27 de julho de 2026
No Dia dos Avós, jovens da Escola Nacional de Formação de Meninas Quilombolas celebram o cuidado e a sabedoria dos mais velhos
Estudantes expressaram gratidão, respeito e afeto aos avós em seus depoimentos.
Os saberes transmitidos pelos mais velhos são parte importante da construção da identidade quilombola. Na Escola Nacional de Formação de Meninas Quilombolas, projeto da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), coordenado pelo Coletivo Nacional de Educação, o diálogo entre gerações é incentivado como forma de fortalecer a memória e o pertencimento. Neste Dia dos Avós, celebrado em 26 de julho, as e os estudantes prestaram homenagens a quem mantém vivas as histórias e os ensinamentos dos territórios.
Nas comunidades quilombolas, os mais velhos são guardiões da memória, da história e dos saberes ancestrais. Em reconhecimento aos griôs, jovens quilombolas prestaram homenagens aos seus e suas avós, demonstrando carinho e gratidão a quem abriu os caminhos, fez história e hoje é sinônimo de força e inspiração.
Assista ao vídeo aqui: https://www.instagram.com/reel/DbQgmB7uc1d/?igsh=MWFtdWkwYmNoaDVyNQ==
Ao homenagear seus avós, Pietra Maria Maia, do Quilombo São Pedro (MG), falou sobre a importância do respeito à história dos mais velhos:
“Dia 26 de julho é dia dos avós. E nós, jovens da Escola Nacional de Formação de Meninas Quilombolas, queremos homenagear quem veio antes de nós e abriu caminhos. Eu aprendi com meu avô e com a minha avó, que é muito importante a gente respeitar as histórias dos mais velhos que vieram antes de nós, que devemos honrar as nossas origens quilombolas e que devemos ter curiosidade e aprender as histórias das nossas comunidades”, disse Pietra.
A jovem Marilia Andrielly Santana, da Comunidade quilombola de Acauã (RN), compartilhou um dos ensinamentos mais importantes transmitidos por sua avó, Mãe Nananã, sobre o pertencimento e resistência: “Um dos ensinamentos que aprendi com a minha avó é que pertencer é escolher. Ela nos ensinou que cuidar é resistir e que devemos valorizar os saberes ancestrais. E que o maior legado está nas pessoas”, declarou.
Ao lado de seu avô, Paulo Silvio Júnior, do Quilombo Ivaporunduva (SP), expressou sua gratidão pelas histórias e pelas vivências compartilhadas: “Vô, obrigado por ser nossas raízes, por contar nossa história. Obrigado pelas histórias, pelas vivências que eu tenho com o senhor, pela nossa ancestralidade que o senhor sempre induz a nós seguirmos. Obrigado por tudo, feliz Dia dos Avós”, agradeceu Silvio.
A estudante Tayná Aparecida Luiz Gomes, da Comunidade Quilombola Córrego do Meio (MG),em sua homenagem, fala sobre o que aprendeu com seus avós sobre respeito e valorização de suas raízes: “Eles sempre me ensinaram a respeitar as pessoas, valorizar as minhas raízes e nunca desistir dos meus sonhos, mesmo quando as coisas ficam difíceis… e cada história deles me lembram de quem eu sou e da onde eu vim.O que eu mais admiro nos meus avós é a força e a sabedoria que eles carregam”, relata.

Da esq. para a dir. Marília, Tayná e Pietra
Os depoimentos mostram como griôs são referências de lutas e saberes. E a Escola Nacional de Formação de Meninas Quilombolas reforça a importância desse reconhecimento ao promover com frequência a partilha desses saberes durante as aulas. Grandes referências quilombolas já foram convidadas a compartilhar saberes com as jovens do projeto, como Nêgo Bispo e Dona Mocinha, intelectuais importantes para o movimento quilombola no Brasil. Esses momentos são essenciais para a construção da identidade e sentimento de pertencimento.
Através dessa conexão entre a geração avó e a geração neta, há partilha de saberes que não são aprendidos em livros. Também é entre essas gerações que a identidade quilombola se fortalece. Nas lições deixadas por Nêgo Bispo, nossa existência é infinita, criada por quem veio antes “Nós somos o começo, o meio e o começo. Existiremos sempre, sorrindo nas tristezas para festejar a vinda das alegrias. Nossas trajetórias nos movem, nossa ancestralidade nos guia.” (Mestre Antônio Bispo dos Santos)
Nas vozes dos jovens que hoje aprendem e preservam sua cultura, se destacam os ensinamentos dos seus avós. Mais do que lembranças do passado, os griôs deixam um caminho de sabedoria. Que os saberes dos mais velhos siga inspirando as próximas gerações.
Texto por Letícia Queiroz, publicado às 13:16:11
Categoria: Ancestralidade Quilombola Educação Quilombola