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3 de fevereiro de 2026

Mulheres da CONAQ realizam Planejamento Estratégico Nacional e fortalecem agenda política para 2026

Encontro reuniu lideranças quilombolas de todo o país em Brasília para avaliar ações, consolidar estratégias e ampliar a incidência nas pautas de justiça climática, gênero e direitos territoriais.

Entre os dias 26 e 30 de janeiro, o Coletivo/Secretaria Nacional de Mulheres da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) realizou, em Brasília (DF), seu Planejamento Estratégico Nacional. A atividade reuniu mulheres quilombolas de diversos estados com o objetivo de avaliar ações, fortalecer a organização nacional e construir coletivamente as estratégias para 2026, com foco na formação política, no fortalecimento organizativo, no autocuidado, na proteção de defensoras de direitos humanos e na incidência nas pautas de justiça climática e de gênero.

Durante a programação, foram debatidos aspectos da organicidade do coletivo, apresentada a proposta do Planejamento Estratégico 2026 e definidas as agendas prioritárias para o próximo período. Um dos pontos centrais do encontro foi o debate sobre o III Encontro Nacional de Mulheres Quilombolas da CONAQ, previsto para maio de 2026, em Brasília, que será um espaço estratégico de mobilização, formação e fortalecimento da luta das mulheres quilombolas em nível nacional.

Exibição de documentários e publicações do movimento

A programação contou ainda com a exibição de documentários e o lançamento de publicações estratégicas para o fortalecimento do movimento quilombola. Entre os destaques esteve a apresentação do documentário e da publicação do Projeto Cafuné, iniciativa que propõe a construção de um Plano Emergencial de Proteção e Autocuidado de Mulheres Quilombolas.

Outro destaque foi a apresentação da publicação “Guia Mulheres Quilombolas Rumo à COP30”, realizada pelo Centro Brasileiro de Justiça Climática (CBJC), com apoio da CONAQ. Os materiais sistematizam saberes ancestrais, experiências territoriais e estratégias de enfrentamento à crise climática, além de reunir conceitos e informações essenciais para qualificar a incidência política das mulheres quilombolas no debate climático nacional e internacional.

Rodas de diálogo sobre gênero, políticas públicas e justiça climática

As rodas de diálogo integraram a agenda formativa do planejamento. A mesa de abertura conduzida por Selma Dealdina Mbaye, Fran Paula e Cida Sousa, do Coletivo de Mulheres da CONAQ, contou com a participação das apoiadoras do WWF, Bianca Nakamato e Trícia Oliveira, e teve como foco o projeto de formação “Mulheres Quilombolas por Empoderamento: formação para o enfrentamento ao racismo ambiental na luta por justiça climática”, evidenciando os impactos desiguais das mudanças climáticas sobre os territórios quilombolas e estratégias para fortalecer a incidência política da publicação Mulheres Quilombolas e Justiça Climática: não adianta sofrermos juntos(as) e lutarmos separados(as).”

Outra mesa abordou o “fortalecimento do movimento de mulheres quilombolas, por meio das ações estruturantes de formação e participação social”, com foco na justiça climática, participação política e defesa dos direitos humanos. O diálogo foi conduzido por Maryellen Crisóstomo e Ivone Matos, do Coletivo de Mulheres da CONAQ, com participação de Sandra Kennedy e Rosane da Silva, do Ministério da Mulher, e Ingrid Gonçalves, do Instituto Federal de Goiás (IFG). 

O planejamento também contou com o debate “Mulheres Quilombolas e a NDC”, com participação de Jhonny Martins (CONAQ/Negra Anastácia), Robervone Nascimento (Tenure Facility) e Ciro Brito (ISA), que destacou o protagonismo das mulheres quilombolas na agenda climática e apresentou a publicação NDC dos Quilombos do Brasil, construída pela CONAQ com apoio do ISA.

O último dia da programação contou com a apresentação de Fran Paula e Miceli do Espírito Santo, com debates sobre a metodologia e o calendário 2026 da formação “Mulheres Quilombolas e Justiça Climática – formação a partir do território, da vida e da luta”, que será realizada com apoio do WWF.

O encerramento do Planejamento Estratégico reafirmou o compromisso da CONAQ com o fortalecimento da organização nacional das mulheres quilombolas, consolidando estratégias coletivas para o próximo período e ampliando a incidência política em defesa dos territórios, da vida e dos direitos, sob o princípio: “Nada sobre nós, sem nós.”

 

 

Parceiros

O compromisso das instituições parceiras foi fundamental para viabilizar a participação de mulheres quilombolas de diversos estados no planejamento. Entre os apoiadores estão: COSPE, Negra Anastácia, Fundo Casa Socioambiental, Fundo Ibirapitanga, Thousand Currents, WWF, Cooperación Española, Grassroots International e Bem-Te-Vi Diversidade.