirmou que a transformação agroecológica não é apenas um modelo produtivo, mas um projeto de país,  baseado na justiça climática, na soberania alimentar e no bem viver dos povos tradicionais.