25 de setembro de 2026
Equipe técnica do BID visita sede da CONAQ para acompanhar execução do projeto de bioeconomia quilombola na Amazônia
Visita acompanhou as ações em andamento, os avanços, os desafios e as perspectivas da iniciativa de fortalecimento da bioeconomia nos territórios quilombolas do bioma.
Na manhã de 24 de setembro, a sede da CONAQ, em Brasília – DF, recebeu Ellen Acioli, especialista setorial da Amazônia, e Kiviane Castro, consultora de operações gerais, ambas do Banco Interamericano de Desenvolvimento. As integrantes da instituição financeira se reuniram com representantes da Coordenação Executiva do movimento para acompanhar o desenvolvimento da iniciativa, compartilhar os resultados alcançados nos territórios e discutir as prioridades para as próximas etapas do projeto.
A agenda integra a parceria entre as organizações para fortalecer a sociobioeconomia quilombola na Amazônia Legal. O projeto combina mapeamento territorial, identificação de cadeias de valor, formação de agentes territoriais e apoio a iniciativas econômicas desenvolvidas pelas comunidades a partir de seus conhecimentos, modos de vida e da biodiversidade.
Um dos principais resultados previstos nesta etapa é o direcionamento de US$ 100 mil, equivalente a pouco mais de R$ 500 mil, para fortalecer pelo menos 10 cadeias de valor identificadas durante as atividades de campo. O investimento busca apoiar iniciativas que já possuem inserção no mercado, ampliando suas possibilidades de produção, comercialização e geração de renda.
A iniciativa está presente em cinco estados da Amazônia Legal – Amazonas, Amapá, Maranhão, Mato Grosso e Rondônia – e tem como uma de suas estratégias centrais reconhecer a economia existente nos territórios a partir do olhar das próprias comunidades.
Conhecimentos dos territórios orientam o investimento
Antes de definir onde os recursos serão aplicados, o projeto realizou expedições de campo para identificar as atividades produtivas e os arranjos econômicos desenvolvidos pelas comunidades quilombolas. Nesse processo, os agentes territoriais desempenham papel fundamental na identificação das cadeias de valor e no registro das experiências existentes em cada localidade.
A metodologia busca fazer com que os investimentos estejam conectados às necessidades e potencialidades encontradas nos próprios territórios. Para o BID, fortalecer essas iniciativas significa também contribuir para melhorar as condições de vida das comunidades e ampliar sua autonomia.
“A expectativa é que consigamos fortalecer esses arranjos produtivos, que esse projeto consiga contribuir na melhoria da qualidade de vida de quem está envolvido nele e que também contribua para a autonomia dos territórios quilombolas”, afirma Ellen.
A proposta parte do entendimento de que a sociobioeconomia quilombola não se limita à comercialização de produtos. Ela está relacionada à conservação da biodiversidade, aos conhecimentos tradicionais e às formas coletivas de organização que sustentam a vida nos territórios.
Uma economia construída a partir do território

Foto: Mylena Pereira
Ao colocar os agentes territoriais no centro do processo de identificação das cadeias produtivas, a parceria amplia a participação das comunidades na produção das informações que orientam as ações do projeto.
Esse protagonismo também permite registrar experiências que muitas vezes permanecem invisíveis nas narrativas convencionais sobre a economia amazônica. São iniciativas que articulam produção, conhecimentos ancestrais, conservação ambiental e geração de renda, mantendo uma relação direta com os territórios onde são desenvolvidas.
“O projeto tem permitido mapear a bioeconomia a partir da perspectiva quilombola, com os próprios quilombolas contando a história deles, contando quais são os arranjos produtivos e como isso está ligado diretamente ao futuro e à importância dessa economia que é gerada no território”, destaca a especialista.
Nesse sentido, a atuação conjunta entre ambos e organizações comunitárias contribui para fortalecer não apenas as atividades econômicas identificadas, mas também as capacidades das comunidades para gerir seus próprios processos de desenvolvimento.
O trabalho reforça ainda a importância das organizações quilombolas como articuladoras entre as instituições parceiras e os territórios. O movimento atua na construção desse diálogo, aproximando as estratégias do projeto das realidades locais e contribuindo para que as ações considerem as especificidades e prioridades das comunidades.
Parceria pode gerar modelos para outros territórios
Além dos resultados diretamente relacionados às cadeias produtivas apoiadas, a parceria tem potencial para produzir referências para novas iniciativas de cooperação e financiamento voltadas aos povos e comunidades tradicionais.
A expectativa é que as experiências construídas na Amazônia possam ser sistematizadas e transformadas em modelos capazes de inspirar novas ações em outros territórios. “Nós esperamos que essa parceria com o BID para a Amazônia consiga criar cases, modelos e pilotos replicáveis para outros territórios da Amazônia e que, por meio disso, consiga se conectar com outros potenciais parceiros, não só o BID, mas outros parceiros da própria cooperação internacional e outras organizações não governamentais”, afirma a especialista.
A perspectiva amplia o alcance da iniciativa e reforça a importância de criar mecanismos de apoio que reconheçam as comunidades quilombolas como protagonistas da conservação da biodiversidade e da construção de alternativas econômicas sustentáveis.A visita reafirmou uma parceria que articula financiamento, conhecimento técnico e experiência territorial em torno de uma agenda construída com participação quilombola.
Ao mapear cadeias produtivas, formar agentes territoriais e direcionar recursos para iniciativas existentes, o projeto contribui para dar visibilidade a uma economia que já está presente nas comunidades e que se relaciona diretamente com seus modos de vida e com a proteção da biodiversidade.
Mais do que apoiar empreendimentos, a iniciativa busca fortalecer condições para que os próprios territórios definam seus caminhos de desenvolvimento, ampliem sua autonomia e valorizem conhecimentos transmitidos entre gerações.
A expectativa para as próximas etapas é avançar na consolidação das cadeias identificadas, ampliar o diálogo com parceiros e fortalecer experiências que demonstrem o potencial da sociobioeconomia quilombola para a geração de renda, a conservação ambiental e a autonomia territorial na Amazônia.
Texto por Thaís Rodrigues/CONAQ , publicado às 16:10:58
Categoria: Sociobioeconomia