8 de dezembro de 2025
Atualização do Censo amplia quantidade de quilombolas no país; número deve ser muito maior
Biko Rodrigues afirma levantamento feito pelo IBGE "mostra a necessidade urgente da regularização dos territórios quilombolas".
A população quilombola do Brasil chegou a 1.330.186 pessoas, segundo a atualização do Censo 2022. São 2.384 pessoas a mais do que o registrado na primeira apuração. A Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) acredita que os números são muito maiores e que os dados devem ser corrigidos com novas contagens. O novo levantamento do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) também revisou o número de indígenas, agora 1.694.836, com um acréscimo de 1.301 pessoas em relação ao dado inicial.
Segundo o IBGE, os quilombolas representam 0,66% da população brasileira. Conforme os dados apresentados, a proporção de pessoas vivendo fora de territórios quilombolas oficialmente reconhecidos é de 87,39% (1,07 milhão), informação que escancara a necessidade urgente da titulação dos territórios e de acesso a direitos e políticas públicas.
Biko Rodrigues, coordenador nacional e articulador político da CONAQ, afirma que o censo mostra a necessidade urgente da regularização dos territórios quilombolas. “A situação jurídica da terra onde estão as comunidades quilombolas é responsável pela insegurança das lideranças nos territórios. Esses dados são importantes para que a gente possa avançar na construção de políticas públicas para o povo quilombola”, disse.
Os dados apontam que há presença de quilombolas em 1.700 municípios brasileiros. A maioria da população quilombola vive na região Nordeste (906,3 mil ou 68,14% do total). No Sudeste, são 182,4 mil (13,71%), enquanto no Norte são 167,3 mil (12,58%). No Centro-Oeste tem 45 mil (3,38%) e na região Sul 29,1 mil (2,19%).
A Bahia tem a maior população de quilombolas (397,5 mil), mas é o Maranhão que tem a maior proporção dessas pessoas entre sua população total (3,97%). Senhor do Bonfim (BA) é a cidade com maior número de quilombolas (16 mil), em seguida está Salvador, com 15,9 mil, e Alcântara (MA), com 15,6 mil. O município maranhense é o que tem a maior proporção quilombola no total de sua população (84,52%).
Avanço histórico
No Censo Demográfico de 2022 a população quilombola foi oficialmente contabilizada como grupo étnico pela primeira vez na história. Esse marco representa um avanço significativo para a visibilidade, o reconhecimento e a formulação de políticas públicas específicas para os povos quilombolas, que são parte fundamental da formação e da diversidade do país.
Lideranças quilombolas afirmam que esse foi um avanço histórico e acreditam que a contabilização da população quilombola fortalece a reivindicação por direitos e acesso a políticas públicas.
Biko Rodrigues reafirma que a contabilização da população quilombola é resultado de uma luta histórica do movimento quilombola, mas ainda há uma subnotificação e os números ainda devem aumentar.
“Esses dados atualizados demonstram o que a CONAQ sempre fala. Estamos espalhados por todo território nacional e muitos estão fora do território por conta de ameaças, da insegurança territorial, por conta da geração de emprego e renda. Esse número tende a se ampliar muito. Essa primeira etapa foi um piloto e deixou de contabilizar quem não estava no território quando a visita do recenseador aconteceu. Os dados são importantes, mas terão que ser corrigidos no próximo censo. A gente estima que os números sejam muito maiores”, disse Biko Rodrigues.
“Aguardamos as próximas amostragens com recortes de acesso à saúde, educação, trabalho e renda, questão territorial. Nós somos parte importante da população brasileira e o Estado Brasileiro precisa implementar políticas públicas para o nosso povo”, afirmou.
Texto por , publicado às 22:46:43
Categoria: Territórios Quilombolas