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12 de setembro de 2025

Preso suspeito do “Baralho do Crime” acusado de executar Mãe Bernadete

Josevan “BZ” Dionísio foi capturado em Simões Filho após manter familiares reféns

A Polícia Civil da Bahia prendeu, na manhã desta sexta-feira (12 de setembro de 2025), um dos principais suspeitos envolvidos no homicídio de Bernadete Pacífico, conhecida como Mãe Bernadete, líder quilombola do Quilombo Pitanga dos Palmares, em Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. 

O detido é Josevan Dionísio dos Santos, apelidado “BZ” ou “Buzuim”, que integrava desde abril de 2024 o “Baralho do Crime” da Secretaria de Segurança Pública da Bahia, figurando como “Nove de Ouros”. 

Ele possuía mandados de prisão por homicídios, roubo e tráfico de drogas. A prisão ocorreu no Núcleo Habitacional Rubens Costa em Simões Filho, após denúncia e cerco policial. “BZ” chegou a fazer reféns sua companheira e um filho durante o cerco. 

Agentes da DENARC (Departamento Especializado de Investigação e Repressão ao Narcotráfico) e da CORE (Coordenação de Operações Especiais) conduziram a operação. Houve negociação para a rendição. Na casa onde foi detido, a polícia apreendeu uma pistola calibre 9mm de fabricação turca, com numeração raspada.

O crime e suas motivações investigadas

Mãe Bernadete foi assassinada em 17 de agosto de 2023, em sua casa no Quilombo Pitanga dos Palmares. A linha de investigação aponta que o assassinato se deu por retaliação devido suas denúncias sobre uso irregular do território quilombola que teriam incomodado lideranças criminosas. Contudo, é preciso enfatizar que ela estava fazendo o possível para conseguir justiça pela morte de seu filho Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, conhecido como Binho do Quilombo.

O Ministério Público Estadual da Bahia denunciou seis pessoas pelo crime. Até o momento da prisão de Josevan, cinco dos seis suspeitos já estavam presos. O sexto continua foragido, identificado pelo apelido de “Maquinista”.

As denúncias incluem crimes como homicídio qualificado por motivo torpe e uso de arma, bem como participação em organização criminosa. Os acusados devem responder em Júri Popular.

 

Implicações legais

Esta detenção é vista como importante passo para responsabilizar não apenas o executor material, mas também os mandantes do ataque. O caso lança luz sobre a grave situação de lideranças quilombolas, que frequentemente enfrentam ameaças, violência e lentidão judicial, especialmente em disputas sobre território e atuação criminal em áreas periféricas. 

A CONAQ vê essa prisão como um avanço relevante, mas alerta que só terá real impacto se os mandantes também forem responsabilizados. Enfatizamos que a lentidão judicial e decisões como a soltura de suspeitos reforçam a impunidade contra quem enfrenta desigualdade, racismo e violações territoriais. 

Vale frisar, por fim, que é preciso celeridade nas investigações, transparência nos julgamentos e proteção efetiva às lideranças. O que ocorreu com Mãe Bernadete não é um caso isolado, mas um ataque à memória e à luta coletiva de nós, quilombolas.