14 de novembro de 2025
Protagonismo quilombola é ampliado na COP30 com debates sobre maritórios, soberania territorial e justiça climática
Vozes dos territórios fortalecem agendas sobre defesa das águas, autonomia comunitária e enfrentamento à crise ambiental.
O quinto dia da participação do movimento na COP30 foi marcado por uma agenda intensa que fortaleceu a presença política quilombola nos espaços oficiais e na Cúpula dos Povos. Entre debates sobre maritórios, denúncias de injustiças ambientais e celebrações da ancestralidade, o dia reafirmou a centralidade dos territórios quilombolas nas soluções para a crise climática.
Maritórios afrodescendentes: memória, identidade e clima
A manhã desta sexta-feira (14) começou no Museu Goeldi, com o evento “Marés de Justiça: Povos Afrodescendentes e os Maritórios”, que apresentou reflexões profundas sobre territórios marítimos, espaços de vida, cultura e identidade que se estendem para além da terra firme.
Pesquisadores e lideranças da CITAFRO discutiram o Atlas Maritórios Afrodescendentes do Grande Caribe, estudo conduzido pela Rights and Resources Initiative (RRI), CITAFRO, Observatório de Territórios Étnicos e Campesinos e Pontifícia Universidade Javeriana. O debate destacou como eles carregam memórias ancestrais, rotas de travessia e vínculos sagrados com o mar, tornando-se peças-chave para enfrentar as mudanças climáticas.
Como sintetizou uma das lideranças: “O mar guarda a memória dos antepassados. É o caminho por onde chegaram da África. Essa relação é sagrada.”
Cúpula dos Povos: ancestralidade que move o futuro
Na Cúpula dos Povos, a CONAQ abriu os trabalhos da Assembleia dos Movimentos Sociais com a força da mística quilombola e o ritmo ancestral do samba de coco do Quilombo Cachoeira da Onça (PE). A celebração reafirmou o corpo, a dança e a memória como elementos de resistência política.
Na mesa do Eixo 1, Ilario Moraes, representando a CONAQ e a MALUNGO, reforçou que os territórios quilombolas são pilares da soberania alimentar e da proteção ambiental do país:
“Territórios vivos são guardiões da memória, da cultura e da soberania alimentar. Quando defendemos o território, defendemos a vida.”
Saúde e clima: impactos diretos nos territórios quilombolas
Durante o Ato “Saúde e Clima”, na Assembleia dos Movimentos Sociais, Célia Pinto, da CONAQ, destacou como a crise climática aprofunda desigualdades, agrava doenças e compromete o bem viver nas comunidades tradicionais. A participação reafirmou a necessidade de políticas públicas que integrem justiça climática, saúde e direitos territoriais.
Plenária final: a Declaração dos Povos
No encerramento das atividades da Cúpula dos Povos na UFPA, a CONAQ participou da plenária final, que consolidou a Declaração dos Povos, documento que sintetiza dias de debates, denúncias e proposições construídas coletivamente. O texto reafirma o compromisso com a defesa dos bens comuns, a proteção dos povos tradicionais e a construção de um futuro justo e antirracista.
Um chamado no Dia dos Povos Afrodescendentes e Indígenas
Para fechar a noite, a Casa Maraka foi palco do painel: O papel dos povos afrodescendentes em tempos da crise climática. Com moderação de Carla Cárdenas, a mesa foi composta por Jacqueline Patterson (Fundadora e diretora executiva do Chisholm Legacy Project), Hugo Jabini (Co-organizador da Associação das Comunidades Saamaka – VSG), Antônio Crioulo (CONAQ), Dario Solano (CITAFRO, AfroClimaCC e RedAfro).
Direto da COP30, o membro da Coalizão lembrou que 14 de novembro é Dia dos Povos Afrodescendentes e Indígenas. Em mensagem contundente, reforçou que justiça climática só será possível quando as vozes desses povos estiverem no centro das decisões globais. O movimento encerrou o dia na COP30 fortalecida pela potência coletiva dos territórios e pela certeza de que a transição ecológica justa só acontece com povos e comunidades tradicionais vivos, reconhecidos e titulados.
Texto por Thaís Rodrigues CONAQ/Uma Gota no Oceano, publicado às 22:04:48
Categoria: COP30