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5 de setembro de 2025

Integrantes do Coletivo de Educação da CONAQ trocam experiências e discutem educação antirracista em intercâmbio no Peru

Docentes do norte, nordeste e do sudeste brasileiro afirmam que o espaço de troca de experiências fortalecerá a atuação do grupo junto ao movimento quilombola no Brasil.

Professores quilombolas que integram o Coletivo de Educação da Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ) estão em Lima, no Peru, participando do Intercâmbio Caminhos Amefricanos. Além de trocarem experiências e saberes sobre educação, cultura, identidade, território e resistência, as professoras Laura Gualberto, do Quilombo de Lajeado, no Tocantins, Andreia Libório, da comunidade Peropava, em São Paulo e o professor Francisco Assis, do Quilombo Sítio Antas, no Ceará, também fortalecem o diálogo entre povos afrodescendentes da América Latina, criando redes de articulação internacional.

O intercâmbio, que teve início no dia 24 de agosto e vai até o dia 7 de setembro, faz parte do programa Caminhos Amefricanos: Programa de Intercâmbios Sul-Sul, desenvolvido pelo Ministério da Educação (MEC) em parceria com o Ministério da Igualdade Racial. O programa selecionou 50 professores e professoras da educação básica de todo Brasil por meio de edital. Entre os objetivos do intercâmbio estão a valorização dos conhecimentos e práticas quilombolas, indígenas e afrodescendentes, aproximando-os das realidades peruanas e latino-americanas e a ampliação da visibilidade e a representatividade das comunidades quilombolas e afro-latino-americanas em espaços de formação, pesquisa e incidência política.

O grupo que representa o Coletivo de Educação da CONAQ no norte, nordeste e sudeste brasileiro afirma que o projeto contribui para o fortalecimento da promoção de uma educação antirracista. Como parte da programação, o trio faz uma imersão na cultura afro-peruana por meio de Visitas a instituições, como o Museu Nacional Afroperuano, Instituto Guimarães Rosa e Congresso da República, participação no V Seminário Caminhos Amefricanos, na Universidad Nacional Mayor de San Marcos, além de trocas de experiências com os docentes peruanos e encontros com movimentos sociais e acadêmicos.

Laura Gualberto afirma que a vivência no intercâmbio tem sido intensa e cheia de aprendizados. “Especialmente no que diz respeito às complexidades da identidade e das relações sociais. Estar imersa na cultura peruana, que também é afrodescendente, tem me proporcionado uma nova lente para observar como as identidades são construídas e negociadas”, disse.

O professor Francisco Assis diz que participar do intercâmbio tem sido uma experiência importante que fortalecerá sua luta no Brasil. “Essa vivência me possibilita ampliar meus conhecimentos sobre a história da América Latina e sobre as lutas dos povos afrosul-americanos, reconhecendo os caminhos de resistência e construção coletiva que nos unem. Além disso, o intercâmbio tem se mostrado um espaço fundamental de troca de experiências, que fortalecerá minhas ações em minha comunidade e minha atuação junto ao movimento quilombola no Brasil”, afirmou. 

Andreia Libório conta que ser contemplada em segundo lugar na seleção e ocupar esse espaço enquanto quilombola é de suma importância para que sejamos representados e as nossas vozes sejam ecoadas. “Vimos de um processo de luta histórica que ficou congelada no período colonial, estarmos nesses espaços significa reavivar a nossa memória e  história de resistência herdada de nossos povos  ancestrais. Conhecer a história sobre a luta e a invisibilidade da população Afroperuana, nos fortalece e nos dá fôlego para continuar na jornada de uma educação mais justa e com equidade para todas as pessoas, é  muito triste saber que os palanques (quilombolas) foram extintos em Peru, mas nós  estamos aqui, representando,  existindo e re-existindo pelos nossos ancestrais, pela presente e futura geração. Viva o povo quilombola! Viva los Palanques! Viva ao Povo Peruano! Viva ao Brasil! Viva aos caminhos Ameafricanos”

Para o grupo, o intercâmbio tem sido uma construção coletiva de saberes, afetos e estratégias para transformar a educação, combater o racismo e fortalecer as lutas cotidianas. Os aprendizados serão levados para as instituições de ensino onde atuam e para as comunidades quilombolas.