18 de março de 2026
Documentário que retrata realidade “oculta” de mulheres quilombolas é exibido em Brasília
Iniciativa chama atenção para enfrentamento à violência de gênero nos territórios.
Em março, a CONAQ, em comemoração ao mês da mulher, iniciou uma campanha de conscientização e enfrentamento à violência de gênero com as hashtags “Quando uma mulher quilombola tomba, o quilombo se levanta com ela” e “nenhuma quilombola a menos”. Com conteúdos publicados semanalmente e em diversos formatos, a iniciativa evidencia o protagonismo das mulheres na luta coletiva pela defesa dos direitos, mas também denuncia as violências e negligências as quais as mesmas são expostas diariamente pela sociedade e pelo próprio estado.
Na segunda semana, o conteúdo esteve voltado à exibição do filme/documentário “Cafuné”, o evento, realizado na última quinta-feira(12), no Instituto Cervantes, em Brasília, reuniu um público diverso para dialogar sobre a proteção e o autocuidado das mulheres quilombolas que estão na linha de frente da defesa dos territórios. Aparecida Ribeiro de Sousa, também chamada carinhosamente de Cida Sousa, Coordenadora do Coletivo de Mulheres da CONAQ, falou sobre a importância do então momento: “Trazer o “Cafuné” para esse público hoje, é muito importante, porque ele retrata a nossa realidade enquanto mulheres quilombolas. É um documentário muito forte porque pra nós, às vezes é muito difícil expressar os nossos sentimentos, mas quando a gente se reúne ali, para gravar em coletivo, com muito acolhimento, nós conseguimos externalizar as nossas dores”.

Foto: Pedro Garcês/CONAQ
O encontro contou com a presença de representantes de instituições públicas e privadas, parceiros e apoiadores do projeto, além de lideranças quilombolas e defensoras de direitos humanos. Após a exibição, o momento seguiu com uma roda de conversa composta por Élida Lauris, Secretária Nacional de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos, e as Lideranças Quilombolas Defensoras de Direitos: Bia Nunes (RJ), Rosária Ribeiro (MG) e Maria José (PA).
Durante o diálogo, elas compartilharam experiências sobre os desafios enfrentados em seus territórios e destacaram a importância de existir um espaço coletivo para falar sobre violência de gênero, proteção e estratégias de enfrentamento.
“…Existem varias maneiras de se matar uma mulher, a primeira delas, é quando ela vai pra vida pública, e a mulher quilombola esta exposta a esse tipo de morte, por causa da situação de violência nos quilombos, por causa do nível do patriarcado e a exposição a violência de gênero…Tanto que os dados sempre mostraram que nos casos de homicídios de mulheres quilombolas são 50% dos assassinatos comparados também aos conflitos fundiários, quando uma mulher quilombola, toma essa decisão e vai pra vida pública, ela já é afetada, tanto pelas ameaças da vida de liderança, quanto pela as ameaças da vida doméstica mesmo. Então a mulher quilombola pode morrer por muito mais razões”. Pontuou Élida.

Foto: Pedro Garcês/CONAQ
Nesse mês de março (e em todos os outros), não queremos apenas flores, queremos a garantia de continuarmos vivas! “Quando uma Mulher Quilombola Tomba o Quilombo se Levanta com Ela”. #NenhumaQuilombolaamenos! Parceiros do projeto: Instituto Ibirapitanga, Embaixada Espanhola, Global Witness, Bem-te-vi Diversidades e Embaixada da França.
Texto por Regimara Santos/ CONAQ, publicado às 15:20:18
Categoria: Mulheres Quilombolas