30 de setembro de 2025
Encontro realizado em Salvador amplia debates sobre a defesa dos territórios e da Educação Escolar Quilombola
“Educação Escolar Quilombola é direito! Planejar e resistir para os próximos 10 anos” foi tema do I Encontro Regional de Educação Escolar Quilombola do Nordeste.
O I Encontro Regional de Educação Escolar Quilombola do Nordeste, realizado em Salvador (BA), representou um marco político na luta por uma educação construída a partir das vozes quilombolas. Realizado entre os dias 24 e 26 de setembro, o evento com o tema “Educação Escolar Quilombola é direito! Planejar e resistir para os próximos 10 anos” reuniu mais de 350 pessoas da Bahia, Alagoas, Ceará, Maranhão, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. O momento foi marcado pela presença e pelo protagonismo de pessoas quilombolas que compartilharam as vivências dos seus territórios e das suas escolas.
Realizado pela Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), por meio do seu Coletivo de Educação, o evento contou com os esforços da Comissão Nacional de Educação Escolar Quilombola (CONEEQ), da Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão (SECADI/MEC), Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), e do Governo do estado da Bahia, através da Diretoria de Educação de Povos e Comunidades Tradicionais da Secretaria de Educação do Estado.
Em meio a poesias, toques de tambores, giras e debates, os professores e professoras quilombolas, mestres e mestras dos saberes tradicionais, estudantes, lideranças quilombolas, agentes públicos e universidades debateram os rumos da educação voltada para as comunidades quilombolas da região nordeste do Brasil. O encontro contou com momentos de discussões e reflexões em torno dos desafios e potencialidades da Educação Escolar Quilombola. Nos três dias de evento, o tema foi tratado em mesas, rodas de conversa e Grupos de Trabalho (GT’s) com os seguintes temas:
- Diagnóstico de demanda, financiamento e estruturação das escolas quilombolas
- Currículo, formação docente e saberes tradicionais
- Movimento Quilombola, Incidência política e controle social do PNE e da PNEERQ
- Infâncias e educação infantil quilombola
- Educação de jovens e adultos quilombola
- Quilombolas no ensino superior: acesso, acolhimento, permanência e identidade
- Gestão escolar quilombola e a relação com a comunidade
- Religiosidade de Matriz Africana, racismo religioso e o contexto escolar
- Justiça Climática, Racismo Ambiental e o papel da Educação Escolar Quilombola
- Cultura e Literatura Quilombola
A programação contou com roda de conversa entre fundadores da CONAQ e jovens ativistas por educação de qualidade para quilombolas, homenagem a Mãe Bernadete e muitas citações dos ensinamentos de Nego Bispo, lançamento do Infográfico “Vidas Interrompidas” do Projeto Resistência Quilombola — parceria com o Coletivo de Mulheres e Coletivo Jurídico da CONAQ.

No último dia, a Carta do EREEQ do Nordeste — construída durante o encontro — foi lida e aprovada. O documento elaborado de forma coletiva a partir das reflexões e discussões realizadas no evento expõe demandas e reivindicações do movimento quilombola para a educação e apresenta resultados alcançados por meio dos debates.
O documento convoca a sociedade a se somar a nós na construção de um país verdadeiramente equitativo, diverso e quilombola.
Um trecho da carta afirma que “este Encontro retoma o Documento Final do I Encontro Nacional de Comunidades Negras Rurais, realizado em 1995, reafirmando as reivindicações e ampliando os debates sobre a defesa dos territórios e da Educação Escolar Quilombola. Destacamos que a luta pelo território é inseparável da luta pela educação e que a Educação Escolar Quilombola deve ser uma pauta do Estado brasileiro e não somente do Movimento Quilombola, como afirmou a quilombola e conselheira do Conselho Nacional de Educação (CNE), Givânia Maria da Silva, na mesa de abertura”.
LEIA AQUI – CARTA I ENCONTRO DE EEQ DO NORDESTE
Givânia Silva, que é referência nacional nas lutas por equidade racial e justiça educacional, afirmou que o encontro foi um momento importante e que o movimento quilombola sai mais fortalecido para lutar pelos avanços necessários.
“Foi um momento de muita troca, de muito aprendizado e de muita construção política. A gente sai daqui muito mais fortalecidos e fortalecidas. As outras regiões vão se somar e a gente vai conseguir ter uma radiografia sobre a situação da Educação Escolar Quilombola. Esse encontro era um sonho que se tornou realidade”, disse.

O encontro no Nordeste é o segundo a ser realizado pela CONAQ, por meio do seu Coletivo de Educação, na agenda de encontros regionais da Educação Escolar Quilombola. O primeiro foi o do Sudeste e aconteceu em Minas Novas, no Vale do Jequitinhonha, em Minas Gerais. Os encontros das regiões norte, sul e centro-oeste também serão realizados com o objetivo de fortalecer a Educação Escolar Quilombola e definir ações estratégicas para a garantia do direito a uma educação de qualidade para pessoas quilombolas dentro dos seus territórios em todo o Brasil.










Texto por Letícia Queiroz, publicado às 19:55:39
Categoria: Educação Quilombola