27 de outubro de 2025
I Seminário Internacional de Educação Quilombola reúne vozes do Brasil e da América Latina em Recife
Encontro organizado pela CONAQ, por meio do seu Coletivo de Educação, em parceria com a UFRPE, a SECADI/MEC e outras instituições, fortaleceu o debate sobre o direito à Educação Escolar Quilombola.
De 21 a 24 de outubro, Recife (PE) se tornou território de encontro, partilha e ancestralidade durante o I Seminário Internacional de Educação Quilombola e suas Confluências. O evento reuniu professoras/es, lideranças quilombolas, pesquisadores(as), estudantes e representantes de instituições públicas como Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização de Jovens e Adultos, Diversidade e Inclusão (Secadi)/MEC, Secretaria de Políticas para Quilombolas, Povos e Comunidades Tradicionais de Matriz Africana, Povos de Terreiros e Ciganos/MIR e demais instituições públicas e organizações comunitárias de diversos territórios negros afrodescendentes, afro-indígenas e quilombolas do Brasil e de outros países da América Latina para fortalecer o debate sobre o direito à educação quilombola, suas relações com o território e o papel das políticas públicas nesse processo.
Realizado em parceria com a UFRPE e SECADI/MEC, o seminário aconteceu no Sindicato dos Trabalhadores Públicos Federais em Saúde e Previdência Social no Estado de Pernambuco (Sindsprev – Guabiraba) e contou com uma programação composta por mesas, rodas de diálogo, salas temáticas, vivências comunitárias e painéis. Um dos momentos marcantes foi a Roda de Diálogo “Nas Lutas por Educação Escolar: Confluências entre Brasil e América Latina”, que reuniu representantes do Brasil, Colômbia, Equador e Honduras em uma troca de experiências sobre os desafios e caminhos da educação quilombola no continente. As atividades nos territórios quilombolas Trigueiros, Onze Negras, Povoação de São Lourenço, Terreiro Xambá e Povoado Engenho Siqueira/Demanda reafirmaram o protagonismo quilombola na construção de uma educação com identidade e pertencimento.
Ao longo dos quatro dias de atividades, foram debatidos temas centrais como financiamento da educação quilombola, formação de professores(as), alimentação escolar, práticas pedagógicas, valorização dos saberes tradicionais nos currículos escolares, entre outros assuntos importantes para a educação. Os diálogos reforçaram a importância de uma educação que reconheça e respeite as especificidades das comunidades quilombolas, contribuindo para a construção de políticas públicas mais justas e territorializadas.

O encerramento do encontro foi marcado pela leitura da Carta do Seminário, que expressou os compromissos coletivos assumidos ao longo dos dias e reafirmou a defesa de uma Educação Escolar Quilombola plena. O documento aprovado pelas pessoas presentes traz reflexões, inquietações e reivindicações baseadas nas experiências compartilhadas por representantes do Brasil, da Colômbia, de Honduras e do Equador.
A carta informa que “a educação é um direito inegociável e um instrumento de luta e fortalecimento das nossas identidades”. Um trecho do documento reafirma que “a Educação Escolar Quilombola e Afrodescendente é parte do nosso projeto de sociedade e deve ser compreendida como parte integrante e estruturante das políticas públicas de educação básica em nossos países. Ela requer, portanto, reconhecimento institucional, financiamento próprio e participação efetiva das comunidades em sua formulação e gestão”.
Leia a Carta do Seminário Internacional de Educação Quilombola aqui
O documento conclama os governos, organizações internacionais e universidades a assumirem um compromisso ético e político com a vida e com a educação dos povos negros afrodescendentes e quilombolas, de modo que as nossas escolas sejam espaços de existência e confluência, onde as gerações atuais e futuras possam continuar com o projeto de sociedade baseado em valores de dignidade, liberdade e ancestralidade.
Durante o Seminário foi criada uma rede entre Brasil e países presentes, que firmaram parceria na luta por educação diferenciada. O Seminário foi encerrado afirmando que os saberes, práticas, culturas e pedagogias quilombolas são rios e mares que cruzam fronteiras e conectam quilombos, palenques, garífunas, cimarrones, comunidades afro-equatorianas, afro-indígenas, negras afrodescendentes e tantos outros povos que educam, libertam e combatem o colonialismo.





Fotos: MalungoLab
Texto por , publicado às 17:24:12
Categoria: Educação Quilombola