1 de novembro de 2025
III Festival de Batuques de Quilombos celebra ancestralidade, cultura e resistência no Quilombo Salinas, em Campinas do Piauí
Durante os dois dias, o festival foi espaço de celebração, mas também de reflexão política sobre educação, cultura, meio ambiente e políticas públicas.
Som dos tambores, rodas de conversa, cantos, danças, partilhas coletivas… O Quilombo Salinas, em Campinas do Piauí (PI), viveu dois dias de intensa celebração durante o III Festival de Batuques de Quilombos, nos dias 24 e 25 de outubro. Realizado pela Coordenação de Quilombos do Piauí – CECOQ, o encontro reuniu várias comunidades, reafirmou a força da cultura quilombola piauiense e promoveu diálogo entre gerações, saberes e políticas públicas voltadas à população quilombola.
O evento contou com a presença de mestres e mestras, lideranças quilombolas, jovens, pesquisadores, gestores públicos e artistas, em uma programação diversa que combinou momentos culturais, informativos e formativos. Durante os dois dias, o festival foi espaço de celebração, mas também de reflexão política sobre educação, cultura, meio ambiente e políticas públicas. Os momentos de discussão contaram com a presença de Maria Rosalina dos Santos, da CECOQ-PI e CONAQ.
Educação foi um dos temas centrais das discussões, entendida também como processo de continuidade das memórias, dos saberes e dos modos de vida quilombolas. As reflexões destacaram a importância de uma educação que valorize os territórios, os mestres e as práticas culturais locais, fortalecendo a juventude e garantindo o direito a aprender sem abrir mão da identidade e da ancestralidade. Durante o III Festival de Batuques do Piauí, a Secretaria Municipal de Educação e a Secretaria Municipal de Cultura de Campinas do Piauí (PI) firmaram um compromisso com a Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), por meio do seu Coletivo de Educação, para a implantação da Educação Escolar Quilombola no município. Este será o terceiro projeto-piloto voltado ao fortalecimento dessa política educacional no país, ao lado das experiências já em curso em municípios do Maranhão e do Amazonas.

A pauta ambiental também foi destaque. Jhonny Martins de Jesus – Coordenador Nacional de Quilombos – CONAQ, coordenou o painel “O que é a COP30: Objetivos e a Importância dos Quilombolas nesses Espaços”, reforçando que as populações tradicionais precisam estar no centro das discussões sobre o futuro do planeta.
O acesso a políticas públicas e políticas culturais também foram abordados com as presenças do secretário de Estado de Cultura, a secretária municipal de Campinas do Piauí e três representantes do Ministério da Cultura. As apresentações e o encontro entre grupos de batuque, com trocas musicais, ritmos, cantos e vivências compartilhadas, evidenciaram a importância das manifestações dentro dos quilombos para que as memórias e as tradições sigam vivas, reconhecidas e respeitadas. Um dos encaminhamentos importantes foi a criação da primeira rede de pontos de cultura quilombola a nível estadual e, posteriormente, a nível nacional.

Durante o III Festival de Batuques foi realizada oficina com jovens. O momento formativo tinha como objetivo conectar políticas públicas à realidade quilombola e à juventude quilombola. A visita ao Museu Dona Cumbuca chamou atenção do público – uma vivência guiada acervo que guarda memórias, objetos e histórias da ancestralidade quilombola piauiense.

A programação também contou com a exibição de documentários. Os produtos audiovisuais com narrativas quilombolas registram memórias, mestres e experiências de resistência e o Samba de Cumbuca e Reizados Quilombolas da Comunidade Salinas.
III Festival de Batuques de Quilombos foi encerrado após avaliação, encaminhamentos e momento de celebração coletiva, reafirmando a organização, a força e alegria da cultura quilombola piauiense.








Texto por Letícia Queiroz, publicado às 14:49:24
Categoria: Cultura Quilombola