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18 de agosto de 2025

Quilombo Poço do Angico se despede de sua matriarca e líder comunitária, Maria Raimunda da Silva (Maria Rocha), aos 100 anos

Centenária referência deixa exemplo de resistência, fé e união no Vale do Piancó

O Quilombo Poço do Angico, no município de Pedra Branca, Vale do Piancó, amanheceu em luto neste domingo (17/08/2025) com a partida de sua matriarca e líder comunitária, Maria Raimunda da Silva, conhecida carinhosamente como Maria Rocha, aos 100 anos de idade.

Mulher negra, quilombola, símbolo de resistência e sabedoria, Dona Maria deixa um legado imensurável para seu povo e para todos que tiveram a oportunidade de conviver com ela. Viúva ainda jovem, enfrentou as dificuldades da vida praticamente sozinha, criando com coragem e determinação seus 14 filhos. Sua descendência hoje alcança 51 netos, 91 bisnetos e 15 tataranetos, prova viva de sua força e de sua história.

Mais do que mãe e avó, Dona Maria foi guardiã da memória coletiva do Quilombo Poço do Angico. Sua voz e suas lembranças foram fundamentais no processo de reconhecimento da comunidade junto ao Estado brasileiro, em fase de certificação pela Fundação Cultural Palmares. Sua trajetória de vida se entrelaça à luta do quilombo, fortalecendo a identidade e a valorização da cultura quilombola no Vale do Piancó.

O legado de Dona Maria Rocha permanecerá como inspiração para as gerações futuras, reafirmando a importância da ancestralidade, da resistência e da continuidade da luta por direitos e reconhecimento dos povos quilombolas.