31 de julho de 2025
Quilombolas denunciam Suzano e relembram reportagem do Intercept Brasil sobre invasão de terras
Investigação publicada há dois anos, revela o impacto em comunidades e acende alerta sobre violações territoriais
Em uma reportagem divulgada pelo The Intercept Brasil em 20 de outubro de 2022, o avanço da empresa Suzano Papel e Celulose sobre territórios quilombolas no Maranhão foi exposto como um grave caso de desrespeito aos direitos originários das comunidades.
No vídeo originalmente publicado no canal da agência, quilombos no município de Parnarama são retratados lutando contra liminares judiciais que concedem à multinacional o direito de avançar sobre áreas centenárias das comunidades. A matéria destaca como os quilombolas foram sistematicamente prejudicados por remoções e processos judiciais desfavoráveis.
O material divulgado e que possui grande impacto foi parte de um dossiê mais amplo que levantou denúncias contundentes sobre violações de direitos coletivos e ambientais. O caso ainda permanece vivo: comunidades ainda enfrentam conflitos fundiários, ameaças e ausência de titulação formal de seus territórios, o que gera insegurança jurídica e vulnerabilidade.
A reportagem ainda expôs como a falta de regularização impede o acesso das comunidades a políticas públicas básicas, como saneamento, saúde e educação adequadas às suas necessidades.
Ameaça a identidade e a resistência
O cerne do conflito é a luta pelo território. No Maranhão, mais de 800 comunidades quilombolas convivem com a insegurança jurídica e a demora nos processos de regularização fundiária. Essa morosidade, associada a interesses econômicos poderosos, tem aberto espaço para a grilagem de terras e a imposição de projetos que ameaçam modos de vida ancestrais.
No caso das comunidades de Parnarama, a chegada da Suzano trouxe consigo não apenas o eucalipto, mas a destruição de áreas de agricultura de subsistência, a diminuição dos recursos hídricos e o aumento da pressão sobre as lideranças. A pauta expôs como a empresa, através de liminares e estratégias jurídicas agressivas, conseguiu se apropriar de áreas disputadas judicialmente, ignorando a existência de processos de regularização territorial em andamento.
Destruição disfarçada de progresso
A monocultura do eucalipto, além de devastar a biodiversidade local, compromete o equilíbrio ecológico e social das comunidades quilombolas. Os relatos colhidos pelo Intercept mostraram como a expansão das plantações impacta diretamente o acesso à água, afeta a produção de alimentos e altera profundamente o modo de vida das famílias quilombolas. “Eles chegam dizendo que trazem progresso, mas o que sobra pra gente é poeira, sede e ameaça”, disse uma das lideranças entrevistadas na época.
A situação é agravada pela conivência de órgãos públicos que, ao não avançarem nos processos de titulação, deixam as comunidades expostas a conflitos fundiários. A ausência do Estado na proteção efetiva dos territórios quilombolas transforma as próprias lideranças em alvos constantes de criminalização e violência.
Dois anos depois: a luta permanece
Apesar da repercussão da reportagem, a situação no estado não teve tanto avanço. A investida da Suzano sobre as terras segue sendo uma realidade, e a lentidão dos processos de regularização fundiária mantém as comunidades em uma situação de vulnerabilidade jurídica e social. No entanto, a mobilização das lideranças, coletivos da CONAQ, segue.
Nos últimos dois anos, as comunidades quilombolas têm intensificado sua articulação política, buscando apoio em instâncias internacionais de direitos humanos e fortalecendo suas estratégias de comunicação para furar o bloqueio midiático. A denúncia feita segue como referência e ferramenta de visibilidade, sendo utilizada em debates, audiências públicas e mobilizações.
Reconhecimento territorial urgente
O que está em jogo, no fim das contas, é o direito à vida digna, ao território e ao bem viver. Os quilombos do Maranhão, assim como tantos outros, seguem esperando por uma resposta efetiva do Estado em relação à luta pela titulação.
Enquanto a Suzano segue lucrando com o eucalipto, as comunidades resistem com memória, cultura e organização. E, como bem mostrou o conteúdo, essa resistência merece ser contada e respeitada.
Fonte: The Intercept Brasil
Confira a reportagem completa clicando aqui!
Texto por Comunicação CONAQ, publicado às 18:12:05
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